Busca

Mostrando postagens com marcador Europa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Europa. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, abril 25, 2012

Fundação Certi amplia parceria com instituto alemão para elevar inovação no Brasil

A Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi) assinou, na segunda quinzena de janeiro, um acordo de cooperação que poderá elevar o protagonismo da instituição no cenário nacional. A parceria foi firmada com a Sociedade Fraunhofer, da Alemanha, que opera o maior complexo de pesquisa e desenvolvimento (P&D) tecnológico europeu, especializado no atendimento de demandas do setor empresarial.

Hoje, a fundação brasileira já oferece suporte para grandes e médias empresas de todo o país para a elaboração de produtos e processos inovadores. A expectativa é ampliar a capacidade de atendimento, desenvolver soluções com alto grau de complexidade tecnológica em áreas portadoras de futuro e estratégicas para o Brasil, num menor custo.

Além da produção conjunta de produtos e processos e da oferta de serviços tecnológicos, o acordo prevê o intercâmbio de pesquisadores e de informações, assim como capacitação empresarial. “Ter esta organização como parceira é certamente estratégico. De forma objetiva e sistêmica, as duas organizações unem suas competências para atender empresas brasileiras e europeias”, destaca o superintendente geral da Fundação Certi, o professor Carlos Alberto Schneider.

Para se ter uma ideia do gigantismo do parceiro internacional, atualmente a Sociedade Franhoufer é constituída por 80 unidades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico e reúne 18 mil pesquisadores. O orçamento anual é da ordem de 1,6 bilhão de euros.

De acordo com o superintendente da Certi, a parceria poderá resultar num expressivo impacto de inovação no cenário brasileiro, “se esta oportunidade for trabalhada em um regime de ganha-ganha, sempre com envolvimento conjunto de uma instituição científica e tecnológica (ICT) brasileira e de uma unidade Fraunhofer parceira”.

Os institutos Fraunhofer e os centros de referência da Certi são organizações privadas, sem fins lucrativos, e dependendo do grau de financiamento de base, podem oferecer serviços e projetos com preços atrativos. Entretanto, existe um forte desestimulador no Brasil à contratação de serviços de P&D de entidades estrangeiras, que implica em encargos adicionais de cerca de 40%.

Nas agências de fomento, estuda-se a possibilidade de viabilizar a isenção destas obrigações quando o atendimento empresarial acontecer em parceria com uma ICT. “Esta é mais uma importante medida de estímulo a ser agregada ao marco legal brasileiro”, analisa Schneider. O avanço está previsto no Projeto de Lei N° 2177/11, que tramita no Congresso Nacional, para constituir o Código Nacional de CT&I.

Bons frutos

O acordo também poderá resultar na instalação de um centro de pesquisa do grupo alemão na capital de Santa Catarina. A unidade deverá ser acomodada no Sapiens Parque. O centro seguirá o modelo dos já existentes nos Estados Unidos, China e Japão e espera-se fortalecer a interação com institutos de ciência e tecnologia de universidades brasileiras.

“Este empreendimento poderá ser realidade, dependendo do desenvolvimento dos trabalhos em cooperação para a indústria, do êxito de um escritório de representação e de um centro de projetos”, antecipa Carlos Schneider. A unidade também envolverá as empresas de base tecnológica do Parque Tecnológico Alfa.

A Certi mantém relacionamento estreito com mais de seis unidades da Sociedade Fraunhofer desde 2005. Entre as parcerias vale citar a entre o Instituto de Ensaios Não Destrutivos (IZFP) e o Laboratório de Placas Eletrônicas, alemão e brasileiro, respectivamente.

Pela cooperação, as instituições já desenvolveram soluções nas áreas de tecnologias de processo e produção industrial, particularmente em manufatura de placas eletrônicas, metrologia e inspeção por coordenadas, tomografia industrial, planejamento da inovação de instrumentação médica e na cadeia produtiva e imãs de terras-raras.

“Nesta nova fase de parceria institucionalizada, a ênfase será a geração de soluções inovadoras para o aumento da competitividade das empresas, alinhada às políticas de desenvolvimento brasileiras”, conclui Carlos Alberto Schneider.
Informações sobre a Fundação Certi estão disponíveis no site www.certi.org.br.


Fonte: Abibpti

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Tratamento inédito à próstata desperta interesse mundial

Médicos estrangeiros deslocam-se a Portugal para aprenderem uma técnica de tratamento da hiperplasia benigna da próstata pouco invasiva.


Portugal tem o único centro mundial que efetua uma técnica de tratamento da hiperplasia benigna da próstata pouco invasiva, quase sem efeitos secundários e que está a suscitar interesse internacional e a atrair doentes e médicos de todo o mundo.

A hiperplasia benigna é a doença mais frequente da próstata, muito comum nos homens a partir da meia-idade e que consiste num aumento do volume daquela glândula, obstruindo as vias urinárias e tornando difícil o ato de urinar.

Segundo João Pisco, chefe da equipe de radiologia de intervenção do Hospital de Saint Louis, as terapêuticas mais frequentes são os medicamentos, nem sempre eficazes e com consequências como a disfunção erétil, ou a cirurgia, muitas vezes com "complicações muito graves".

