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terça-feira, setembro 20, 2011

Alemanha reduz usinas nucleares sob ceticismo de especialistas

Depois do ocorrido em Fukushima, o governo alemão desligou oito dos 17 reatores e planeja desativar os restantes até 2022

Desde o período sombrio pós Segunda Guerra Mundial, a Alemanha não tinha blecautes tão significativos. No entanto, o país se prepara para essa possibilidade depois da desativação de metade de seus reatores nucleares, praticamente de uma hora para a outra.

Usinas nucleares há muito tempo geram quase um quarto da eletricidade da Alemanha. Mas depois do terremoto seguido de tsunami que disseminou radiação por Fukushima, no Japão, o governo resolveu desligar oito mais antigos dos 17 reatores da Alemanha – incluindo os dois localizados nesta cidade industrial – em alguns dias. Três meses depois, com um novo plano para dar eletricidade ao país sem fazer uso da energia nuclear e uma crescente dependência da energia renovável, o Parlamento votou por fechar as usinas permanentemente. E há planos para aposentar os restantes nove reatores até 2022.

Como resultado, os produtores de eletricidade estão lutando para garantir um fornecimento adequado. Clientes e empresas estão nervosos sobre o funcionamento continuo de suas casas e linhas de montagem neste inverno. Economistas e políticos discutem de quanto será a elevação dos preços.

"É fácil dizer: 'Vamos adotar as energias renováveis', e eu tenho certeza que podemos ficar sem a energia nuclear um dia, mas essa decisão foi muito abrupta", disse Joachim Knebel, cientista-chefe do Instituto de Tecnologia Karlsruhe.

Ele caracterizou a decisão do governo de desligar as usinas como "emocional" e apontou que, na maioria dos dias, a Alemanha tem sobrevivido a essa experiência apenas através da importação de eletricidade das vizinhas França e República Checa, que geram grande parte da sua energia com reatores nucleares.

Depois, há preocupações reais de que esse plano vai abandonar os esforços para conter o aquecimento global causado pelo homem, uma vez que, apesar de suas falhas, a energia nuclear gera poucas emissões. Se a Alemanha, a quarta maior economia do mundo, retomar o uso de usinas de queima de carvão ou passar a depender do gás natural da Rússia, o país não estará trocando um risco potencial por um risco real?

A Agência Internacional de Energia, geralmente uma fã da política alemã de energia limpa, tem sido crítica. Laszlo Varro, chefe do divisão de carvão, gás e mercados de energia da agência chamou o plano de "muito, muito ambicioso, embora não seja impossível, já que a Alemanha é rica e tecnicamente sofisticada."

Mesmo que a Alemanha consiga produzir a eletricidade de que precisa, "a moratória nuclear é uma notícia muito ruim em termos de política climática", disse Varro. "Nós não estamos longe de perder essa batalha e perder a energia nuclear torna isso desnecessariamente difícil."

O governo rebate que está preparado para fazer grandes investimentos na melhora da eficiência energética em casas e fábricas, bem como em novas fontes de energia limpa e linhas de transmissão. Até agora, não houve apagões.

Juergen Grossmann, diretor-executivo da gigante de energia alemã RWE, que possui dois reatores fechados em Biblis, localizada a cerca de 65 km ao sul de Frankfurt, expressaram ceticismo. "A Alemanha, em uma decisão muito precipitada, decidiu fazer experimentos consigo mesma", disse ele. "A política é ignorar os argumentos técnicos."

A Equação Nuclear

Os planejadores da Alemanha acreditavam que poderiam abrir mão da energia nuclear em grande parte por causa do notável progresso do país em energia renovável, que agora responde por 17% de sua produção de eletricidade, um número que o governo estima que vai dobrar em 10 anos. Nos dias em que as turbinas de energia eólica marítimas funcionam a todo vapor, a Alemanha produz mais eletricidade de fontes renováveis do que consome, de acordo com monitores europeus de energia.

A Alemanha "superou as expectativas de todos a respeito da energia renovável", disse Varro, mostrando que ela pode ser rentável e confiável.

Até fechar os reatores, a Alemanha era o principal exportador de energia da Europa.

Com um total de 133 gigawatts de capacidade de geração instalada no local no início deste ano, "havia realmente uma grande folga que possibilitava desligar as usinas nucleares", disse Harry Lehmann, diretor geral da Agência Federal do Meio Ambiente e um dos líderes políticos da Alemanha sobre energia e meio ambiente.

O país precisa de cerca de 90,5 gigawatts de capacidade de geração para preencher uma demanda nacional típica de cerca de 80 gigawatts por dia. Assim, os 25 gigawatts que a energia nuclear gera não fariam falta – pelo menos dentro de suas fronteiras.

Em nome da prudência, o plano prevê a criação de 23 gigawatts por usinas de gás e carvão até 2020. Por quê? Porque as usinas renováveis não produzem sua total capacidade caso o ar esteja calmo ou o céu nublado, e há atualmente uma capacidade limitada para armazenar ou transportar eletricidade, dizem os especialistas em energia.

Os oficiais do governo garantiram que as novas usinas de carvão e gás usarão as tecnologias mais limpas disponíveis e não devem agravar as mudanças climáticas, porque vão operar dentro do sistema de comércio de carbono europeu - em que as usinas que excedem as emissões permitidas tem que comprar créditos de carbono de empresas cujas atividades são ambientalmente benéficas, equilibrando as emissões.

O preço da eletricidade deverá aumentar de 35 a 40 euros (US$ 50 a US$60) por família por cada ano, ou menos de 5%, estima o governo. Embora a energia nuclear geralmente custe menos do que as opções mais novas, a lei alemã há muito tempo estipulou que as energias renováveis devem ser compradas primeiro, mesmo se forem mais caras.

Mas os céticos consideram as premissas do governo excessivamente otimistas. Stefan Martus, prefeito de Philippsburg, acredita que o custo da energia pode subir mais dramaticamente do que as estimativas e que o preço dos créditos de carbono para compensar o uso de usinas sujas é altamente imprevisível e variável, como o valor das ações. Além disso, a Agência Internacional de Energia não acha que a Alemanha – ou qualquer outro país – seja capaz de reduzir suas emissões a um custo razoável, sem a energia nuclear.

Funcionários da agência de energia também questionam as previsões de que o uso de eletricidade cairá 10% ao longo da próxima década, dada a expansão projetada de crescimento elétrico da economia alemã. A família média alemã já utiliza apenas cerca de metade da eletricidade de uma família americana.

"Sim, existe uma angústia alemã a respeito da energia nuclear", disse Cornelius Hildegard-Gaus, prefeito de Biblis. ''Mas se você formular a pergunta: ‘Será que queremos abandonar progressivamente a energia nuclear se isso levar a um aumento no custo e mais risco de apagões?’ A resposta seria muito diferente.''

