Dentre as revoluções científicas e tecnológicas mais significativas da
história, em nenhuma delas as mulheres desempenharam papel tão relevante
como no desenvolvimento da energia nuclear. Poucos sabem, mas por trás
das descobertas mais importantes, como a comprovação dos primeiros
elementos radioativos e da fissão nuclear, estão cientistas mulheres.
Hoje, os estudos nucleares continuam a interessá-las.
Fabiana sente fascínio porque a energia nuclear junta física, química e biologia Foto: Lais Telles/Esp DP/D.A press
Elas
não são maioria entre os pesquisadores da área. Mas seguem com o
objetivo de fazer a diferença na sociedade, a partir do que descobrem
nas ciências nucleares.
Fala-se que a radioatividade foi
descoberta pelo físico francês Henri Becquerel em 1896. No entanto,
somente dois anos depois, em 1898, o fenômeno da radioatividade foi
percebido como algo totalmente novo, graças às pesquisas de Marie Curie,
polaca que descobriu os primeiros elementos radioativos. Foi a partir
do seu trabalho que a física nuclear começou a se desenvolver de fato.

Eliane Valentim diz que a energia nuclear está sendo usada para salvar vidas Foto: Lais Telles/Esp DP/D.A press
Essas
e outras histórias foram reunidas pelo americano Jonathan Tennenbaum, no
livro Energia nuclear: uma tecnologia feminina (foi publicado no Brasil
em 2007, pela editora Capax Dei). ´Depois de Marie Curie, várias
mulheres se inspiraram a se tornar cientistas`, afirma Tennenbaum. A
começar pela filha de Marie, Irene Curie, que também se tornou uma
premiada pesquisadora a partir dos estudos na área nuclear. Tennenbaum
ainda cita a alemã Ida Noddack, a primeira a sugerir a ideia de fissão
nuclear e a austríaca Lise Meitner, que comprovou a fissão. Dizem que
Meitner foi a mulher que deixou a Alemanha com a ´bomba na bolsa`. Por
ser judia, ela precisou fugir da Áustria, após a anexação à Alemanha em
1938, no ano da descoberta da fissão.
Viviane Bornann diz que descobertas estimulam interesse das mulheres Foto: Lais Telles/Esp DP/D.A press
´No
começo do século 19, a área mais interessante da física era a
radioatividade. A mulher que pensava em mexer com ciência era atraída
para essa área`, defende Jonathan Tennenbaum. Um século depois, o
segmento continua a atrair as mulheres, embora elas sejam minoria. No
Centro Regional de Ciências Nucleares (CRCN/NE, em Recife), na Cidade Universitária,
elas são quatro doutoras, dentro um universo de 17 pesquisadores.
Para
Viviane Bornann, 42 anos, o que estimulou o interesse dessas mulheres
precursoras dos estudos nucleares se mantém até hoje. ´A descoberta de
coisas novas. Os elementos da radioatividade muitas vezes nos
surpreendem`, comenta ela. ´A radioatividade está em todo lugar. Quando
se fala em nuclear, pensam logo em bomba ou em contaminação. Mas a
ciência nuclear está sendo usada para salvar vidas e identificar
poluição no meio ambiente`, conta Eliane Valentim, 42 anos.
Mércia Oliveira defende utilidade prática das pesquisas para a sociedade Foto: Lais Telles/Esp DP/D.A press
´É
essa aplicabilidade imediata que me atraiu na ciência nuclear. Todo o
conhecimento que a gente gera nas nossas pesquisas tem utilidade prática
e ajuda a sociedade`, defende Mércia de Oliveira, 32 anos. Dizem que as
mulheres são capazes de desempenhar diversas atividades ao mesmo tempo.
Talvez, por isso, o fato da ciência nuclear ser multidisciplinar seja
um atrativo para elas. ´Você consegue juntar física, química, biologia.
Isso me fascina`, afirma Fabiana Guimarães, 39 anos.
Fonte: Diário de Pernambuco.com.br (com adaptações).