Doente sai no mesmo dia do hospital

A técnica consiste na embolização das artérias da próstata, ou seja, sob anestesia local, introduz-se através de um orifício na virilha um cateter que é dirigido para as artérias prostáticas, monitorizado por um aparelho de raios X digital, e através desses cateteres são introduzidas pequenas partículas de plástico que vão entupir e cortar parte da circulação da próstata.

"Isso conduz a uma redução das dimensões da próstata, com eliminação ou melhoria dos sintomas na maioria dos doentes", explica o radiologista.

João Pisco destaca as vantagens em relação a outros métodos: não há perda de sangue, não são necessárias transfusões, o doente leva anestesia local, fica em regime de ambulatório, vai para casa no mesmo dia, deixa de tomar os medicamentos e passa a ter uma vida normal sem qualquer terapêutica.

Além disso, é um método "praticamente sem riscos". Quando ocorrem não são mais do que uma infeção urinária, sangue na urina ou um pequeno hematoma na barriga ou na coxa.

"Estes doentes vão para o quarto, dentro de duas horas podem ir à casa de banho, quatro a seis horas depois já podem ir para casa", explica, acrescentando que o primeiro dia é de repouso completo, o seguinte é já de vida normal e que só não podem conduzir durante dois dias.

Intervenção sem dor

Numa cirurgia acompanhada pela Lusa, o doente queixou-se da dificuldade em urinar e do tratamento com medicamentos, alegando que estes "condicionam determinados aspectos" da sua vida. Mostrou-se esperançado nesta técnica, que disse conhecer por "ouvir falar" que é a alternativa à cirurgia.

No final da intervenção, que durou cerca de meia hora, afirmou não ter tido qualquer dor, apenas um ligeiro ardor.

Na ocasião encontravam-se no hospital cinco médicos italianos e um argentino, que se deslocaram a Portugal propositadamente para assistirem às intervenções e aprenderem a técnica.

Um urologista italiano disse à Lusa estar "impressionado" com o método por ser minimamente invasivo e "uma alternativa aos outros tratamentos, cujos resultados não são muito eficazes".

"Sou chefe do departamento de Urologia de um hospital e um dos meus colegas disse-me que havia esta nova técnica em Portugal, por isso viemos ver o procedimento e os resultados e penso que em pouco tempo poderemos começar a aplicá-lo na Itália", afirma.

Para o radiologista argentino, também presente na ocasião, este método "é revolucionário" tanto na área ginecológica, com a embolização dos miomas uterinos, como na próstata. "É um luxo para Portugal que venha gente de todo o mundo, médicos para aprender e pacientes para serem tratados aqui", considera.

Ceticismo na comunidade médica portuguesa

Até o momento, João Pisco já tratou mais de 180 homens com hiperplasia benigna da próstata e entre vários estrangeiros que o procuraram contam-se um responsável do Conselho Econômico Europeu, um ministro dos Transportes de Angola e um jornalista de Hong Kong que vivia algaliado, revela.

Para dia 19 de janeiro, João Pisco espera a visita de mais sete médicos estrangeiros - ingleses, dinamarqueses, alemães e italianos - que vêm conhecer a técnica.

O radiologista adianta que durante este ano, ainda antes do verão, 30 centros americanos vão começar a aplicar a técnica e estudar 180 doentes. Com publicações em revistas estrangeiras da especialidade, João Pisco afirma que a técnica tem suscitado interesse particularmente nos Estados Unidos e Canadá.

Questionado sobre o pouco conhecimento que existe em Portugal sobre este procedimento, João Pisco reconhece que há um certo ceticismo entre a comunidade médica portuguesa.

A embolização é praticada pela equipe de João Pisco desde março de 2009, com uma taxa de sucesso que ronda os 85 a 90%.

O tratamento custa 4300 euros, mas o hospital já tem convenções com quase todas as companhias de seguros, que pagam entre 70 e 80% do total.

A hiperplasia benigna da próstata afeta cerca de 70% dos homens com mais de 65 anos, 80% entre os 70 e 80 anos, 90% com mais de 80 anos e a quase totalidade com mais de 90 anos.


Fonte: AEIOU Expresso

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Calendário Radiológico de Fevereiro e Março de 2012

Cursos:


Data: 11/02
Local: São Paulo-SP


Data: 02, 03 e 04/03
Local: Goiânia-GO

Carga Horária: 18h
Data: 14 a 16/03
Vagas: 20
Local: Rio de Janeiro-RJ
Pré-requisito: Técnico ou Tecnólogo em Radiologia

Obs: Curso Gratuito


Eventos:


Data: 08 a 11/02
Local: Roma-Itália 

Inscrições: até 10/02 
Vagas: 01 
Local: Maceió-AL
Data: 10 a 12/02
Local: Brasília-DF

XV Seminário Internacional de Radiologia e Imagens Diagnósticas
Data: 16 e 17/02
Local: Colômbia
Informações: 00xx57 (5) 373-6222



Data: 01 a 05/03
Local: Viena-Áustria

Data: 02 e 03/03
Local: São Paulo-SP

Data: 01 a 04/03
Local: São Paulo-SP



domingo, janeiro 29, 2012

O Parque de Diversões Nuclear

Montanha-russa, roda-gigante e mais 40 atrações divertidas - tudo dentro de uma usina nuclear abandonada 

A catástrofe de Fukushima assustou o mundo e levou vários países a reavaliar seus programas nucleares. A Alemanha foi o mais radical de todos e decidiu desativar todos os seus reatores até 2022. 