Uma História Ambivalente

Mesmo antes de Fukushima, os dias da energia nuclear na Alemanha estavam contados. Biblis já foi palco de gigantescas manifestações antinucleares e a Alemanha estava em processo de criar um plano para a lenta e gradual eliminação da energia nuclear até 2023.

O país havia se tornado líder mundial em energia eólica e mestre em implementar mais eletrodomésticos e casas eficientes, depois de ter construído dezenas de milhares de "casas passivas" que faziam uso do auto-aquecimento.

Ainda assim, a chanceler Angela Merkel, uma física de formação, decidiu no ano passado estender as licenças de operação das usinas nucleares no país por preocupação de que a inovação por si só não satisfaça o apetite de energia do país.

Fukushima mudou tudo. O fato do Japão ser um país tecnologicamente avançado fez do acidente nuclear algo ainda mais alarmante para o povo alemão do que o desastre de Chernobyl, em um reator da antiga União Soviética. Apesar disso, especialistas da indústria e moradores de cidades como Biblis e Philippsburg ficaram surpresos com a rapidez da mudança.

As duas cidades vão perder centenas de empregos e milhões em receitas fiscais. As empresas de energia alemãs, no entanto, dizem ter recebido um modelo nacional de energia que parece bom no papel, mas é tecnicamente desafiador. Embora a produção de energia do país seja abundante, eles dizem que não está sempre disponível onde e quando é necessária.

O norte da Alemanha tem ventos marítimos e depósitos de carvão, mas o sul da Alemanha – um epicentro de fabricação de marcas como Mercedes, BMW e Audi – não tem fontes de energia abundantes com exceção da energia nuclear. O atual fornecimento de energia da Alemanha é altamente descentralizado, sem linhas de alta tensão de transmissão de eletricidade para longas distâncias.

"Agora, com o fechamento das usinas nucleares, temos uma tarefa muito difícil", disse Joachim Vanzetta, chefe de operações do sistema de transmissão da Amprion, a maior empresa de energia das quatro existentes no país.

Neste inverno, a Amprion prevê que sua grade terá 84 mil megawatts de eletricidade à sua disposição, para fornecer 81 mil megawatts necessários para o consumo – uma margem de segurança desconfortavelmente pequena, segundo Vanzetta. Em anos anteriores, a eletricidade estava prontamente disponível para compra na rede europeia se o preço fosse certo. Mas a exportação da energia alemã é o que ajudou a manter a França brilhando no inverno.

"No momento, temos um sistema estressado, mas que está sob controle", disse Vanzetta. "Se tivermos dias sem vento e sem sol e não pudermos comprar energia do exterior, então haverá o risco de apagões".

 

Fonte: Último Segundo

sexta-feira, julho 15, 2011

Personalidades da Radiação - Parte II

 Por Mariana Duarte


Hans Geiger
Foi um físico alemão. Juntamente com Walther Müller, desenvolveu o contador Geiger. Em 1902, Geiger começou a estudar física e matemática em Erlangen, obtendo um doutorado em 1906. Em 1907 começou a trabalhar com Ernest Rutherford na Universidade de Manchester. Em 1912 tornou-se líder da Physical-Technical Reichsanstalt de Berlim, em 1925 professor na Universidade de Kiel, 1929 em Tübingen e, a partir de 1936, em Berlim. Em Berlim, desenvolveu, em conjunto com o então estudante de graduação Walther Müller, o contador Geiger.

Descobriu com Mitchell Nuttall a lei Geiger-Nuttal e realizou experiências que levaram ao modelo atômico de Ernest Rutherford. Ele era também membro do Uranverein (Clube do Urânio) na Alemanha nazista, o grupo de físicos alemães que, durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou sem êxito na construção da bomba atômica alemã. Sua lealdade ao Partido Nazi levou-o a trair seus colegas judeus. Editou, juntamente com Karl Scheel, entre 1926 e 1933, o Handbuch der Physik, composto de 24 volumes.

Walther Müller
Foi um físico alemão, mais conhecido pelo aperfeiçoamento do contador Geiger de Hans Geiger, hoje em dia conhecido como tubo de Geiger-Müller. Estudou física, química e filosofia na Universidade de Kiel. Em 1925 tornou-se o primeiro doutorando de Hans Geiger, que recém obtivera o posto de professor em Kiel. O trabalho deles sobre ionização de gases por colisão levou à invenção do contador Geiger-Müller, aparelho atualmente indispensável para medidas de radiação ionizante.

Após algum tempo como professor na Universidade de Tübingen, trabalhou o resto da sua vida profissional como físico industrial na Alemanha, depois como conselheiro para o ministério da economia australiano, e mais tarde como físico industrial nos Estados Unidos, onde também fundou uma companhia para fabricação de tubos Geiger-Müller.

Lise Meitner

Muitos cientistas consideram essa austríaca judia a mulher mais importante na ciência do século 20, por comprovar a fissão nuclear. Quando a Áustria foi anexada pela Alemanha em 1938, Meitner precisou deixar o país. Foi nesse ano que a fissão foi comprovada com a ajuda de Hans Hermann Hupfeld. Mas foi o colega de trabalho quem ganhou o Prêmio Nobel, em 1944, pela descoberta.

 




Ida Noddack 

Essa química alemã foi a primeira a mencionar a idéia de fissão nuclear, em 1934. Sugeriu que, pela lógica, o núcleo de urânio poderia dividir-se em duas partes de tamanho médio. Mas foi ignorada na época. Com futuro marido, Walter Noddack, e com Otto Berg, ela descobriu o elemento número 75, o rênio. Foi indicada três vezes para o Prêmio Nobel de Química.

 






Hans Hermann Hupfeld 

Foi um físico alemão conhecido por seu trabalho sobre a dispersão dos raios gama. Hupfeld foi doutor em física e trabalhou junto ao Prof. Dr. Otto Hahn, no então Kaiser Wilhelm Institut, em Berlim. Sua principal contribuição em física, entre outros, "The Meitner-Hupfeld effect".

 








Olinto De Pretto
 
Foi um físico e empresário italiano. Alguns pesquisadores atribuem a ele a elaboração da fórmula E = mc². Pós-graduado em agricultura, foi assistente na Escola Superior de Agricultura de Milão e diretor da empresa "Silvio Ing De Pretto & C," fundada por seu irmão e, que em 1920 tornou-se a "De Pretto-Escher Wyss." Em seu tempo livre dedicava-se ao estudo de física e geologia. Cultivava o ideal irredentista a favor do Vêneto, então sob domínio dos Habsburgos.

