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segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Tratamento inédito à próstata desperta interesse mundial

Médicos estrangeiros deslocam-se a Portugal para aprenderem uma técnica de tratamento da hiperplasia benigna da próstata pouco invasiva.


Portugal tem o único centro mundial que efetua uma técnica de tratamento da hiperplasia benigna da próstata pouco invasiva, quase sem efeitos secundários e que está a suscitar interesse internacional e a atrair doentes e médicos de todo o mundo.

A hiperplasia benigna é a doença mais frequente da próstata, muito comum nos homens a partir da meia-idade e que consiste num aumento do volume daquela glândula, obstruindo as vias urinárias e tornando difícil o ato de urinar.

Segundo João Pisco, chefe da equipe de radiologia de intervenção do Hospital de Saint Louis, as terapêuticas mais frequentes são os medicamentos, nem sempre eficazes e com consequências como a disfunção erétil, ou a cirurgia, muitas vezes com "complicações muito graves".

Doente sai no mesmo dia do hospital

A técnica consiste na embolização das artérias da próstata, ou seja, sob anestesia local, introduz-se através de um orifício na virilha um cateter que é dirigido para as artérias prostáticas, monitorizado por um aparelho de raios X digital, e através desses cateteres são introduzidas pequenas partículas de plástico que vão entupir e cortar parte da circulação da próstata.

"Isso conduz a uma redução das dimensões da próstata, com eliminação ou melhoria dos sintomas na maioria dos doentes", explica o radiologista.

João Pisco destaca as vantagens em relação a outros métodos: não há perda de sangue, não são necessárias transfusões, o doente leva anestesia local, fica em regime de ambulatório, vai para casa no mesmo dia, deixa de tomar os medicamentos e passa a ter uma vida normal sem qualquer terapêutica.

Além disso, é um método "praticamente sem riscos". Quando ocorrem não são mais do que uma infeção urinária, sangue na urina ou um pequeno hematoma na barriga ou na coxa.

"Estes doentes vão para o quarto, dentro de duas horas podem ir à casa de banho, quatro a seis horas depois já podem ir para casa", explica, acrescentando que o primeiro dia é de repouso completo, o seguinte é já de vida normal e que só não podem conduzir durante dois dias.

Intervenção sem dor

Numa cirurgia acompanhada pela Lusa, o doente queixou-se da dificuldade em urinar e do tratamento com medicamentos, alegando que estes "condicionam determinados aspectos" da sua vida. Mostrou-se esperançado nesta técnica, que disse conhecer por "ouvir falar" que é a alternativa à cirurgia.

No final da intervenção, que durou cerca de meia hora, afirmou não ter tido qualquer dor, apenas um ligeiro ardor.

Na ocasião encontravam-se no hospital cinco médicos italianos e um argentino, que se deslocaram a Portugal propositadamente para assistirem às intervenções e aprenderem a técnica.

Um urologista italiano disse à Lusa estar "impressionado" com o método por ser minimamente invasivo e "uma alternativa aos outros tratamentos, cujos resultados não são muito eficazes".

"Sou chefe do departamento de Urologia de um hospital e um dos meus colegas disse-me que havia esta nova técnica em Portugal, por isso viemos ver o procedimento e os resultados e penso que em pouco tempo poderemos começar a aplicá-lo na Itália", afirma.

Para o radiologista argentino, também presente na ocasião, este método "é revolucionário" tanto na área ginecológica, com a embolização dos miomas uterinos, como na próstata. "É um luxo para Portugal que venha gente de todo o mundo, médicos para aprender e pacientes para serem tratados aqui", considera.

Ceticismo na comunidade médica portuguesa

Até o momento, João Pisco já tratou mais de 180 homens com hiperplasia benigna da próstata e entre vários estrangeiros que o procuraram contam-se um responsável do Conselho Econômico Europeu, um ministro dos Transportes de Angola e um jornalista de Hong Kong que vivia algaliado, revela.

Para dia 19 de janeiro, João Pisco espera a visita de mais sete médicos estrangeiros - ingleses, dinamarqueses, alemães e italianos - que vêm conhecer a técnica.

O radiologista adianta que durante este ano, ainda antes do verão, 30 centros americanos vão começar a aplicar a técnica e estudar 180 doentes. Com publicações em revistas estrangeiras da especialidade, João Pisco afirma que a técnica tem suscitado interesse particularmente nos Estados Unidos e Canadá.

Questionado sobre o pouco conhecimento que existe em Portugal sobre este procedimento, João Pisco reconhece que há um certo ceticismo entre a comunidade médica portuguesa.

A embolização é praticada pela equipe de João Pisco desde março de 2009, com uma taxa de sucesso que ronda os 85 a 90%.

O tratamento custa 4300 euros, mas o hospital já tem convenções com quase todas as companhias de seguros, que pagam entre 70 e 80% do total.

A hiperplasia benigna da próstata afeta cerca de 70% dos homens com mais de 65 anos, 80% entre os 70 e 80 anos, 90% com mais de 80 anos e a quase totalidade com mais de 90 anos.


Fonte: AEIOU Expresso

segunda-feira, novembro 14, 2011

Tecnologia disseca múmias sem bisturi

Sem recorrer a ferramentas intrusivas, cientistas usaram raios-x e exames de tomografia computadorizada para revelar novas informações sobre uma múmia egípcia de 2 mil anos.




"É possível obter uma grande quantidade de informações com o uso de imagens médicas, sem danificar artefatos de valor incalculável, diferentemente dos estudos da década de 1960, quando se abriam as múmias", disse Sarah U. Wisseman, especialista em múmias da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, que lidera a pesquisa juntamente com um patologista, um radiologista e um antropólogo físico.

A múmia era de uma criança que viveu no período greco-romano da história egípcia, entre 332 a.C. e 395 d.C. Wisseman e seus colegas escanearam a múmia em 1990 _ descrevendo-a em seu livro "The Virtual Mummy" (Illinois, 2003) _ e novamente este ano, já que a tecnologia se aperfeiçoou nos últimos anos.

O crânio da criança estava rachado. Embora já se soubesse disso pelos exames antigos, novas imagens revelam que a rachadura é muito pior do que se pensava. "Há uma pedaço extra de osso empurrado para dentro da cavidade craniana", afirmou Wisseman. "Ainda não sabemos o que ocorreu antes ou depois da morte".

As novas imagens também mostram que provavelmente havia uma mecha de cabelo de um lado da cabeça _ algo visto em retratos romanos daquela época. A mecha era um sinal de status, indicando que a criança era de uma família abastada. Sustentando essa hipótese, os tecidos que envolvem a múmia contêm elementos dourados e pigmento vermelho importado da Espanha.

O sexo da criança ainda é um mistério. A pélvis está danificada e as mãos cobrem a região genital.

Wisseman apresentou as descobertas nesta semana num simpósio sobre múmias na universidade.


Fonte: INFO exame

terça-feira, outubro 11, 2011

Outubro Rosa 2011

 Técnicos de saúde esperam incentivar a realização do exame de mamografia

Em Alagoas, outubro não é só o mês das crianças. É mês de prevenção contra o câncer de mama. Para sensibilizar as mulheres sobre exames que detectam a doença ainda no estágio inicial, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) lançou a campanha Outubro Rosa. E ‘iluminou’ prédios da capital alagoana de rosa. O prédio do Tribunal de Contas, na Avenida Fernandes Lima, foi um dos pontos escolhidos.

Com esta iniciativa, técnicos do Programa de Saúde da Mulher esperam incentivar a realização do exame de mamografia. Isso porque, além do autoexame, ele é imprescindível para detectar o câncer de mama, que em Alagoas mata um terço das pessoas acometidas pela doença, segundo o Núcleo de Combate ao Câncer (NCC).

De acordo com a técnica do Programa de Saúde da Mulher da Sesau, Rita Webster, o câncer de mama é um dos que mais registra casos no Estado e, de acordo com o DataSUS, 120 pessoas morreram vítimas da doença em 2009 morreram, sendo 118 mulheres e dois homens.

“O objetivo da mobilização é conscientizar as pessoas sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de cura”, ressaltou a técnica da Sesau, Rita Webster, acrescentando que a mamografia é o único exame capaz de rastrear e diagnosticar o câncer de mama.

Recomendado
Ainda de acordo com Rita Webster, a mamografia é recomendada para mulheres que estão dos 50 a 69 anos, onde existe o maior índice de câncer mamário. Em relação aos homens, não há uma idade com maior probabilidade de desenvolver a doença, por isso, todos devem ficar em alerta e realizar o autoexame.

Para realizar o exame, as mulheres devem solicitá-lo na Atenção Básica, já que existe um programa do Sistema Único de Saúde (SUS) especificamente com esta finalidade. E para monitorar a incidência da doença em todo o Brasil, o Ministério da Saúde (MS) criou Sistema de Informação do Controle do Câncer de Mama (SISMAMA), que permite o rastreamento e avaliação rápida dos dados de câncer de mama.

História do evento

Outubro é o mês mundial de combate ao câncer de mama e foi instituído em 1990 em Nova York, pela ONG americana Suzan G. Komen For The Cure. Na oportunidade foram distribuídas fitas rosa como forma de conscientizar sobre combate ao Câncer de mama. Outra forma adotada para sensibilizar a sociedade, foi a iluminação de prédios públicos, empresas, pontes e teatros.

No Brasil a primeira iniciativa foi em 2002, quando iluminaram de rosa o monumento Mausoléu do soldado Constitucionalista (obelisco do Ibirapuera), em São Paulo. Desde lá vários estados vem iluminando seus monumentos, prédios, teatros e igreja, de cor de rosa, e realizando atividades voltadas a conscientizar contra o câncer de mama.

Veja nas fotos a seguir:
Outubro Rosa pelo Brasil







Outubro Rosa pelo mundo

Costa Rica

Coréia do Sul

México

Espanha

EUA

Egito

Espanha

Espanha

Fonte: Gazeta web e Mamografia Express




segunda-feira, julho 04, 2011

Fenômenos da Luz

Refração

De um modo simplificado, é a passagem da luz por meios com diferentes índices de refração. A refração modifica a velocidade da luz, mesmo que a direção permaneça a mesma (caso a luz incida perpendicularmente à superfície).
 
Em dias quentes, geralmente em estradas asfaltadas, é muito comum o caminho parecer estar molhado. Isso acontece porque o ar que está próximo ao solo se esquenta, se expandindo. Isso provoca uma queda em sua densidade, diminuindo seu índice de refração em relação ao ar que está mais longe do solo. Quando a luz incide nessa massa de ar menos densa, com um ângulo acima do limite, acontece a reflexão total, que dá a sensação de que a estrada está molhada.


Observamos que, quando um raio de luz incidente for oblíquo, a refração é acompanhada de desvio de direção, o que não acontece se a incidência do raio for perpendicular.
 
Deflexão
 
Deflexão do meio ou refração da luz são fenômenos de origens diferentes com resultados iguais que tanto podem ser explicados como demonstrados, quando um raio de luz atravessa dois meios diferentes ou quando mergulhamos um lápis n’água. Astronomicamente a ocorrência da deflexão da luz associada a gravitação pode ser assistida no mesmo teatro de transformações observáveis, dirigidos a refração que igualmente acontece a todos corpos celestes rentes à linha do horizonte que na verdade estão abaixo da linha do horizonte. Nesse sentido, alguns cientistas acreditam que um campo gravítico muito forte foi a causa da pequena diferença encontrada entre a posição estimada e a verdadeira de uma estrela que durante um eclipse do sol ao cruzar dois horizontes, lua, sol e três meios teve a atmosfera de seus feixes de luz arqueados em direção ao limbo do sol e da lua.

 


Segundo os cálculos do físico Albert Einstein nessa previsão, o ângulo da deflexão da luz seria de 1,7 segundos de arco e só seria mensurável com a ajuda do telescópio. Isso foi encontrado nas duas únicas observações desse tipo, no eclipse de 1919 acontecido em Sobral, Ceará; e na Ilha de Príncipe, África depois disso outras tentativas foram feitas com melhores equipamentos e acompanhamento aéreo sem nenhum sucesso.

 


Reflexão
 
Em física, o fenômeno da reflexão consiste na mudança da direção de propagação da energia (desde que o ângulo de incidência não seja 0º). Consiste no retorno da energia incidente em direção à região de onde ela é oriunda, após entrar em contato com uma superfície refletora.
A energia pode tanto estar manifestada na forma de ondas como transmitida através de partículas. Por isso, a reflexão é um fenômeno que pode se dar por um caráter eletromagnético ou mecânico. A reflexão difere da refração porque nesta segunda, ocorre alteração nas características do meio por onde passa a onda. 

A reflexão luminosa é a base da construção e utilização dos espelhos. Os espelhos, tanto planos, como os esféricos, tem larguíssima utilização e são a base dos telescópios refletores, que sofrem de menos restrições do que os telescópios refratores.





Polarização
 
Em física, polarização é uma propriedade de ondas eletromagnéticas. Ao contrário de ondas mais familiares como as ondas aquáticas ou sonoras, as ondas eletromagnéticas são tridimensionais e a polarização é uma medida da variação do vetor do campo elétrico dessas ondas com o decorrer do tempo.

Toda luz que reflete-se em uma superfície plana é ao menos parcialmente polarizada. Você pode pegar o filtro polarizador e segurá-lo em um ângulo de 90º graus em relação à reflexão, e essa será reduzida ou eliminada. Filtros polarizadores removem luz polarizada a 90º graus do filtro. É por isso que você pode pegar dois polarizadores e posicioná-los um a um ângulo de 90º graus do outro e nenhuma luz atravessará.

A luz pode ser espessa ou até institucionada com a tela polarizada e pode ser observada ao seu redor se você sabe o que ela é e o que procurar (as lentes de óculos de sol Polaroid funcionarão para demonstrar). Enquanto estiver olhando através do filtro, gire-o, e se houver presença de luz polarizada linear ou elíptica o grau de iluminação mudará. 


Polarização por espalhamento é observada quando a luz passa através da atmosfera. A luz dispersa freqüentemente produz brilho nos céus. Fotógrafos sabem que esta polarização parcial da luz dispersa produz um céu 'washed-out'. Um fenômeno fácil para primeira observação é olhar, ao pôr-do-sol, para o horizonte a um ângulo de 90º graus do pôr-do-sol. Outro efeito facilmente observado é a drástica redução de brilho de imagens do céu e nuvens refletidas em superfícies horizontais, que é a razão pela qual freqüentemente se usa lentes polaróide em óculos de sol. Também freqüentemente visível através de óculos-de-sol polarizantes são padrões em forma de arco-íris gerados por efeitos bi-refringentes dependentes da cor, como por exemplo em vidros enrijecidos (vidros de carros) ou objetos compostos por plástico transparente. 

Pincel de Haidinger
A função da polarização em monitores de cristal líquido (LCDs) é constantemente observada através de óculos de sol, o que causa uma redução no contraste ou até mesmo torna o conteúdo mostrado ilegível através dos mesmos.

De fato, o olho humano é pouco sensível à polarização, sem a necessidade da utilização de filtros.

Resumindo, a Luz Polarizada é, diferentemente da luz normal, uma radiação eletromagnética que se propaga, ao atravessar um meio em apenas um plano, sendo assim a luz polarizada não atende todas as direções. A luz comum se propaga em todos os planos possíveis. A Luz Polarizada é obtida através de aparelhos específicos (polarizador), ou fazendo luz comum atravessar um Prisma de Nicol.
 
Prisma de Nicol



Uma propriedade da luz polarizada é a de ser desviada para a direita ou para a esquerda ao se propagar através de certos compostos químicos por razão de Isomeria óptica das substâncias. Sua utilidade é comprovar e classificar (dextrogiro ou levogiro) a existência de isomeria óptica nos compostos.

 


Difração
 
É um fenômeno que ocorre com as ondas quando elas passam por um orifício ou contornam um objeto cuja dimensão é da mesma ordem de grandeza (ou seja, os seus valores são aproximados, tais como o 8 e o 10) que o seu comprimento de onda.

Como este desvio na trajetória da onda, causado pela difração, depende diretamente do comprimento de onda, este fenômeno é usado para dividir, em seus componentes, ondas vindas de fontes que produzem vários comprimentos de onda.

Para a luz visível, usa-se uma rede de difração, formada por uma superfície refletiva ou transparente em que se marcam vários sulcos, bem próximos uns dos outros (décimos ou centésimos de milímetro, pois o comprimento de onda da luz é da ordem de 5.10−7m - o metro dividido em 10 milhões de partes). Exemplos destas redes e suas propriedades: quando se olha um tecido de trama fina contra uma lâmpada distante, quando olhamos o reflexo num CD ou quando olhamos a Lua através de uma nuvem, vemos faixas ou halos coloridos, devido à difração da luz por pequenos obstáculos (a trama, os sulcos do CD ou as gotículas de água na nuvem).

A difração acontece facilmente nas ondas sonoras, pois são ondas com comprimento de onda grande (variam de 2 cm a 20m). Conseguimos ouvir alguém falar mesmo que não possamos ver a pessoa, pois as ondas sonoras contornam as superfícies.




Fonte: Wikipédia, Algosobre Vestibular (com adaptações).

terça-feira, junho 29, 2010

Novo reator para a Medicina Nuclear


O Brasil pode alcançar a autossuficiência na produção de radioisótopos, principalmente de radiofármacos, a partir da construção do reator multipropósito (RMB). O projeto vem sendo desenvolvido há mais de um ano pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). 

A ideia é iniciar a construção do reator em 2011, para a entrada em funcionamento no prazo de seis anos, disse à Agência Brasil o presidente da Cnen, Odair Gonçalves. Segundo ele, a crise mundial deflagrada com a parada dos reatores canadense e holandês, no ano passado, retirou do mercado 60% da produção de radiofármacos, o que causou prejuízos na área da saúde.

“Foi uma crise que afetou bastante o Brasil, porque o Canadá respondia por 40% do mercado mundial e a Holanda por 30%. Os dois países saíram do mercado e mantiveram cerca de 10%. Ou seja, nós tivemos retirados do mercado 60% da produção”. O Brasil sofreu menos que outros países devido à parceria com a Argentina, que passou a fornecer um terço da necessidade brasileira. Atualmente, o Brasil tem mais um terço sendo fornecido pela África do Sul, disse Gonçalves.

Para o presidente da Cnen, apesar do país ter todo o mercado atendido, essa não é uma situação estável. “A situação, realmente, só vai se tornar estável quando a gente conseguir construir o nosso reator”.
O reator multipropósito brasileiro vai funcionar no novo instituto da Cnen, que será construído no município de Iperó (SP), em área vizinha ao Centro Experimental Aramar, responsável pelo desenvolvimento de pesquisas nucleares da Marinha.

Os dois objetivos principais do RMB são a produção de radiofármacos e testes de materiais. “Fora isso, ele vai produzir outros radioisótopos que poderão ser usados na agricultura. E vai também ter um feixe de neutrons para pesquisas básicas”, disse.
O Brasil tem quatro reatores de pesquisa. Gonçalves destacou, entretanto, que “nenhum deles é adequado para a produção de molibdênio, o radiofármaco usado pelo setor médico, porque os feixes de neutrons são muito baixos. São fracos os feixes”.

O projeto tem custo final estimado de R$ 850 milhões, ou o equivalente a US$ 500 milhões. Este ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia liberou para o projeto verba de R$ 5 milhões dentro do orçamento próprio e do fundos de suporte à pesquisa. Além disso, o ministério destinou uma dotação específica de R$ 50 milhões para o projeto básico.

O presidente da Cnen afirmou que existe a possibilidade de uma parceria com a Argentina para viabilizar o projeto. “De qualquer maneira, a construção propriamente do reator tem que ser encomendada fora [do país]. Porque nós não temos experiência nessa área”. Para Gonçalves, essa participação no exterior poderá se realizar por meio de contrato de cooperação e esclareceu que a parceria com a Argentina precisa ser bem entendida. “Não é a parceria de dois países para construir um reator. A parceria é no desenvolvimento de projetos etc. Mas, o reator é feito no Brasil e vai ser operado pelo Brasil. Então, nesse caso, não é um reator bilateral. É um reator brasileiro”.

Segundo Odair Gonçalves, a Argentina tem interesse também em desenvolver um reator do mesmo tipo. Por isso, ele avaliou que se os dois países puderem ter o mesmo projeto e dividirem os custos da construção, isso pode diminuir os gastos com o projeto.


Fonte: Correio Braziliense