Mas, depois disso, o que fazer com os locais abandonados? Que tal transformá-los em áreas de lazer? 

Essa é a proposta do Wunderland ("país das maravilhas", em alemão) Kalkar, o primeiro parque de diversões construído dentro de uma usina nuclear. A usina, que fica na fronteira da Alemanha com a Holanda e foi concluída em 1985, sofreu pressões políticas porque havia sido projetada para usar plutônio (combustível considerado perigoso) e não chegou a entrar em operação. 

O projeto foi abandonado e 3,5 bilhões de euros jogados no lixo. Até que, em 2002, o empresário holandês Hennie van der Most teve a ideia de transformar o lugar em parque - que hoje recebe 600 mil visitantes por ano.

O complexo tem 40 brinquedos, que incluem tudo o que se espera de um parque de diversões: roda-gigante, montanha-russa e até um chapéu mexicano (espécie de carrossel com cadeirinhas que voam) instalado na chaminé do reator, que também abriga uma parede de escalada. A sala de controle pode ser visitada pelos turistas, e o restaurante é uma atração à parte - para chegar até ele, é preciso passar por bunkers antirradiação com paredes de 1 m de espessura "Ninguém tem medo, pois Kalkar nunca chegou a entrar em operação", explica o holandês Han Groot-Obbink, gerente do Wunderland Kalkar. "Não há risco de contaminação."

 


Fonte: Superinteressante

sábado, janeiro 28, 2012

Espanha pode manter operando usina nuclear em envelhecimento



O governo de centro-direita da Espanha poderá permitir que uma planta nuclear em processo de envelhecimento continue aberta depois do prazo de 2013 estabelecido pelos predecessores socialistas para o seu fechamento, informou um jornal espanhol no início do mês.

Grupos ambientalistas protestaram que a Espanha está fora do caminho assumido por países como Alemanha, que fechou sete plantas nucleares mais antigas depois do desastre de Fukushima no Japão no ano passado e planeja fechar o restante em uma década.

Em 2009, o então premiê Jose Luis Rodriguez Zapatero ordenou que a usina Garona fosse fechada em 2013, quando estaria em operação por dois anos além da vida útil de referência de 40 anos. A decisão de Zapatero ocorreu depois que o Conselho de Segurança Nuclear determinou que a planta poderia funcionar com segurança até 2019.

O jornal El Mundo informou que o ministro da indústria Jose Soria, que assumiu o cargo na semana passada depois que o seu Partido do Povo (PP) saiu vitorioso na eleição de 20 de novembro, disse que não é "um adepto de deixar de utilizar essa capacidade por cinco anos". Soria foi citado dizendo que nenhuma decisão foi tomada. Oficiais do Ministério da Indústria não estavam disponíveis para comentar.

A Garona, propriedade conjunta das duas maiores empresas elétricas espanholas, Iberdrola e Endesa, tem 460 megawatts (MW), ou cerca de 0,5% do total da capacidade da Espanha, e portanto o seu fechamento não causaria problemas de suprimento.

Usinas nucleares em operação são lucrativas, entretanto, e em sua campanha eleitoral fracassada, os Socialistas propuseram a introdução de uma taxa a estas.

Os eleitores espanhóis são em geral contra a energia nuclear - que fornece 21% da eletricidade do país - e não são planejadas novas plantas.

Além da Garona, outros sete reatores da Espanha são muito mais novos e espera-se que operem ao menos até os anos 2020. 


Fonte: Terra

terça-feira, janeiro 24, 2012

Experimento de docente do IFSC é destaque na revista Nature Photonics

Poucos sabem o que é uma "amplificação da luz por emissão estimulada de radiação". Paralelamente, a palavra laser já é comum em nosso vocabulário e é, justamente, uma sigla inglesa, que significa Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation, traduzida na primeira sentença deste parágrafo. 

De uma maneira mais compreensível, um laser é um dispositivo que produz uma radiação eletromagnética, com um comprimento de onda muito bem definido e que se propaga de forma paralela. Os mais comuns podem ser definidos como amplificadores de luz e conjuntos de espelhos, que trazem a luz ampliada de um lado para o outro, num processo contínuo de feedback. Se esse retorno for eficiente, um feixe de luz será formado espontaneamente.
 
Um estudo, iniciado em 2005 e retomado em 2009 - depois de dois anos parado -, envolvendo pesquisadores alemães, conseguiu produzir uma grande reflexão, utilizando-se de um gás de rubídio aprisionado, e periodicamente estruturado por uma onda estacionária de luz. O gás, ao mesmo tempo, serviu de amplificador óptico (que veio a ser chamado "Optical Parametric Amplifier"- OPA) e criou um novo tipo de laser, formado, fundamentalmente, por gás e luz, mas sem espelhos - uma novidade no mundo científico-acadêmico.

 
A pesquisa, uma colaboração entre o docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Philippe Wilhelm Courteille, e pesquisadores da Universität Tübingen (Alemanha), rendeu a publicação de um paper* na notória revista científica Nature Photonics. O objetivo inicial foi melhorar a reflexão de um gás rubídio, aprisionado em uma rede óptica, formando, dessa maneira, um cristal fotônico - explica Philippe.

Traduzindo para uma linguagem mais simples, em ondas "estacionadas", geradas durante o feedback - citado no 2º parágrafo dessa matéria -, é possível aprisionar átomos, colocá-los de maneira estruturada no feixe de luz e possibilitar o fenômeno de reflexão. Isso gera um meio para organizar a matéria e esse meio tem propriedades interessantes. A luz pode ser refletida como se fosse um espelho. Essa é a novidade - explica Courteille.

A partir da experiência acima, Philippe fala de projeções: o espelho, formado pela luz refletida, pode ser interessante para o desenvolvimento de lasers em regime de frequência ultravioleta que, diferente dos lasers comuns, não é composto por espelhos convencionais. No regime ultravioleta, é muito difícil de trabalhar com espelhos convencionais, mas, com a presença de redes ópticas, pode haver reflexão, fazendo surgir um laser – explica o cientista de São Carlos.

Cristais fotônicos e uma nova forma de transportar informações
 
As conhecidas redes ópticas – as mais modernas redes de telecomunicação, que possibilitam o funcionamento da internet -, têm muito em comum com cristais fotônicos. Mas, em comparação aos cristais, redes ópticas têm a vantagem de uma periodicidade intrinsecamente perfeita e podem ser manipuladas in vivo.

Os cristais fotônicos (nanoestruturas ópticas), geralmente, são feitos de materiais dielétricos sólidos (materiais isolantes, que não permitem a passagem de corrente elétrica). Estes materiais, por sua vez, são capazes de moldar o fluxo da luz de maneira determinada, e de localizar radiação, isto é, armazenar fótons.

Philippe faz uma importante ressalva: Precisamos entender melhor essa novidade e melhorar as propriedades, pois ainda não temos o entendimento completo sobre elas – refere o pesquisador.

Embora, no presente momento, sua pesquisa esteja com forte viés acadêmico, com a publicação do paper na Nature, muitos interessados começarão a se manifestar e, com isso, as chances de aplicação são aceleradas, especialmente no aspecto temporal. Com a publicação deste paper, várias pessoas, talvez, verão nisso um sistema muito interessante, e começarão a trabalhar nessa nova direção, conclui o docente.

*O paper, citado na matéria, foi publicado na revista Nature Photonics, edição de 18 de dezembro de 2011.

Fonte: Planeta Universitário

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Grupo belga quer cooperar com a UnB

Três representantes do Centro de Pesquisa Nuclear da Bélgica (SCK-CEN) estiveram na Universidade de Brasília, em dezembro passado, para conhecer as pesquisas correspondentes às atividades realizadas na área pelo país europeu. Este foi o primeiro contato do grupo com a UnB. Um possível acordo de cooperação será discutido entre as instituições a partir de agora. O SCK-CEN é o segundo maior centro do mundo em produção de isótopos radioativos, fundamentais para a medicina nuclear. Esses elementos são usados em tomografias e exames de raio-x por contraste. “Como é difícil de consegui-los na natureza, é preciso sintetizá-los”, explica o diretor do Instituto de Física da UnB, Geraldo Magela. No centro belga, há reatores que podem produzir os isótopos radioativos, além de outras máquinas importantes para estudos nucleares, como aceleradores de partículas. “Eles têm uma estrutura bem interessante do ponto de vista experimental”, afirma o professor.

O vice-diretor da Faculdade UnB Ceilândia, Araken Rodrigues, acredita que o acordo é o “embrião” para uma relação que pode qualificar recursos humanos e aumentar os quadros de pessoal. Com o aumento de mão-de-obra qualificada, a pesquisa em Medicina Nuclear e em Radiologia, áreas em que a Hospital Universitário de Brasília (HUB) atua no campo da energia nuclear, pode se intensificar. Além disso, o professor avalia como segmentada a pesquisa nesses dois pontos dentro da universidade. “As diferentes áreas que trabalham com o tema deveriam se unir e definir metas conjuntas”, diz.

Reator

O presidente do conselho de diretores do centro SCK-CEN, Frank Deconinck, afirmou que a partir do ano que vem já será possível começar o intercâmbio entre estudantes, exclusivamente da pós-graduação. “Nós sabemos que o Brasil trabalha nos mesmos campos que a gente”, afirmou. “O Brasil vai construir um novo reator e nós também, vocês precisam treinar novas pessoas, nós também, vocês querem desenvolver medicina nuclear e nós temos muita experiência nessa área”. Para o diretor, há muitos campos diferentes em que Brasil e Bélgica têm as mesmas estratégias.

“Esse centro é muito importante”, afirma a chefe de Assuntos Internacionais da UnB, Ana Flávia Granja e Barros. “Eles têm tido sucesso em áreas inovadoras e oferecem vagas para estudantes de master, doutorado e pós-doutorado em cooperação com seis universidades belgas”. As aulas são em inglês, oferecidas a estudantes do mundo todo. A partir de agora, a INT vai mapear os pesquisadores envolvidos no tema para assegurar o intercâmbio dos estudantes. 

Professores interessados podem entrar em contato pelo e-mail: inter@unb.br

Fonte: Planeta Universitário

quinta-feira, janeiro 05, 2012

O Brasil quer entrar na cadeia produtiva de terras-raras



Encontrar maneiras de se estabelecer a cadeia produtiva de terras-raras (TR) no Brasil foi o objetivo principal do 1º Seminário Brasileiro de Terras-Raras, promovido pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em dezembro passado, no Rio de Janeiro. "Nosso objetivo neste seminário vai além das terras-raras; é uma oportunidade de fazer com que o País tenha um futuro brilhante", afirma Osvaldo Antonio Serra, professor da Universidade de São Paulo (USP) e um dos organizadores do evento.

Francisco Eduardo de Vries Lapido-Loureiro, pesquisador emérito do Cetem, abriu sua palestra citando um pesquisador francês que afirmou que as terras-raras serão, para o século 21, o equivalente ao que o petróleo foi para século 20 e o que o carvão foi para século 19. "Uma nova revolução industrial", comparou.

Lapido-Loureiro apresentou uma série de dados, em que o Brasil aparece como produtor de 650 toneladas por ano, supostamente com reservas de 18.000t e reservas base de 89.000t, enquanto a China, principal provedor de TR, atualmente produz 120.000t, tem reservas de 27 milhões de toneladas (Mt) e reservas base de 89 Mt, ou seja, produz 97% do total mundial (124.000 toneladas). "A China se tornou a Arábia Saudita das terras-raras. Ou ainda mais, pois a Arábia Saudita tem concorrentes no mercado do petróleo e a China, não", acrescenta Iran Ferreira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Não é novidade que o Brasil queira voltar a ser um grande produtor de TR, conjunto de 17 elementos químicos utilizados para aplicação em alta tecnologia - presentes em minérios como a monazita, a bastnaesita e a xenotima (maiores fontes de TR). Muito antes da existência de ímãs que transformam energia elétrica em mecânica, smartphones, tablets, fibras óticas e trens-balas (produtos cuja elaboração depende das terras-raras), o País já explorava essa seara. Chegou a ser o principal produtor delas e começou sua exploração ainda no século 19.

Contudo, foi durante a segunda metade do século 20 que a produção foi intensificada, sendo realizada pela Orquima (1946 a 1962), pela Comissão Brasileira de Tecnologia Nuclear - CBTN (1962-1966), pela APM/CNEN (1966-1972), pela Nuclebrás (1972/1992), que criou em 1976 a subsidiária Nuclemon, até chegar finalmente ao comando da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), conforme detalhou Adriano Maciel Tavares, da INB, em seu histórico da produção de TR no País.

"Trabalhar com terras-raras sempre foi complicado, mas sempre houve pesquisa", destaca Tavares, lembrando fatos históricos como a geração de carbonato de neodímio pela Nuclemon em 1986, que permitiu que a Unicamp construísse o primeiro protótipo de laser. No entanto, Osvaldo Serra, em um balanço das palestras, alertou para a necessidade de criar-se um órgão que "vista a camisa" exclusivamente para as TR. "O grande problema é que a INB não tem como principal objetivo a produção de terras-raras. Apesar de seu esforço, não houve continuidade da Orquima e começamos a perder ou pelo menos estagnar nossa tecnologia", opina.
 
A grande diferença agora é que o Brasil não deseja apenas exportar esses elementos, mas também participar de toda a cadeia produtiva. "Se este seminário tivesse acontecido dez ou vinte anos atrás, talvez a preocupação fosse exportar os concentrados crus. Hoje, há a intenção de tentar viabilizar a cadeia produtiva não só das terras-raras, mas também de outros minérios. É um avanço", opina Fernando Lins, diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral do MME e relator do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) sobre minerais estratégicos, que envolveu o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o MME.

Lins apresentou algumas recomendações do GTI para as terras-raras, tais como a criação de uma coordenação para o desenvolvimento do segmento; um estudo prospectivo com a participação da academia, de institutos de pesquisa e do setor empresarial; outro levantamento geológico; um programa de PDI; e a integração em projetos de inovação e articulações público-privadas.

Catalão (GO), Araxá (MG), Pitinga (AM) e Poços de Caldas (MG) são depósitos de terras-raras, que apresentam mais de 30 ocorrências no País, como na Região de São João Del Rei (MG). Foi na Bahia, em Cumuruxatiba, onde começou a exploração das areias monazíticas, em 1886.

Estratégias do MCTI

Elzivir Guerra, coordenador de recursos minerais do MCTI, afirma que o ministro Aloizio Mercadante lançará, nos próximos dias, dentro do Conselho de Ciência e Tecnologia, a estratégia nacional de C,T&I e que ela levará em conta a produção das terras-raras. "Um dos desafios da estratégia é estabelecer e consolidar a liderança do Brasil na economia do conhecimento de recursos naturais. Dentro desse desafio, está a retomada e a implantação da cadeia produtiva de terras-raras, elencadas como prioridade". A estratégia será para os próximos quatro anos, com plano de ações que envolvem um plano de PDI para minerais estratégicos. Guerra anunciou também a possibilidade da criação de uma rede de centros de inovação para tecnologias de produção e uso de terras-raras.

"O que a China fez nos anos 90 nós teremos que fazer agora", resumiu Lucy Chemale, do CPRM - Serviço Geológico do Brasil. Ela revela que o órgão pretende organizar visitas aos principais depósitos de terras-raras do mundo e propor o intercâmbio a partir de equipes multidiscilplinares.

Christian Hocquard, representante do Bureau de Recherches Géologiques et Minières, o serviço geológico da França, relatou a produção e uso de terras-raras em seu país e chamou a atenção para o fato de que a mistura de produção (ou a não-padronização dela) ao redor do mundo contribuiu para um desequilíbrio entre a produção de terras-raras pesadas (insuficientes frente à demanda) e a de terras-raras leves (excedentes). E apresentou algumas razões limitadoras da produção em geral, como a dificuldade de separação e purificação dos elementos, a radioatividade dos resíduos e os diferentes preços de comercialização dos 17 elementos. Entre as soluções a curto e médio prazos, ele sugere a estocagem estratégica e os chamados "3 R" (reduzir, reutilizar e reciclar).

Como resultado prático do encontro, os organizadores pretendem criar um documento com síntese das conclusões e recomendações do seminário, que servirá de referência para a futura política de governo do setor mineral brasileiro e será encaminhado ao MME.


Fonte: Vermelho Portal

quarta-feira, janeiro 04, 2012

O Caos de Fukushima

O ex-diretor da usina está com câncer, o arroz e o leite em pó infantil estão com sinais de radiação, a cerveja japonesa foi barrada, macacos vão medir a radiação nas mediações da usina... enfim... fatos e contos de Fukushima.

Câncer

O ex-diretor da usina nuclear de Fukushima, que deixou o trabalho na início de dezembro, está com câncer de esôfago, informou a empresa Tepco, da qual é funcionário. 

Mas segundo a porta-voz da Tepco, Ali Tanaka, durante visita à usina, "o próprio Yoshida revelou que tem câncer de esôfago", enquanto conversava com os funcionários.

A Tepco acredita que é "extremamente improvável que a doença tenha sido causada por exposição a radiação", afirmou, para provocar câncer no esôfago, seria necessário uma exposição à radioatividade durante pelo menos cinco anos e 10 anos para desenvolver a doença. 

A exposição cumulativa de radiação de Yoshida foi de 70 mSv desde 11 de março, segundo a Tepco, um nível abaixo do limite recomendado para socorristas.

Alimentos

A empresa Meiji, do Japão, vai providenciar a troca de 400 mil latas de leite em pó infantil vendidas no país. Há suspeitas de que o produto tenha sido contaminado com césio radioativo. Amostras do leite foram analisadas por especialistas, que identificaram a contaminação nove meses após o vazamento de radioatividade na Usina.

Porém, de acordo com a empresa, a radiação identificada no produto está em níveis bem abaixo dos limites de segurança estabelecidos pelo governo japonês. A Meiji informou que o césio pode ter contaminado o leite durante o processo de desidratação.

O governo japonês esvaziou nove cidades próximas da central nuclear, determinou a suspensão da produção e do consumo de alimentos produzidos na região, como carnes, legumes, frutas e verduras.

As autoridades da província japonesa também detectaram elevados níveis de césio radioativo nas plantações de arroz de cinco fazendas da região.

As últimas amostras contaminadas procedem de Oonami e chegaram a revelar um nível de até 1.270 Bq de césio radioativo por kg, muito acima do limite máximo de 500 Bq/kg estabelecido pelo governo japonês.

Em meio à preocupação com a contaminação, as autoridades de Fukushima vêm realizando nos últimos dias análises sobre o arroz das 154 fazendas agrícolas que se encontram nessa região.

Em julho passado, o governo japonês vetou o comércio de carne bovina de Fukushima e outras duas províncias ao se detectar níveis excessivos de césio radioativo em algumas amostras. Mas, no final de agosto, suspendeu a interdição por considerar que tinham sido tomadas medidas adequadas para proteger o gado da contaminação.







Cerveja
Dois contêineres com 5 mil unidades da cerveja japonesa Asahi Super Dry estão parados no Porto de Santos – um deles, há mais de um mês. Eles aguardam prova de que os alimentos transportados não sofreram contaminação radioativa. 

A empresa Yamato Comercial, responsável pela comercialização, acreditou que a mercadoria deveria ser liberada em cerca de uma semana, mas até agora nada foi pronunciado a respeito.

A Asahi é fabricada em Kanagawa, região que não é considerada de risco. Mesmo assim, precisa ser analisada quando chega ao Brasil, por segurança. Além disso, todo alimento que sai do Japão leva uma licença emitida pelo país, atestando que não há contaminação – e, no caso da Asahi, esse laudo demorou a chegar ao Brasil. 

“As cervejas chegaram antes dos documentos”, lamenta Waldery Braga, coordenador de importação da Yamato.

Macacos detectores

Os físicos não sabem precisar, atualmente, os níveis de radiação na região. Por essa razão, os pesquisadores devem implantar colares medidores em macacos que habitam as florestas da área.

O colar que será colocado em cada macaco, no início de fevereiro, vai contar com três equipamentos. O primeiro é um dosímetro, o aparelho mais usado para detectar radiação. Haverá também um altímetro, para que os cientistas saibam a distância do solo em que cada animal se encontra. E por fim um GPS, para dar a localização dos macacos.

Não mais do que três macacos serão monitorados com o colar. Cada um vai usar este “adereço” por cerca de um mês, e o controle por parte dos pesquisadores será feito através de controle remoto. O objetivo do teste é simples: verificar a quantas anda o nível dos impactos do acidente ocorrido há nove meses.

Um ambiente natural como uma floresta, conforme explicam os cientistas, é um prato cheio para medições desse tipo, porque a radiação tem fortes influências no ecossistema. Esta tentativa, aliás, não é a primeira: os cientistas chegaram a implantar colares nos macacos em outubro, mas os equipamentos deram defeito e tiveram que ser removidos.

O Brasileiro x A Energia Nuclear

A rejeição da opinião pública global ao uso de energia atômica aumentou após o acidente com a usina nuclear de Fukushima, segundo indica pesquisa encomendada pela BBC. Na média geral entre os 12 países que já têm usinas nucleares ativas - Brasil incluído -, 69% dos entrevistados rejeitam a construção de novas usinas, enquanto 22% defendem novas estações. No Brasil, 79% dos entrevistados dizem se opor à construção de novas usinas.

Esses 79% incluem pessoas que acham que o Brasil deve usar as usinas nucleares que já tem, mas não construir estações novas (44%), e pessoas que acham que, como a energia atômica é perigosa, todas as usinas nucleares operantes devem ser fechadas o mais rápido possível.

Apenas 16% dos entrevistados brasileiros acham que a energia nuclear é relativamente segura e uma importante fonte de eletricidade e que, portanto, novas usinas devem ser construídas.

Em comparação com resultados de 2005, o levantamento "sugere que houve um elevado aumento na oposição à energia nuclear" em parte dos países, enquanto cresce a defesa da economia de energia e o uso de fontes renováveis em vez da energia nuclear.

Rejeição e apoio
 

As maiores rejeições à ampliação do uso da energia atômica são observadas na França, no Japão, no Brasil, na Alemanha, no México e na Rússia. Em contrapartida, em países como China, Estados Unidos e Grã-Bretanha, ainda é representativa a quantidade de pessoas que consideram a energia nuclear segura - 42%, 39% e 37%, respectivamente.

"A falta de impacto que o desastre nuclear de Fukushima teve na opinião pública nos EUA e na Grã-Bretanha é digna de nota e contrasta com a crescente oposição às usinas nucleares novas na maioria dos países que acompanhamos desde 2005", declarou o presidente da empresa de pesquisas GlobeScan, Doug Miller.

"O maior impacto foi observado na Alemanha, onde a nova política do governo (de Angela) Merkel, de fechar todas as estações de energia nuclear, é apoiada por 52% dos entrevistados", disse.

A visão alemã reflete a opinião pública do resto da Europa, continente em que "a maioria dos países pesquisados tem uma visão negativa com relação ao uso de energia atômica para gerar eletricidade".



Fonte: Hype Science, Pernambuco.com, Terra e IG (com adaptações).

terça-feira, dezembro 27, 2011

Sonda russa desgovernada vai cair na Terra em janeiro



A sonda russa Phobos-Grunt, presa na órbita de Terra desde quando a falha após lançamento no início de novembro impediu que seguisse viagem para estudar uma das luas de Marte, deve reentrar na atmosfera terrestre em janeiro, informou a Roscosmos, agência espacial da Rússia. 

Segundo a instituição, de 20 a 30 fragmentos da nave, com um peso total de 200 quilos, devem sobreviver à queda e atingir a superfície, mas o combustível tóxico e os cerca de 10 quilos de material radioativo a bordo não apresentariam riscos de contaminação.

De acordo com a Roscosmos, a Phobos-Grunt vai cair entre os dias 6 e 19 de janeiro em qualquer ponto de uma grande faixa que vai de 51,4 graus de latitude Norte e 51,4 graus de latitude Sul da Terra, o que inclui a maior parte dos continentes do planeta. 

Embora tenha perdido contato com a sonda desde a falha depois do lançamento, esta é a primeira vez que a agência admite a perda da nave de mais de US$ 170 milhões.

Com uma massa total de mais de 13 toneladas, a maior parte combustível que seria gasto na viagem para Marte, a Phobos-Grunt tornou-se agora apenas mais um grande pedaço de lixo espacial na órbita da Terra. E a maior preocupação dos especialistas é justamente com este combustível, que pode ter congelado e também sobreviver em parte à reentrada na atmosfera, contaminando a área onde cair.


Fonte: Pernambuco.com

domingo, dezembro 25, 2011

Primeiro-ministro da França visita base de submarinos nucleares no Rio

O primeiro-ministro da França, François Fillon, visitou neste mês as obras da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (Ufem) e do Estaleiro e Base Naval (EBN), em Itaguaí (RJ). O local será berço da construção de um submarino com propulsão nuclear resultado da parceria entre Brasil e a França na área de defesa nacional.


A parceria faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), cujo objetivo é capacitar o Brasil a produzir e operar equipamentos convencionais e movidos a propulsão nuclear. A tecnologia militar será usada para fortalecer a defesa e o controle das águas brasileiras.


Até 2020, a Marinha brasileira espera ter concluído a construção do primeiro submarino nuclear da América do Sul. Está prevista na parceria a cooperação de longo prazo, com transferência de tecnologia, que inclui a construção de quatro submarinos com propulsão convencional (S-BR) e a assistência da França ao desenvolvimento da parte não nuclear do projeto de submarino com propulsão nuclear. Além disso, deve ser construída também uma base de submarinos e os estaleiros atuais serão modernizados.



Fonte: Gestão C&T

terça-feira, dezembro 06, 2011

Brancas, de maior renda e escolaridade têm mais acesso à mamografia no Brasil

Mulheres brancas, de maior renda e escolaridade são as que mais fazem mamografia no Brasil. 

Essa é uma das principais conclusões de um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, ligada à Fundação Oswaldo Cruz, a partir da análise dos dados de nove regiões metropolitanas da edição 2008 da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), do IBGE.

Embora seja possível afirmar que as desigualdades sociais, em especial a renda, aumentam ou diminuem as chances de uma mulher fazer o exame, que é a principal maneira de diagnosticar o câncer de mama com precocidade, elevando assim as chances de cura, há ressalvas. “Apesar dos indícios de associação do quadro com as diferenças socioeconômicas das regiões metropolitanas, pode ser que tal ligação exista também na oferta e na gestão dos serviços de saúde em cada uma delas”, destaca a pesquisadora Rejane Sobrino Pinheiro, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das autoras do trabalho.

Segundo Rejane, não é de hoje que se sabe que a escolaridade e a renda são determinantes para o acesso a qualquer serviço no Brasil e no mundo. Em relação à cor/raça, há menor número de estudos e não há consenso. Mas o estudo dela e suas colegas é pioneiro ao constatar como os indicadores sociais tradicionais se comportam em diferentes locais dentro do Brasil, como se fossem vários "Brasis". “Em algumas regiões metropolitanas, a prevalência de mamografia é muito desigual em função da renda familiar per capita. Em outras, é maior segundo a escolaridade. Ou seja, os indicadores não sugerem exatamente a mesma coisa. Em cada região metropolitana as barreiras à mamografia podem ser diferentes”, afirma.

Para Rejane, o Brasil não padece da oferta de mamógrafos. Embora o Sistema Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) tenha divulgado recentemente que na região Norte existam apenas 86 mamógrafos, dos quais 44 em instituições públicas; no Nordeste, 98 públicos para 351 existentes na região; 284 públicos dentro dos 687 da região Sudeste; 38 para os 286 do Sul e 52 para os 125 no Centro-Oeste, os números indicam cerca de 48 aparelhos por milhão de mulheres – valor semelhante ao de países desenvolvidos, como Nova Zelândia (46), Japão (49) e Alemanha (51).

Mesmo em países de grande extensão, como Canadá (40) e Austrália (63), os valores não estão tão distantes. As diferenças, segundo ela, não parecem dever-se à falta de mamógrafos. Afinal, conforme aponta, a oferta praticamente duplicou desde a implantação da política de controle do câncer de mama em 2004. Mas sim a problemas de distribuição e acesso.

“A distribuição dos equipamentos não pode ser tão dispersa, dada a densidade populacional desigual, o tamanho do território brasileiro e os desafios operacionais", diz. "As etapas de instalação, operação, manutenção e interpretação do exame necessitam de especialistas, como físicos, técnicos qualificados, engenheiros, médicos especialistas, que também não estão distribuídos igualmente pelo país”, destaca.

Para ela, mais do que instalar novos equipamentos em lugares remotos, é necessário garantir condições para o deslocamento das mulheres, dos mamógrafos, ou de ambos, e ainda incentivar a leitura e interpretação dos exames de modo centralizado, com uso das opções abertas pela telemedicina. “Não seria inventar a roda, uma vez que isso já acontece em outros países, como Austrália, Estados Unidos, Reino Unido. E mesmo no Brasil há notícias de experiências desse tipo”, observa Rejane.

Conforme explica, os aspectos ligados ao deslocamento são importantes quando o país inteiro é considerado. Mas, nas regiões metropolitanas, essa questão não é tão relevante. Outros componentes do acesso seriam barreiras mais importantes, como filas, encaminhamentos e preços. Nem todos os exames são realizados no âmbito do SUS e há que se investigar o número de exames por mamógrafo, tanto dos financiados pelo SUS, quanto dos privados. A operação dos equipamentos pode estar aquém da sua capacidade instalada.

Vale destacar ainda outros aspectos da oferta, como a substituição dos equipamentos obsoletos ou fora de operação, a eficiência do serviço e a dificuldade de acesso da mulher ao exame, causada tanto por barreiras à porta de entrada no serviço de saúde -- não conseguir atendimento médico --, quanto à continuidade do atendimento, ou se o profissional não indica o exame.

Mas há avanços. A política nacional e ações governamentais entre 2003 e 2008 vem produzindo resultados positivos,como a ampliação do acesso à mamografia e redução das desigualdades sociais, demonstradas em estudo anterior, também com dados da PNAD.

"Para avançar nessas questões, iniciamos uma nova etapa de investigação, abordando a produção e a produtividade dos mamógrafos, segundo fonte de financiamento, público e privado, sua distribuição espacial e a cobertura da população-alvo à luz das recomendações da política do Ministério da Saúde, que segue os critérios internacionais, e dos parâmetros alternativos sugeridos pela Sociedade Brasileira de Mastologia, para identificar indícios de demanda reprimida ou de uso excessivo do exame", explica a pesquisadora.

A democratização da mamografia é encorajadora quando se consideram coberturas derastreamento mamográfico, hoje acima de 70%, o que confere redução da mortalidade de 20% a 30% de mulheres de 50 anos ou mais nos países desenvolvidos. No entanto, é fundamental estruturar a rede de cuidados de saúde que permita a ampliação da oferta de mamografias com qualidade, dos procedimentos de diagnóstico e de tratamento para todas as mulheres que necessitam de acompanhamento. "Dessa forma poderemos acreditar que estamos, de fato, caminhando para a diminuição real das desigualdades em saúde no país.”



Fonte: Portogente

quinta-feira, novembro 17, 2011

Sites importantes e interessantes

Por Mariana Duarte