Em 23 de novembro de 1903, Olinto De Pretto apresentou no Instituto Real de Ciências, Letras e Artes de Vêneto, um ensaio intitulado "Ipotesi dell'etere nella vita dell'universo" ("Hipótese do éter na vida do universo") em que ele tentou explicar a natureza do éter e da força gravitacional argumentando que: "a matéria se movendo na velocidade da luz teria energia cinética igual a mv²."
Albert Einstein expôs a sua teoria sobre a equivalência entre massa e energia, dois anos mais tarde, em 1905, que estabelece a relação E = mc² onde a letra "c" (definida estado constante universal), é também, a velocidade da luz. Da leitura do ensaio publicado por Olinto De Pretto, transparece que o estudioso italiano tinha percebido o futuro, dramático, da exploração da energia nuclear. Isso é demonstrado pelas dúvidas que ele expôs na seguinte passagem:

"A que resultado espantoso fomos conduzidos? Ninguém poderia suspeitar que armazenado em estado latente, em um quilo de matéria, completamente oculto de todas as nossas investigações, haveria uma quantidade de energia que é equivalente ao montante a milhões e milhões de quilogramas de carvão, idéia que certamente seria julgada insana. Meus cálculos me obrigam a admitir que no interior da matéria deve estar armazenada uma quantidade de energia além da imaginação."

Emil H. Grubbe
 
O último sobrevivente de seu grupo de pioneiros na ciência da radiologia, Doutor Emile H. Grubbe morreu em 26 de março de 1960. Seu desejo de contribuir para o avanço da ciência do medicamento através de radiologia permaneceu até o final de sua vida e, portanto, ele não queria saber de mais nada a não ser do
que se tratava de correção da deficiência humana, particularmente o câncer. Ele foi o primeiro a mostrar o dano tecidual causado pelos raios Roentgen.
 
Nascido em Chicago no início de 1875, doutor Grubbe foi dito ser uma criança precoce. Felizmente, ele tinha abundantes apoio domiciliário para o ensino superior, para o curso, e para a pesquisa. Ele foi educado em escolas públicas de Chicago e na Universidade de Valparaiso, Indiana, e teve aulas particulares de química, física, e de eletricidade neste país e na Europa. Antes de completar vinte anos, Dr. Grubbe tinha estabelecido um laboratório em Chicago. Como um
ensaiador de metais raros que cedo ganhou uma reputação quanto à precisão e honestidade, características da vida, trazendo-lhe uma clientela a partir de grandes instituições financeiras envolvidas na promoção da mineração. Na fabricação dos tubos Crooke e na busca de raios-X, a sua produção e uso, a sua mente de investigação o levou ao experimento com cristais fluorescentes. No decorrer desses estudos ele expôs a pele do seu rosto e pescoço à radiação
além do ponto de tolerância. Ele também sofreu irradiação total do corpo, escapando da morte de discrasias sangüíneas e esterilidade. 

Sua vida foi salva consultando Sir William Osler, que sugeriu a recém-desenvolvida medicação de sangue de boi fresca e fígado. Enquanto sua esterilidade ainda não havia percebido, mais tarde tornou-se um grande fator em suas infelizes relações conjugais e na solidão de sua vida sem filhos. 

O primeiro aparelho de raios-X em um hospital de Chicago foi projetado, montado e operado pelo doutor Grubbe em 1896 (o Hospital de Hahnemann Chicago).

Louis Harold Gray
Foi um físico britânico. Trabalhou principalmente com investigações dos efeitos da radiação em sistemas biológicos, originando o campo da radiobiologia. Dentre muitas de suas realizações, definiu uma unidade de dosagem de radiação que foi posteriormente denominada Gray no Sistema Internacional de Unidades.


 




Paul Jacques Curie
 
Foi um físico francês. Foi professor de mineralogia na Universidade de Montpellier. Era irmão de Pierre Curie, com quem estudou a piroeletricidade; este estudo levaria à descoberta de alguns dos mecanismos da piezoeletricidade.

 






Rolf Maximilian Sievert
Foi um físico sueco. Sua contribuição mais significativa foi o estudo dos efeitos biológicos da radiação ionizante. Foi chefe do laboratório de física da clínica oncológica Radiumhemmet, de 1924 a 1937, quando tornou-se chefe do departamento de física radiológica do Instituto Karolinska. Foi pioneiro na medição de doses de radiação, especialmente em seu uso no diagnóstico e tratamento do câncer. No final de sua vida focou suas pesquisas nos efeitos biológicos da exposição repetitiva a baixas doses de radiação. Em 1964 fundou a International Radiation Protection Association, sendo seu diretor por certo período. Também dirigiu o Comitê Científico das Nações Unidas sobre os Efeitos da Radiação Atômica.

Inventou diversos instrumentos para medição de doses de radiação, sendo o mais conhecido a câmara de Sievert. Em 1979, na Conferência Geral de Pesos e Medidas, a unidade SI de dose equivalente de radiação ionizante foi denominada sievert (Sv).

Niels Henrick David Bohr
Foi um físico dinamarquês cujos trabalhos contribuíram decisivamente para a compreensão da estrutura atômica e da física quântica. Licenciou-se na sua cidade natal em 1911 e trabalhou com Joseph John Thomson e Ernest Rutherford na Inglaterra. 

Em 1913, aplicando a teoria da quantificação aos elétrons/electrões do modelo atômico de Rutherford, conseguiu interpretar algumas das propriedades das séries espectrais do hidrogênio e a estrutura do sistema periódico dos elementos. Formulou o princípio da correspondência e, em 1928, o da complementaridade. Estudou ainda o modelo nuclear da gota líquida, e antes da descoberta do plutônio, previu a propriedade da cisão, análoga à do U-235. Bohr recebeu o Nobel de Física em 1922.

Bohr estudou ainda a interpretação da estrutura dos átomos complexos, a natureza das radiações X e as variações progressivas das propriedades químicas dos elementos. Bohr dedicou-se também ao estudo do núcleo atômico. O modelo de núcleo em forma de “gota de água” revelou-se muito favorável para a interpretação do fenômeno da fissão do urânio, que abriu caminho para a utilização da energia nuclear. Bohr descobriu que durante a fissão de um átomo de urânio desprendia-se uma enorme quantidade de energia e reparou então que se tratava de uma nova fonte energética de elevadíssimas potencialidades. Bohr, com a finalidade de aproveitar essa energia, foi até Princeton, na Filadélfia, onde se encontrou com Einstein e Fermi para discutir com estes o problema.

Em 1933, juntamente com seu aluno Wheeler, Bohr aprofundou a teoria da fissão, evidenciando o papel fundamental do urânio 235. Estes estudos permitiram prever também a existência de um novo elemento, descoberto pouco depois: o plutônio. Em 1934, publicou o livro “Atomic Theory and the Description of Nature”, que foi reeditado em 1961. Em janeiro de 1937, Bohr participou na Quinta Conferência de Física Teórica, em Washington, na qual defendeu a interpretação de L. Meitner e Otto R. Frisch, também do Instituto de Copenhaga, para a fissão do urânio. Segundo esta interpretação, um núcleo atômico de massa instável era como uma gota de água que se rompe.

Três semanas depois, os fundamentos da teoria da "gota de água" foram publicados na revista "Physical Review". A esta publicação seguiram-se muitas outras, todas relacionadas com o núcleo atómico e a disposição e características dos electrões que giram em torno dele. Um ano depois de se ter refugiado em Inglaterra, devido à ocupação nazi da Dinamarca, Bohr mudou-se para os Estados Unidos, onde ocupou o cargo de consultor do laboratório de energia atómica de Los Alamos. Neste laboratório, alguns cientistas iniciavam a construção da bomba atômica.

Bohr morreu a 18 de Novembro de 1962, vítima de uma trombose, aos 77 anos de idade.

Otto Von Baeyer

Foi um físico alemão. Baeyer estudou física em Munique e Leipzig, onde doutorou-se em 1905 supervisionado por Otto Heinrich Wiener. Foi assistente de Heinrich Rubens na Universidade de Berlin, em 1908. Suas principais investigações foram dentre outras sobre a estrutura ultra fina de linhas espectrais, raios catódicos lentos e ondas elétricas curtas.

Fritz Strassmann

Foi um químico alemão. Foi um dos descobridores da fissão nuclear. Com Otto Hahn, em 1938, identificou bário no resíduo após bombardear urânio com nêutrons, o que levou à interpretação de seus resultados como sendo da fissão nuclear. Strassmann foi reconhecido pelo Yad Vashem Memorial do Holocausto como Justo entre as Nações .

Em 1946 ele se tornou professor de química inorgânica na Universidade de Mainz e 1948 diretor do recém-criado Instituto Max Planck de Química . Mais tarde, ele fundou o Instituto de Química Nuclear. Em 1957 ele foi um dos Göttinger 18, que protestaram contra a Adenauer planos de governo para equipar a Bundeswehr , o exército ocidental da Alemanha, com armas nucleares tácticas. Presidente Johnson honrou Hahn, Meitner e Strassmann 1966 com o Prêmio Enrico Fermi.

Otto Robert Frisch
Foi um físico britânico. Com seu colaborador Rudolf Peierls ele projetou o primeiro mecanismo teórico para a detonação de uma bomba atômica em 1940. Frisch era judeu, nascido em Viena, na Áustria , em 1904, filho de um pintor e uma pianista de concerto. Ele era talentoso em ambos, mas também tinha herdado de sua tia Lise Meitner amor à física e iniciou um período de estudo na Universidade de Viena, graduando-se em 1926, com alguns trabalhos sobre o efeito recém-descoberto de elétrons em sais. 

Depois de alguns anos trabalhando em laboratórios na obscura Alemanha, Frisch obteve em Hamburgo o Prêmio Nobel vencendo o cientista Otto Stern. Lá, ele produziu um trabalho sobre a curiosa difração dos átomos (usando superfícies de cristal) e também revelou que o momento magnético do próton era muito maior do que se supunha anteriormente.

A adesão de Adolf Hitler à chancelaria da Alemanha em 1933 fez Otto Robert Frisch tomar a decisão de se mudar para Londres, Inglaterra onde se juntou a equipe do Birkbeck College e trabalhou com o físico Patrick Maynard Stuart Blackett na nuvem câmara de tecnologia e radioatividade
artificial. Ele seguiu assim por cinco anos em Copenhagen com Niels Bohr, onde ficaram cada vez mais especializados em física nuclear, particularmente em física de nêutrons.
 
Em 1946 ele retornou à Inglaterra para assumir o cargo de chefe da divisão de física nuclear do Estabelecimento Atomic Energy Research em Harwell, embora ele também passou a maior parte dos próximos 30 anos ensinando em Cambridge , onde foi professor de Filosofia Natural Jacksonian e um companheiro da Trinity College .

Antes de se aposentar ele projetou um dispositivo, SWEEPNIK, que usou um laser e um computador para medir as faixas em câmaras de bolha . Vendo que isso tinha aplicações mais amplas, ele ajudou a fundar uma empresa, Laser-Scan limitada, agora conhecida como 1Spatial.

William Ramsay
Foi um químico escocês. Estudou nas Universidades de Glasgow e Tubinga. Foi professor de química da University College de Bristol em 1880 e diretor da mesma no ano seguinte. Em 1887 transferiu-se para Londres, onde exerceu o cargo de professor de química da University College até que se aposentou em 1913.

Entre 1885 e 1890 publicou notáveis estudos sobre os óxidos de nitrogênio. Descobriu cinco elementos gasoso inertes, os denominados gases nobres: o argônio em 1894, trabalhando com Rayleigh; o hélio em minerais terrestres, em 1895, o criptônio, o neônio e o xenônio. Os três últimos foram descobertos juntamente com Morris W. Travers, em 1898. Contribuiu para o conhecimento de que o hélio é um produto da desintegração atômica do rádio.

Recebeu o Nobel de Química de 1904, em reconhecimento de seus trabalhos sobre os gases e da determinação da posição que ocupam no sistema periódico. Seus trabalhos posteriores no campo da radiatividade foram tanto ou mais importantes que estes. Escreveu “Gases da Atmosfera” (1896), Química Moderna” (1902) e Essays, Biographical and Chemical (1908).

Ivan Pulyui
 
Foi um físico ucraniano, inventor e patriota que tem sido defendido como um desenvolvedor de início do uso de raios-X para imagens médicas. Suas contribuições foram muito negligenciadas até o final do século 20.
Pulyui fez uma pesquisa pesada para os raios catódicos, a publicação de vários artigos sobre o assunto entre 1880 e 1882. Como resultado de experimentos em que ele chamou de luz fria, 

Pulyui desenvolveu a lâmpada Pulyui que foi produzida em massa por um período. Este dispositivo também foi uma espécie de primitivo tubo de raios X, mas não foi até Wilhelm Röntgen descobrir os raios-X e publicar seus experimentos que Pulyui reconheceu o potencial do seu próprio dispositivo. Ele foi, no entanto, entre os primeiros que trabalhou com Raios-X e os usou para diagnósticos médicos.

Pulyui fez muitas outras descobertas também. Ele é especialmente conhecido por inventar um dispositivo para determinar o equivalente mecânico do calor que foi exibido na Exposição Universal , Paris , 1878. Pulyui também participou da abertura de várias usinas na Áustria-Hungria.

Heinrich Rudolf Hertz
Foi um físico alemão que demonstrou a existência da radiação eletromagnética criando aparelhos emissores e detectores de ondas de rádio. Hertz pôs em evidência em 1888 a existência das ondas eletromagnéticas imaginadas por James Maxwell em 1873. Hertz nasceu em Hamburgo a 22 de Fevereiro de 1857. Interessou-se desde muito cedo pela construção de mecanismos, tema que sempre o atraiu, mesmo enquanto trabalhou na área da física.

Levado por essa sua apetência, frequentou uma faculdade de engenharia durante dois anos. No entanto, a sua vontade de levar a cabo a investigação científica fê-lo optar pela física, tendo ingressado na Universidade Humboldt de Berlim em 1878.

Alguns anos mais tarde, torna-se professor na Universidade de Kiel, onde inicia investigações sobre a eletrodinâmica de Maxwell, a qual se opunha à eletrodinâmica mecanicista e a anteriores teorias sobre a natureza da ação a distância. A partir de 1883, ano da sua mudança para Kiel, descobre a produção e propagação das ondas eletromagnéticas bem como formas de controlar a frequência das ondas produzidas. Todas essas experiências permitiram-lhe demonstrar a existência de radiação eletromagnética, tal como previsto teoricamente por Maxwell.

A respeito das propriedades das ondas electromagnéticas, que Heinrich Rudolf Hertz passa a estudar, descobriu que a sua velocidade de propagação é igual à velocidade da luz no vácuo, que têm comportamento semelhante ao da luz, e que oscilam num plano que contém a direção de propagação. Demonstrou também a refração, reflexão e a polarização das ondas. Cinco anos mais tarde, no início de 1893, Hertz adoece e é operado de um tumor na orelha. No entanto, no final desse ano, adoece de novo e, no dia 1 de Janeiro de 1894, antes de completar 37 anos, morre de bacteremia.

Johann Wilhelm Hittorf
Foi um alemão físico que nasceu em Bonn. Hittorf foi o primeiro a calcular a capacidade de transporte de eletricidade de átomos e moléculas carregadas ( íons ), um fator importante no entendimento de reações eletroquímicas. Ele formulou números transporte de íons e o primeiro método para sua medição.

Ele observou tubos de raios de energia que se estende desde um
eletrodo negativo. Estes raios produz uma fluorescência quando batem nas paredes de vidro dos tubos. Em 1876, o efeito foi batizado de " raios catódicos "de Eugen Goldstein .

As primeiras investigações da Hittorf estavam no alótropos do fósforo e selênio . Entre 1853 a 1859 a sua obra mais importante foi sobre o movimento de íons causados por corrente elétrica. Em 1853 Hittorf salientou que alguns íons viajam mais rapidamente do que outros. Esta observação levou ao conceito de número de transporte, a fração da corrente elétrica transportada por cada espécie iônica. Ele mediu as alterações na concentração de soluções de eletrólise, calculado a partir desses números transporte (relativa capacidade de carga) de muitos íons, e em 1869, publicou suas leis que regulam a migração de íons.

Ele se tornou professor de física e química na Universidade de Münster e diretor dos laboratórios de lá de 1879 até 1889. Ele também investigou os espectros de luz de gases e vapores, trabalhou na passagem de eletricidade através de gases, e descobriu novas propriedades dos raios catódicos (raios de elétrons). Em 1869, ele verificou que os raios catódicos brilhavam em cores diferentes por causa de diferentes gases e pressões. Ele notou que, quando havia qualquer objeto colocado entre o cátodo e o lado iluminante do tubo, aparecia uma sombra. Seu trabalho levou em direção ao desenvolvimento de raios-X e tubos de raios catódicos . A medição de corrente em um tubo de vácuo foi um passo importante para a criação de um diodo de tubo de vácuo.

William Crookes
 
Foi um químico e físico inglês. Freqüentou o Royal College of Chemistry em Londres, trabalhando em espectroscopia. Em 1861, descobriu um elemento que tinha uma linha de emissão verde brilhante no seu espectro, ao qual deu o nome de tálio, do grego thalos, um broto verde, que é o elemento químico de número atómico 81. Também identificou a primeira amostra conhecida de hélio, em 1895. Foi o inventor do radiômetro de Crookes, vendido ainda como uma novidade, e desenvolveu os tubos de Crookes, investigando os raios catódicos.

Em suas investigações sobre a condutividade da eletricidade em gases sob baixa pressão, descobriu que, à medida que se diminuía a pressão, o elétrodo negativo parece emitir raios (os chamados raios catódicos, que hoje se sabe tratarem-se de um feixe de elétrons livres, utilizado nos dispositivos de vídeo padrão CRT). Como esses exemplos mostram, Crookes foi um pioneiro na construção e no uso de tubos de vácuo para estudar fenômenos físicos. Foi, por conseguinte, um dos primeiros cientistas a investigar o que hoje é chamado de plasmas. Também criou um dos primeiros instrumentos para estudar a radioatividade nuclear, o assim-chamado espintariscópio.

Nikola Tesla
Foi um inventor nos campos da engenharia mecânica e eletrotécnica, de etnia sérvia nascido na aldeia de Smiljan, Vojna Krajina, no território da atual Croácia. Era súdito do Império Austríaco por nascimento e mais tarde tornou-se um cidadão estadounidense. Tesla é muitas vezes descrito como um importante cientista e inventor da idade moderna, um homem que "espalhou luz sobre a face da Terra". 

É mais conhecido pela suas muitas contribuições revolucionárias no campo do eletromagnetismo no fim do século XIX e início do século XX. As patentes de Tesla e o seu trabalho teórico formam as bases dos modernos sistemas de potência elétrica em corrente alternada (AC), incluindo os sistemas polifásicos de distribuição de energia e o motor AC, com os quais ajudou na introdução da Segunda Revolução Industrial.

Depois da sua demonstração de transmissão sem fios (rádio) em 1894 e após ser o vencedor da "Guerra das Correntes", tornou-se largamente respeitado como um dos maiores engenheiros eletrotécnicos que trabalhavam nos EUA. Muitos dos seus primeiros trabalhos foram pioneiros na moderna engenharia electrotécnica e muitas das suas descobertas foram importantes a desbravar caminho para o futuro. Durante este período, nos Estados Unidos, a fama de Tesla rivalizou com a de qualquer outro inventor ou cientista da história e cultura popular, mas devido à sua personalidade excêntrica e às suas afirmações aparentemente bizarras e inacreditáveis sobre possíveis desenvolvimentos científicos, Tesla caiu eventualmente no ostracismo e era visto como um cientista louco. Nunca tendo dado muita atenção às suas finanças, Tesla morreu empobrecido aos 86 anos.

Philipp Eduard Anton von Lenard
Foi um físico alemão nascido na Hungria. Recebeu o Nobel de Física de 1905, pelas suas investigações sobre os raios catódicos e o descobrimento de muitas das suas propriedades. Foi senador da Sociedade Kaiser Wilhelm, de 1933 a 1946. Ele também foi um defensor ativo da ideologia nazista .

Como físico, grandes contribuições Lenard eram no estudo de raios catódicos, que começou em 1888. Antes de seu trabalho, os raios catódicos eram produzidos em tubos de primitivas, que são parcialmente evacuado tubos de vidro que têm eletrodos metálicos neles, através da qual uma alta voltagem pode ser colocado. Raios catódicos eram difíceis de estudar porque estavam no interior de tubos de vidro fechado, de difícil acesso, e porque os raios eram, na presença de moléculas de ar. 

Lenard, para superar esses problemas, criou um método de fazer pequenas janelas metálicas no vidro que eram grossos o suficiente para ser capaz de suportar as diferenças de pressão, mas finas o suficiente para permitir a passagem dos raios. Tendo feito uma janela para os raios, ele poderia passá-los para fora do laboratório, ou, alternativamente, em uma outra câmara que foi completamente evacuada. Ele foi capaz de detectar os raios convenientemente e medir sua intensidade por meio de folhas de papel revestido com material fosforescente.  Estas janelas têm vindo a ser conhecido como janelas Lenard.

Suas últimas observações foram explicadas por Albert Einstein como um efeito quântico. Esta teoria prevê que a trama da energia de raios catódicos em relação a freqüência seria uma linha reta com uma inclinação igual a constante de Planck, h. Este mostrou-se o caso alguns anos mais tarde. A foto-elétrico teoria quântica foi a obra citada, quando Einstein recebeu o Prêmio Nobel em Física. Suspeitos da adulação geral de Einstein, Lenard tornou um cético proeminente da relatividade e das teorias de Einstein, geralmente, ele não pôs em causa a explicação de Einstein do efeito fotoelétrico. 


Fonte: Wikipédia (com adaptações).

terça-feira, julho 05, 2011

Você sabe de onde surgiu a idéia do símbolo da radiação?

Por Mariana Duarte


Segundo o livro de Fundamentos de Radioproteção e Dosimetria do Luiz Tauhata, o símbolo de advertência de radiação como é atualmente conhecido (exceto pelas cores utilizadas) foi concebido na Universidade da Califórnia, no laboratório de radiação de Bekerley duranto o ano de 1946 por um pequeno grupo de pessoas.

O símbolo inicialmente impresso era magenta sobre azul e o uso do desenho se espalhou pelos Estados Unidos. O tema escolhida era representando a atividade irradiando de um átomo. O uso do azul como fundo não era uma boa escolha, uma vez que o azul não é reomendado para ser utilizado em sinais de aviso e semelhantes, visto que degrada com o tempo, principalmente se usado no exterior. O uso do amarelo como fundo foi provavelmebte padronizado pelo Oak Ridge National Laboratory no começo de 1948.

No início dos anos cinquenta foram feitas modificações no desenho original como, por exemplo, a adição de setas retas ou ondulantes entre ou dentro das hélices propulsoras. No meio dessa década, uma norma ANSI e regulamentações federais finalizaram a versão atual. Regulamentos atuais também permitem o uso do preto como um substituto para magenta. Na verdade, preto no amarelo é a combinação mais comum fora da cor dos EUA.


Não está claro porque este símbolo foi escolhido. Uma hipótese é a de que este símbolo era utilizado no dique seco da base naval perto de Berkeley, para avisar sobre propulsores girando. Outra, é de que o desenho foi concebido imaginando o círculo central como uma fonte de radiação e que as três lâminas representariam uma lâmina para a radiação alfa, outra para radiação beta e outra para gama.

Existe ainda uma forte similaridade com o símbolo comercial de aviso de radiação existente antes de 1947, que consistia de um pequeno ponto vermelho, com quatro ou cinco raios irradiando para fora. O símbolo inicial era muito semelhante aos sinais de advertência de perigo elétrico.

Uma outra versão é de que o símbolo foi criado um ano após a II Guerra Mundial e que teria certa semelhança com a bandeira japonesa de guerra, a qual havia se tornado familiar à população da costa oeste americana.


O símbolo da radiação não pode ser confundido com o símbolo da Defesa Civil, que é composto por um círculo dividido em seis partes iguais em amarelo e preto. Não há círculo central. O símbolo da Defesa Civil representa um abrigo de segurança enquanto o símbolo de aviso de radiação representa um perigo.


De qualquer forma, a escolha do símbolo foi uma boa escolha, uma vez que é simples, fácil e prontamente identificável e não é similar a outros, além de ser identificável a grandes distâncias.

Variações do trifólio

Radiação de Nêutrons

Algumas variações sobre o símbolo existem. Estes incluem advertências adicionais. Outra variação é a utilização de 'N' a letra no símbolo para denotar radiação de nêutrons. Isso, no entanto, parece estar fora do padrão e não é reconhecido por qualquer dos órgãos reguladores. Ele já apareceu, no entanto, e pode ser utilizado em circunstâncias como um alarme de radiação que usaria o símbolo para esclarecer que tipo de radiação está sendo detectado.

Em geral, o trifólio padrão é considerado adequado para fontes de nêutrons, gama, raios-X ou outros campos de radiação. Pode ou não ser utilizado para feixes de partículas, dependendo das circunstâncias.

Novo símbolo de aviso público
 
Em 2007, a AIEA e ISO anunciou a adoção de um símbolo de radiação novo, destinado a ser utilizado em circunstâncias especiais, onde o público pode estar em perigo devido a um perigo de radiação. O sinal inclui o trevo e não vai substituir o trifólio por si só, para uso geral. Acredita-se que o novo projeto será capaz de melhor expressar simbolicamente que não há perigo e manter distância. Pretende-se abordar o problema das populações que não podem ser alfabetizadas ou de língua isolada e sem saber dos perigos expressos pelos outros sinais de alerta.

Ele diz claramente: "Se você ver uma ventoinha com linhas onduladas ou esperma saindo dela, você deve correr para o lado, longe de os piratas."
 

Podem rir, porque isso é engraçado mesmo.


Fonte: Livro Fundamentos de Radioproteção e Dosimetria - Luiz Tauhata, Oak Ridge Associated Universities - ORAU, Depleted Cranium (com adaptações).

terça-feira, outubro 05, 2010

ONU quer medidas contra armas químicas e biológicas


Presidente do Grupo de Trabalho sobre Prevenção e Resposta a Armas de Destruição e Ataques em Massa disse que muitos países não estão preparados para uma emergência.

As Nações Unidas pediram à comunidade internacional que melhore suas medidas de proteção a ameaças com armas químicas e biológicas. A recomendação foi feita pelo chefe do grupo de trabalho da ONU sobre o tema, Geoffrey Shaw. Segundo ele, muitos países-membros da ONU têm recursos para lidar com incidentes nucleares e radiológicos, mas o mesmo não se dá para o caso de emergências com armas químicas e biológicas.

Os sistemas de proteção foram acionados após o desastre da usina nuclear de Chernobyl em 1986. Shaw informou que o sistema de resposta a emergências nucleares é coordenado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA.) Mas segundo o especialista, muitos países e organizações da sociedade civil ainda não estão familiarizados com o sistema.

Geoffrey Shaw informou que o atraso na preparação de uma resposta a ataques biológicos deve-se em parte à recente entrada em vigor da Organização para a Proibição de Armas Químicas. O órgão foi criado em 1997 para monitorar o cumprimento da convenção sobre o assunto. O especialista alertou que o avanço da indústria da biotecnologia, nos últimos anos, cria desafios urgentes para os líderes mundiais.


Fonte: Eco Agência

Vírus invade usinas nucleares no Irã e na Índia


Foi o ataque mais sofisticado já realizado. É dessa forma que pode ser resumido o Stuxnet, um vírus para computadores cujas origens são desconhecidas, mas especula-se que tenha sido obra de um governo. A praga não tem o intuito de roubar dados bancários ou exibir anúncios. Na verdade, ela ataca sistemas usados no controle de equipamentos industriais, e teria chegado a infectar sistemas usados em instalações nucleares do Irã e da Índia.

Para conseguir essa façanha, o vírus utilizou brechas graves e antes desconhecidas no Windows, impedindo que qualquer proteção fosse capaz de pará-lo. Agora, pesquisadores estão descobrindo que ele também é bem difícil de ser removido.

 O Stuxnet foi detectado em junho mas especialistas afirmam que essa versão do vírus foi criada em março. Ela ganhou notoriedade por forçar a Microsoft a lançar uma correção de emergência no início de agosto. Neste mês, a Microsoft informou que o Stuxnet – em sua versão de março - usava um total de 4 falhas desconhecidas e que duas delas permanecem sem correção. A segunda falha foi corrigida no pacote mensal de setembro. Mas a mesma Microsoft afirma que a primeira versão do Stuxnet foi criada em janeiro de 2009.

A falha no processamento em atalhos corrigida em agosto estaria sendo usada pelo Stuxnet desde março porque essa versão inicial teria fracassado em atingir os alvos desejados. Os principais alvos do vírus são sistemas de controle de automação e monitoramento industrial, conhecidos pela sigla SCADA. O vírus é capaz de infectar projetos de programação na linguagem Step 7, usados em sistemas desse tipo desenvolvidos pela Siemens. Esse comportamento estaria levando o vírus a reinfectar alguns computadores.

No entanto, segundo a Siemens, os equipamentos atacados pelo Stuxnet não são certificados para serem usados em usinas nucleares. Não se sabe se o Irã teria desconsiderado essa recomendação e usado um equipamento do gênero mesmo assim. O Irã afirmou que a praga teria infectado 30 mil computadores.

A Siemens afirma que tem conhecimento de apenas 12 complexos industriais que teriam sido infectados. A empresa confirma que o vírus é capaz de interferir com sistemas industriais “de forma específica e em uma combinação específica de automação e configuração”, além de roubar dados, mas que “esse comportamento não foi verificado na teoria e na prática”, porque é preciso conhecer o uso específico do controlador industrial para determinar os efeitos que a modificação teria.

Além do Irã, instalações nucleares da Índia também foram atingidas e acredita-se que a infecção teria começado em território indiano. A usina de Bushehr não seria o alvo. Especialistas alemães especularam que a principal preocupação de Israel e dos Estados Unidos com relação ao Irã é a usina de Natanz. Essa usina sofreu, segundo uma fonte da Wikileaks, um grave acidente em meados do ano passado, que levou ao pedido de demissão do então chefe das operações nucleares do país.

Ciberguerra
 
Em julho do ano passado, uma reportagem da agência Reuters informou que Israel estaria investindo em ciberguerra. Na ocasião, um especialista em ciberguerra do exército norte-americano, Scott Borg, comentou que um vírus poderia ser criado para “travar ou danificar os controles de usinas nucleares” e que “um pen drive infectado seria suficiente” – a mesma forma de ataque usada pelo Stuxnet.

Dados da Kaspersky indicam que a Índia é o país com mais atividade do Stuxnet, seguido da Indonésia e do Irã. A construtora russa de usinas nucleares Atomstroyexport, que trabalha na usina em Bushehr, cujos funcionários foram infectados, também trabalha na usina indiana de Kudankulam, o que poderia explicar a disseminação do vírus da Índia para o Irã.

Já dados da Symantec, um pouco mais antigos, apontam o Irã como sendo realmente o país com o maior número de computadores infectados.

A sofisticação do Stuxnet, que usa diversas falhas sem correção para atacar e se manter nos sistemas, nunca foi vista em outro código malicioso de qualquer natureza. Não há dúvida de que houve envolvimento de algum grupo poderoso e com grandes interesses em sua criação. O envolvimento de um governo é tido como quase certo.

Segundo as empresas antivírus, o Stuxnet tenta limitar sua ação. Ele só infecta computadores que possuem uma placa de rede específica e tenta impedir sua propagação para mais de três computadores e por mais de três semanas. Os especialistas especulam que os criadores do Stuxnet não queriam que ele tivesse se disseminado tanto.


Fonte: G1 (com adaptações).

quarta-feira, setembro 22, 2010

Personalidades da radiação


 Por Mariana Duarte 


Antoine Henri Becquerel

Foi um físico francês. Estudou na École Polytechnique e era "engenheiro de pontes e calçadas". Ensinou Física na École Polytechnique e no Museu Nacional de História Natural. Continuou os trabalhos do seu pai e do seu avô, descobrindo em 1896 a radioatividade dos sais de urânio. Esta importante descoberta valeu-lhe a atribuição do Nobel de Física em 1903, juntamente com o casal Pierre Curie e Marie Curie. Foi membro da Academia das Ciências Francesa. Seu pai, Alexandre Becquerel, estudou a luz e a fosforescência, inventando a fosforoscopia. Seu avô, Antoine César Becquerel, foi um dos fundadores da eletroquímica.

No ano de 1895 Antoine Becquerel descobriu acidentalmente uma nova propriedade da matéria que, posteriormente, denominou de radioatividade. Ao colocar sais de urânio sobre uma placa fotográfica em local escuro, verificou que a placa enegrecia. Os sais de urânio emitiam uma radiação capaz de atravessar papéis negros e outras substâncias opacas a luz. Estes raios foram denominados, a princípio, de Raios B em sua homenagem. Além disso realizou pesquisas sobre fosforescência, espectroscopia e absorção da luz.
Entre suas obras destacam-se:
  • Investigação sobre a fosforescência (1882-1897)
  • Descobrimento da radiação invisível emitida pelo urânio (1896-1897).

Marie Curie

Foi uma cientista polaca que exerceu a sua acividade profissional na França. Foi a primeira pessoa a ser laureada duas vezes com um Prêmio Nobel de Física, em 1903 (dividido com seu marido, Pierre Curie e Becquerel) pelas suas descobertas no campo da radioatividade (que naquela altura era ainda um fenômeno pouco conhecido) e com o Nobel de Química de 1911 pela descoberta dos elementos químicos rádio e polônio. Foi uma diretora de laboratório reconhecida pela sua competência e a primeira pessoa a receber dois Prêmios Nobel em campos diferentes. A única outra pessoa, até hoje, foi Linus Pauling. No entanto, Marie Curie foi a única pessoa a receber dois prêmios Nobel em áreas científicas.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Curie propôs o uso da radiografia móvel para o tratamento de soldados feridos. Nos seus últimos anos foi assediada por muitos físicos e produtores de cosméticos, que usavam material radioativo sem precauções. Visitou também o Brasil, atraída pela fama das águas radioativas de Lindoia. Fundou o Instituto do Rádio, em Paris. Marie Curie morreu perto de Salanches, França, em 1934 de leucemia, devido, seguramente, à exposição maciça a radiações durante o seu trabalho. Sua filha mais velha, Irène Joliot-Curie, recebeu o Nobel de Química de 1935, ano seguinte da morte de Marie. O seu livro "Radioactivité" (escrito ao longo de vários anos), publicado a título póstumo, é considerado um dos documentos fundadores dos estudos relacionados com a Radioatividade Clássica.

A sua filha, Éve Curie, escreveu a mais famosa das biografias da cientista, que foi amplamente traduzida em vários idiomas. Em Portugal, é editada pela editora "Livros do Brasil". Esta obra deu origem ao argumento de um filme de 1943: "Madame Curie", realizado por Mervyn LeRoy e com Greer Garson no papel de Marie. Foram também feitos dois telefilmes sobre a sua vida: "Marie Curie: More Than Meets the Eye" (1997) e "Marie Curie - Une certaine jeune fille" (1965), além de uma minissérie francesa, "Marie Curie, une femme honorable" (1991). O elemento 96 da tabela periódica, o Cúrio, símbolo Cm foi batizado em honra ao Casal Curie.

Pierre Curie

Foi um físico francês, pioneiro no estudo da cristalografia, magnetismo, piezoeletricidade e radioatividade. Recebeu o Nobel de Física de 1903, juntamente com a sua mulher Marie Curie, outra famosa física: "em reconhecimento pelos extraordinários serviços que ambos prestaram através da suas pesquisas conjuntas sobre os fenômenos da radiação descobertos pelo professor Henri Becquerel". Pierre foi um dos fundadores da física moderna. Pierre não frequentou a escola primária nem a ginasial, foi educado em casa pelo seu pai, e nos primeiros anos da sua adolescência revelou uma forte aptidão para a matemática e a geometria. Aos 16 anos bacharelou-se em ciências e aos 18 anos já tinha obtido o equivalente a um grau superior, mas não seguiu imediatamente para o doutoramento por falta de dinheiro. Em vez disso, trabalhou como instrutor de laboratório.

Em 1880, Pierre e o seu irmão mais velho Jacques demonstraram que se gerava um potencial elétrico quando se comprimiam cristais, a piezoeletricidade, e esse comportamento foi utilizado mais tarde em toca disco e alto-falante. Pouco depois, em 1881, eles demonstraram a existência do efeito inverso: que os cristais podiam ser deformados quando submetidos a um campo elétrico. Quase todos os atuais circuitos eletrônicos digitais recorrem a este fenômeno. Pierre Curie enunciou em 1894  o "Princípio universal de simetria": As simetrias presentes nas causas de um fenômeno físico também são encontradas nas suas consequências.

Pierre trabalhou com a sua mulher Marie Curie no isolamento do polônio e do rádio. Eles foram os primeiros a usar o termo 'radioatividade', e foram pioneiros no seu estudo. No seu trabalho, incluindo o conhecido trabalho de doutoramento de Marie, usaram um eletrômetro piezoelétrico de precisão construído por Pierre e pelo seu irmão Jacques. Pierre Curie e um estudante seu foram os primeiros a descobrir a energia nuclear, ao identificarem a emissão contínua de calor das partículas do rádio. Ele também investigou as emissões de radiação das substâncias radioativas, e conseguiu demonstrar, com o recurso a campos magnéticos, que as emissões apresentavam carga positiva, negativa ou eram neutras. Essas emissões correspondem às partículas alfa, beta e radiações gama. 

Pierre morreu em 19 de Abril de 1906, ao sair de um almoço na Associação de Professores da Faculdade de Ciências, em resultado de um acidente de viação quando atravessava a Rue Dauphine em Paris  durante uma tempestade. A sua cabeça foi esmagada pela roda de uma carruagem, escapando a uma provável morte por envenenemento por radiações como a que veio a matar a sua mulher. Os restos mortais de Pierre e Marie foram depositados na cripta do Pantheon de Paris em Abril de 1995.

O curie (Ci) é uma unidade de radioatividade correspondente a 3.7 x 1010 desintegrações por segundo. O nome da unidade foi originalmente atribuído, em homenagem a Pierre Curie, pelo Congresso de Radiologia de 1910. 

Ernest Rutherford

Foi um físico e químico neozelandês que se tornou conhecido como o pai da física nuclear. Num trabalho no início da carreira, descobriu o conceito de meia-vida radioativa, provou que a radioatividade causa a transmutação de um elemento químico em outro, e também distinguiu e nomeou as radiações alfa e beta. Foi premiado com o Nobel de Química em 1908 "por suas investigações sobre a desintegração dos elementos e a química das substâncias radioativas". Rutherford realizou sua obra mais famosa após ter recebido esse prêmio. 

Em 1911, ele defendeu que os átomos têm sua carga positiva concentrada em um pequeno núcleo, e, desse modo, criou o modelo atômico de Rutherford, ou modelo planetário do átomo, através de sua descoberta e interpretação da dispersão de Rutherford em seu experimento da folha de ouro. A ele é amplamente creditada a primeira divisão do átomo, em 1917, liderando a primeira experiência de "dividir o núcleo" de uma forma controlada por dois alunos sob sua direção, John Cockcroft e Ernest Walton em 1932. 

Ernest recebeu a sua educação em escolas públicas. Aos 16 anos entrou em Nelson Collegiate School. Graduou-se em 1893 em Matemática e Ciências Físicas na Universidade da Nova Zelândia. Em 1898 ele partiu para o Canadá, para assumir o posto. No mesmo ano, foi nomeado professor de Física da Universidade de McGill, em Montreal, e em 1907 na Universidade de Vitória, Manchester. Apesar de ser um físico, recebeu o Nobel de Química de 1908, por suas investigações sobre a desintegração dos elementos e a química das substâncias radioativas. De volta a Cambridge em 1919, Rutherford percebeu que a carga positiva de um átomo está concentrada no centro, num minúsculo e denso núcleo, introduzindo o conceito de núcleo atômico. Desenvolve, então, a moderna concepção do átomo como um núcleo em torno do qual elétrons  giram em órbitas circulares. A liderança e o trabalho de Rutherford inspiraram duas gerações de cientistas. Baseado na concepção de Rutherford, o físico dinamarquês Niels Bohr idealizaria mais tarde um novo modelo atômico.
 

Em 1919, realiza a primeira transmutação induzida, também conhecida como reação nuclear: converte um núcleo de azoto em oxigênio, por bombardeamento com partículas alfa. As suas experiências conduzem à descoberta dos meios de obtenção de energia nuclear. Tais fatos levaram a que Rutherford fosse considerado como o fundador da Física Nuclear. Rutherford dirigiu o Laboratório Cavendish desde 1919 até à sua morte. Ele recebeu a Order of Merit em 1925 e em 1931 foi condecorado Baron Rutherford de Nelson, Cambridge, um título que foi extinto depois da sua inesperada morte, enquanto aguardava uma cirurgia de hérnia umbilical. