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sábado, outubro 02, 2010

Revisão de Física - Espectro de emissão do Raio-X


 6ª aula de revisão para provas e concursos das matérias aprendidas nos cursos de Tecnólogo em Radiologia.

Espectro de emissão do Raio-X

O espectro de emissão é fundamental para descrever os processos de produção da imagem em um aparelho de raios-X. É obtido através de um gráfico da quantidade de fótons de determinada energia versus as diferentes energias. A energia máxima expressa em keV é igual em magnitude à voltagem de aceleração (kv), mas existem poucos fótons desta energia. A forma geral do espectro contínuo é a mesma para qualquer aparelho de raios-X. Por causa da auto absorção, o número de fótons de raios-X emitidos é muito pequeno para energias muito baixas, atingindo quase zero para energias abaixo de 5 keV. Os traços correspondem às radiações características que, para anodo de tungstênio, só aparecem nos espectros gerados com tensão acima de 70 kV.

Fatores que modificam o espectro

O espectro é modificado por 3 fatores: filtração, voltagem do tubo e tipo de suprimento de alta voltagem. Os dois últimos são os que mais influenciam os fótons de alta energia, que agem na formação da imagem radiográfica. A filtração, que afeta os fótons de baixa energia, não tem grande influência na imagem e sim na exposição do paciente. Se a energia média do feixe for aumentada por qualquer método, tornando o feixe mais penetrante, a dose total por paciente será reduzida.

Filtração
 
A filtração total de um feixe de raios-X consiste na filtração inerente mais a filtração adicional. A filtração inerente é constituída pelo vidro do tubo de raios-X, o óleo isolante e o vidro da janela. O tubo de raios-X está contido em uma capa protetora (cabeçote) de chumbo que possui uma janela por onde sai o feixe útil de raios-x. A janela de raios-X convencional é geralmente de vidro e em casos especiais como no mamógrafo, constitui-se de Berilo.

A filtração adicional por sua vez é usada para completar a filtração inerente até ultrapassar a filtração mínima. No radiodiagnóstico, a filtração adicional é em geral feita por placas de alumínio.

 

A filtração mínima recomendada pela Comissão Internacional de Proteção Radiológica, ICPR, são:
                                                             < 50 kV         - 0,5 mm Al
                                                                50 - 70 kV - 1,5 mm Al
                                                             > 70 kV         - 2,5 mm Al
Voltagem do tubo

Mudando o potencial de aceleração do tubo, mudamos também o espectro do feixe. O aumento do kV implica no aumento do número de fótons de maior energia. Este aumento altera mais a imagem radiográfica do que a remoção dos fótons de baixa energia.

Suprimento de alta voltagem

Em todos os aparelhos de raios-X, a voltagem é aumentada por um transformador de linha 110 - 220 volts para o kV desejado. A forma de onda é a mesma da linha de suprimento, mas muito aumentada em amplitude. O potencial elétrico é produzido por uma corrente alternada (AC). Existem vários tipos de circuitos utilizados na amplificação da voltagem, entre estes temos: Retificação de meia onda, retificação de onda completa, retificação trifásica e multi-pulsos.

No tipo mais simples de circuito, o tubo de raios-X é conectado aos terminais do secundário do transformador. Neste caso, o tubo é o retificador, uma vez que a corrente só pode fluir quando o alvo for positivo em relação ao filamento (negativo), isto é, durante a porção positiva do ciclo de AC. Durante o ciclo negativo não existem elétrons livres do alvo (que está agora carregado negativamente). Entretanto, em circunstâncias ocasionais de superaquecimento do anodo, poderiam ocorrer elétrons livres que iriam do anodo ao catodo durante o ciclo negativo , danificando o tubo.

Para resolver este problema, foram desenvolvidos circuitos de retificação que eliminam os ciclos negativos. Um tipo eficiente de retificação inverte a polaridade do ciclo negativo possibilitando a produção de raios-X durante todo o ciclo. A utilização deste método, aplicado em um circuito trifásico possibilita a produção de elétrons quase monoenergético, dentro de uma pequena variação de kV.

A tecnologia mais moderna com o uso de geradores multi-pulsos, possibilita uma fácil obtenção de um potencial de aceleração virtualmente constante. A forma de retificação modifica o espectro dos elétrons produzidos, e, portanto, modifica o espectro de raios-X produzidos, a taxa de aquecimento do anodo e o rendimento do tubo (taxa de produção de raios-X).

Corrente no tubo

A variação da miliamperagem (mA) não tem nenhum efeito no espectro de raios-X. A combinação da miliamperagem com o tempo de exposição determina o número total de raios-X produzidos num dado kV. Por isso, desde que o produto mAs seja mantido, não serão observadas diferenças na imagem radiográfica. Deve-se notar contudo que uma variação de corrente pode levar a uma variação da quilovoltagem do tubo, pois o gerador pode não ser capaz de corrigir a uma diminuição de voltagem de alimentação que ocorre em linhas elétricas mal distribuídas quando ocorre uma solicitação de maior carga.

Qualidade do feixe de Raios-X

A "capacidade de penetração" ou qualidade de um feixe de raios-X é descrita explicitamente pela sua distribuição espectral. Um conceito mais usual para descrever e medir a qualidade do feixe é a camada semi-redutora (CSR, ou "Half Value Layer", HVL). O HVL é definido como a espessura de um material padrão necessário para reduzir o número de fótons transmitido à metade de seu número original. O material utilizado em radiologia diagnóstica é o alumínio. Um feixe de baixa energia será bastante reduzido por uma pequena filtração, tendo portanto baixo HVL. Sabe-se que o HVL não é uma quantidade constante para um dado feixe mas aumenta com a filtração. Logo, o segundo HVL será maior que o primeiro. Somente um feixe monoenergético terá sucessivos HVL’s iguais. A filtração adicional remove seletivamente os fótons de energia mais baixa, resultando em melhor aproximação de um feixe monoenergético e a diferença entre sucessivas HVL’s torna-se cada vez menor. 


Fonte: Nós e as Radiações

quinta-feira, setembro 16, 2010

Revisão de Física - Produção de Raios-X


 5ª aula de revisão para provas e concursos das matérias aprendidas nos cursos de Tecnólogo em Radiologia.

Produção de Raios-X ou Raios Roentgen

Em Novembro de 1895, Wilhelm Conrad Roentgen, fazendo experiências com raios catódicos (elétrons), notou um brilho em um cartão colocado a pouca distância do tubo. Notou ainda que o brilho persistia mesmo quando a ampola (tubo) era recoberta com papel preto e que a intensidade do brilho aumentava à medida que se aproximava o tubo do cartão. Este cartão possuía em sua superfície uma substância fosforescente¹ (platinocianureto de bário).






Roentgen atribuiu o aparecimento do brilho a uma radiação que saia da ampola e que também atravessava o papel preto. A esta radiação desconhecida, mas de existência comprovada, Roentgen deu o nome de raios-X, posteriormente conhecido também por raios Roentgen. O segundo passo de Roentgen, cujo resultado foi a visualização dos ossos da mão de sua mulher que serviu de cobaia.



Roentgen fez uma série de observações acerca dos raios-X e concluiu que:
 

* causam fluorescência² em certos sais metálicos;
* enegrecem placas fotográficas;
* são radiações do tipo eletromagnética, pois não sofrem desvio em campos elétricos ou magnéticos;
* são diferentes dos raios catódicos;
* tornam-se "duros" (mais penetrantes) após passarem por absorvedores;
* produzem radiações secundárias em todos os corpos que atravessam;
* propagam-se em linha reta (do ponto focal) para todas as direções;
* transformam gases em condutores elétricos (ionização);
* atravessam o corpo tanto melhor quanto maior for a tensão no tubo (kV).

As maquinas de raios-X foram planejadas de modo que um grande número de elétrons são produzidos e acelerados para atingirem um anteparo sólido (alvo) com alta energia cinética.

No tubo de raios-X os elétrons obtém alta velocidade pela alta tensão aplicada entre o anodo e o catodo. Um aparelho operando a digamos
70 kV, quase todos os elétrons atingem o alvo com uma energia cinética de 70 keV, correspondendo a uma velocidade de aproximadamente metade da velocidade da luz no vácuo.

Os elétrons que atingem o alvo (anodo) interagem com o mesmo transferindo suas energias cinéticas para os átomos do alvo. Estas interações ocorrem a pequenas profundidades de penetração dentro do alvo. Os elétrons interagem com qualquer elétron orbital ou núcleo dos átomos do anodo. As interações resultam na conversão de energia cinética em energia térmica (calor) e em energia eletromagnética (raios-X).


 
Efeitos da interação elétron-alvo

A maior parte da energia cinética dos elétrons, é convertida em calor através de múltiplas colisões com os elétrons dos átomos do alvo.

Após várias interações (ionizações) é gerada uma cascata de elétrons de baixa energia. Estes elétrons não possuem energia suficiente para prosseguir ionizando os átomos do alvo mas conseguem excitar os elétrons das camadas mais externas, os quais retornam ao seu estado normal de energia emitindo radiação infravermelha. Cerca de
99% da energia cinética dos elétrons incidentes é transformada em calor e cerca de 1% produz radiação. A produção de calor do anodo no tubo de raios-X aumenta com o aumento da corrente (mAs) no tubo, mas a eficiência na produção de raios-X independe da corrente no tubo, aumentando com a energia (kV) do elétron projétil. Para 60 kV, somente 0,5% da energia cinética do elétron é convertida em raios-X, enquanto para 20 MeV (de aceleradores lineares), 70% dessa energia produz raios-X. (Em radiologia diagnóstica > de 99% geram calor e menos de 1% raios-X de freamento e característicos).


¹ Fosforescência é a capacidade que uma espécie química tem de emitir luz, mesmo no escuro. É um fenômeno particular de um fenômeno geral denominado luminescência.

² Fluorescência é a capacidade de uma substância de emitir luz quando exposta a radiações do tipo ultravioleta (UV), raios catódicos ou raios X. As radiações absorvidas (invisíveis ao olho humano) transformam-se em luz visivel, ou seja, com um comprimento de onda maior que o da radiação incidente.


Fonte: Nós e as Radiações (com adaptações), Wikipédia.

terça-feira, agosto 17, 2010

Revisão de Física - Radiação Eletromagnética (G ou X)


4ª aula de revisão para provas e concursos das matérias aprendidas nos cursos de Tecnólogo em Radiologia.

Radiação Eletromagnética (G ou X)

A interação da radiação G ou X com a matéria é marcadamente diferente da que ocorre com partículas carregadas. A penetrabilidade dos raios G ou X é muito maior devido ao seu caráter ondulatório, e sua absorção depende do tipo de interação que provoca.

Há vários processos que caracterizam a interação (absorção ou espalhamento) da radiação G ou X com a matéria. Esses processos dependem essencialmente da energia da radiação, e do meio material que ela atravessa. Os fótons não tem massa propriamente dita (massa de repouso nula) e não transportam carga elétrica, portanto produzem ionização somente indiretamente quando incidem sobre os átomos. Quando o fóton G ou X interage com a matéria, sua energia é transferida para esta por uma variedade de mecanismos alternativos, sendo que os 3 (efeitos secundários) mais importantes são: Efeito Fotoelétrico, Efeito Compton e Formação de Pares.


Esse conhecimento permitirá ao Tecnólogo condições de compreender melhor como se dá o processo de formação da imagem, por que todo exame radiográfico é nocivo ao paciente e como funcionam as barreiras e os equipamentos individuais de proteção.

a) Efeito fotoelétrico

O efeito fotoelétrico é caracterizado pela transferência total da energia da radiação gama ou X (que desaparece) a um único elétron orbital, que então é expulso (expelido) do átomo absorvedor (processo de ionização). Nesse efeito, toda a energia do fóton incidente é transferida ao elétron, que então é expelido com energia cinética: T = hv - Be, sendo Be a energia de ligação do elétron ao seu orbital (energia que foi dissipada para desfazer a ligação do elétron ao átomo).



Este elétron expelido do átomo (denominado fotoelétron, radiação secundária ou ainda emissão corpuscular associada), poderá perder a energia recebida do fóton, produzindo ionização em outros átomos.

A direção de saída do fotoelétron com relação à de incidência do fóton, varia com a energia deste. Assim, para altas energias (acima de 3 MeV), a probabilidade do fotoelétron ser ejetado para frente é bastante grande; para baixas energias (abaixo de 20 keV) a probabilidade de sair para o lado é máxima para q ~ 70°.

O efeito fotoelétrico é predominante em baixas energias e para elementos de elevado número atômico Z. O efeito fotoelétrico decresce rapidamente quando a energia aumenta (outros efeitos começam a se tornar predominantes), e é observado para energias tão baixas quanto a da luz visível.

O efeito fotoelétrico é proporcional a Z5, e por esse motivo deve ser usada blindagem de chumbo para absorção de raios gama ou X de baixas energias.

Acontece como os raios X característicos e são considerados uma radiação secundária. A radiação secundária não tem nenhuma contribuição para a qualidade do diagnóstico da imagem radiográfica, uma vez que tenderá a borrar mais a imagem. O fato do fóton não atravessar totalmente o paciente, porém, é necessário para que seja feito o contraste da imagem. Logo, a imagem só é obtida se realmente houver a ionização de um átomo que interaja com o fóton, o que resultará sempre em um dano à saúde do paciente.

b) Efeito Compton

Quando a energia da Radiação gama ou X cresce, o espalhamento Compton torna-se mais freqüente que o efeito fotoelétrico. No efeito Compton, o fóton incidente é espalhado por um elétron periférico, que recebe apenas parcialmente a energia do fóton incidente. O fóton espalhado terá uma energia menor e uma direção diferente da incidente.


Dessa forma, a interação do fóton é descrita como um espalhamento por um elétron livre, inicialmente em repouso. O efeito Compton depende ainda da densidade do elemento (número de elétrons/cm³), e decresce em função da energia dos fótons, porém não tão rapidamente como no efeito fotoelétrico. Este é inversamente proporcional à energia do fóton, e proporcional ao número atômico Z do material absorvedor.


Os raios X que são espalhados de volta em direção à sua origem são chamados de radiação refletida ou retroespalhada. Na radiografia, a radiação refletida por objetos imediatamente atrás do chassi pode causar artefatos (manchas) na imagem como o aparecimento das travas do chassi no filme.

No geral, o efeito Compton é necessário para a formação da imagem quando o ângulo de desvio do fóton for baixo e contribui para o aumento da penumbra ou borramento quando o ângulo é grande. 

c) Formação de Pares

Uma das formas mais importantes da radiação eletromagnética de alta energia ser absorvida é a produção de pares. No entanto, a produção de pares ocorre somente quando fótons de energia igual ou superior a 1,02 MeV passam próximos a núcleos de elevado número atômico. Nesse caso, a radiação gama ou X interage com o núcleo e desaparece, dando origem a um par elétron-pósitron.



Como os fótons produzidos nos equipamentos radiográficos convencionais geram fótons com energia não superior a 0,2 MeV, a interação por produção de pares é impossível na faixa de raios X diagnóstico. Por isso, esse fenômeno só é considerado em radioterapia e medicina nuclear.




Fonte: Nós e as Radiações, Flávio Augusto P. Soares e Henrique Batista M. Lopes - Radiodiagnóstico Fundamentos Físicos (com adaptações).

terça-feira, junho 08, 2010

Revisão de Física - Radiação X


3ª aula de revisão para provas e concursos das matérias aprendidas nos cursos de Tecnólogo em Radiologia.

Radiação X

Existe duas formas de raios X, dependendo do tipo de interação entre elétrons e o alvo.

1) Radiação de Freamento

O processo envolve um elétron passando bem próximo a um núcleo do material alvo. A atração entre o elétron carregado negativamente e o núcleo positivo faz com que o elétron seja desviado de sua trajetória perdendo parte de sua energia. Esta energia cinética perdida é emitida na forma de raios X, que é conhecido como bremsstrahlung (braking radiation) ou radiação de freamento. 


Dependendo da distância entre a trajetória do elétron incidente e o núcleo, o elétron pode perder parte ou até toda sua energia. Isto faz com que os raios X de freamento tenham diferentes energias, desde valores baixos até a energia máxima que é igual a energia cinética do elétron incidente. Por exemplo, um elétron com energia de 70 keV pode produzir raios X de freamento com energia entre 0 e 70 keV.

A diminuição acentuada dos fótons de baixa energia se dá pela própria estrutura que produz a radiação. A interação entre os elétrons lançados e os átomos do alvo ocorre alguns milímetros dentro do alvo. Esses fótons devem, então, atravessar o material em que foram produzidos para serem, por exemplo, direcionados contra o paciente a fim de obter-se uma imagem radiográfica. Acontece que durante o caminho dentro do material, os fótons são auto-atenuados. Assim, o alvo que produz a radiação é o mesmo que ajuda a eliminá-la.





2) Raios X Característicos

Esse processo envolve uma colisão entre o elétron incidente e um elétron orbital ligado ao átomo no material do alvo. O elétron incidente transfere energia suficiente ao elétron orbital para que seja ejetado de sua órbita, deixando um "buraco". Esta condição instável é imediatamente corrigida com a passagem de um elétron de uma órbita mais externa para este buraco. Esta passagem resulta numa diminuição da energia potencial do elétron, e o excesso de energia é emitido como raios X. 


Este processo de "enchimento" pode ocorrer numa única onda eletromagnética emitida ou em transições múltiplas (emissão de vários raios X de menor energia). Como os níveis de energia dos elétrons são únicos para cada elemento, os raios X decorrentes deste processo também são únicos e, portanto, característicos de cada elemento (material). Daí o nome de raios X característico.

Para os exames radiográficos, interessa a retirada de um dos dois elétrons da camada K. O átomo escolhido para alvo é que define a energia emitida, pois cada átomo possui níveis de energia definidos para a camada K, dependendo do seu número atômico. Por fim, dependendo de que camada vem o elétron que ocupa a lacuna deixada na camada K, tem-se níveis de radiação diferenciados.

Cada material emite um nível definido de radiação característica, dependendo de seu número atômico, como são os casos do tungstênio (radiologia convencional) e molibdênio (mamografia), que possuem radiações características da ordem de 70 keV e 20 keV, respectivamente.


Fonte: Nós e as Radiações, Flávio Augusto P. Soares e Henrique Batista M. Lopes - Radiodiagnóstico Fundamentos Físicos (com adaptações).

quarta-feira, maio 19, 2010

Revisão de Física - Radiações alfa, beta e gama

 2ª aula de revisão para provas e concursos das matérias aprendidas nos cursos de Tecnólogo em Radiologia.

Radiação Alfa

Partículas alfa são núcleos normais de Hélio (constituído de 2 prótons e 2 nêutrons). Exemplos de elementos radioativos que emitem radiações alfa são elementos pesados como o urânio, rádio e uns poucos elementos mais leves. A partícula alfa parece ser uma combinação muito estável. Quando o núcleo de átomos pesados, menos instáveis, está se reajustando, rapidamente quer se desembaraçar  das partículas. Então, em vez de admitir prótons ou nêutrons isolados, ele expele a partícula alfa integralmente.
 
Radiação Beta

A emissão de radiação beta é um processo mais comum entre os núcleos leves ou de massa intermediária, que possuem um excesso de nêutrons ou de prótons em relação à estrutura estável correspondente. Radiação beta é o termo usado para descrever elétrons de origem nuclear, carregados negativamente (e-), o elétron, ou positivamente (e+), o pósitron. No caso do elétron, um nêutron se transforma em próton expulsando uma partícula beta negativa. Já no pósitron, um próton se transforma em nêutron expulsando uma partícula beta positiva.

 







Radiação Gama

A radiação gama pertence a uma classe conhecida como radiação eletromagnética. Este tipo de radiação consiste de quanta ou pacotes de energia transmitidos em forma de um movimento ondulatório. A radiação eletromagnética é uma modalidade de propagação de energia através do espaço, em que não há necessidade de um meio material. 

Outros membros bem conhecidos dessa classe são: as ondas de rádio, raios X, e inclusive a luz visível. A diferença essencial entre a radiação gama e a radiação X está na sua origem. Enquanto os raios gama resultam de mudanças no núcleo, os raios X são emitidos quando os elétrons atômicos sofrem uma mudança de orbital. 

A emissão gama, ou transição isomérica, tenta trazer o núcleo para um estado de menor energia, sem a perda de massa nuclear (próton ou nêutron) como ocorre em outros processos radioativos.




Um núcleo radioativo emite radiação alfa ou beta, e a radiação gama está sempre presente. A partícula beta pode atingir uma velocidade de até 95% da velocidade da luz, já a partícula alfa é mais lenta e atinge uma velocidade de 20.000 km/s, e os raios gama atingem a velocidade das ondas eletromagnéticas (300.000 km/s).


Fonte: Nós e as Radiações, Julian May - Há Aventura na Energia Atômica, Brasil Escola, Flávio Augusto P. Soares e Henrique Batista M. Lopes - Radiodiagnóstico Fundamentos Físicos (com adaptações)

sexta-feira, abril 30, 2010

Revisão de Física - O Átomo

1ª aula de revisão para provas e concursos das matérias aprendidas nos cursos de Tecnólogo em Radiologia.

O Átomo

O átomo é uma complexa combinação de componentes ainda menores que consiste de um núcleo bastante pequeno com carga elétrica positiva, e onde está a maior parte da massa do átomo. Ao redor desse núcleo está uma configuração de partículas com carga elétrica negativa, denominada elétrons.

Se um átomo fosse ampliado até atingir a proporção do Empire State Building, os elétrons e seu núcleo se apresentariam como corpos do tamanho de grãos de ervilha.
O núcleo do átomo é formado de 2 componentes básicos: Os prótons, com carga elétrica positiva, e os nêutrons, que não contêm carga elétrica, sendo portanto neutros. Nêutrons e prótons são chamados conjuntamente de Nucleolos.


Como o átomo é eletricamente neutro, o número de prótons no núcleo é igual ao número de elétrons que giram em torno do núcleo. No âmago do núcleo aparece um tipo de força inteiramente diferente, que mantém juntos prótons e nêutrons. São as chamadas forças nucleares, cuja natureza difere das familiares forças elétrica e gravitacional. O raio de ação das forças nucleares é pequeno (somente atuam dentro do núcleo). O próton ou o nêutron pesam aproximadamente 2.000 vezes mais que o elétron. Isso justifica a afirmação que praticamente toda a massa do átomo está concentrada em seu núcleo. 




O Núcleo e as Radiações 

Uma das primeiras descobertas após a identificação dos elétrons, foi a dos raios X por Roentgen em 1895. Roentgen observou a produção de um novo tipo de radiação quando um feixe de elétrons incidia num alvo sólido. Ao investigar suas propriedades, verificou que atravessava substâncias como vidro, papel e madeira.
Raios X produzem ionização dos gases que atravessam, apresentam trajetória retilínea, e não se desviam pela ação de campos elétrico e magnético, não sendo então constituídos por partículas carregadas. Eles sofrem reflexão, refração e difração, sendo isso prova convincente de que consistem de radiação eletromagnética como a luz, porém com comprimento de onda menor.
Em 1896, o físico francês Henri Becquerel investigou o relacionamento entre raios X e o escurecimento de filmes fotográficos, por meio de materiais compostos de urânio. Uma parte desse sal de urânio foi colocada numa gaveta com placas fotográficas virgens. Após a remoção dos filmes, Becquerel observou que eles tinham sido expostos, embora ainda estivessem embalados em papel à prova de luz. Ele então sugeriu que o urânio emitia uma energia, que após penetrar a camada de papel, ainda era capaz de escurecer as placas fotográficas. Ele se referiu a essa energia como radiação ativa. Marie Curie lançou o termo radioatividade para descrever essa forma de energia. Já em 1904, cerca de 20 elementos naturalmente radioativos eram conhecidos.
 

Propriedades interessantes: escurece filmes, ioniza gases, produz cintilação (flashes de luz) em certos materiais, penetra na matéria, mata tecido vivo, libera grande quantidade de energia com pequena perda de massa, e não é afetada por alterações químicas e físicas no material que está emitindo. 

Esta última característica é de particular importância, já que se a radioatividade é suposta ser originada dentro do átomo, e se ela não é afetada por alterações químicas, então ela não deve ser associada aos elétrons, pois, estes estão envolvidos nas reações químicas. Isso sugere que a radioatividade se origina no núcleo.
 
Ela é uma onda (como a luz) ou uma partícula? Tem carga elétrica ou não tem?  


A experiência que revela mais completamente a natureza da radioatividade é aquela em que a radiação é dirigida através de um campo elétrico produzido por duas placas paralelas carregadas. 
Um único feixe de radiação é desdobrado em 3 pela ação do campo. A deflexão (desvio) em direção à placa carregada negativamente indica um feixe carregado positivamente, e a direção à placa positiva indica um feixe negativamente carregado. O feixe que não se desvia não tem carga. Como a natureza desses 3 feixes não era conhecida naquela época, foram simplesmente identificados como raios alfa (carga positiva), raios beta (carga negativa) e raios gama (carga nula).
Essa experiência revelou que a estrutura dos átomos podia ser alterada, e que alguns átomos encontrados na natureza, especialmente os mais pesados, possuíam núcleos instáveis. Experiências posteriores revelaram que os raios gama são os mais penetrantes, enquanto os raios alfa são os de menor penetração.  



Fonte: Nós e as Radiações (com adaptações)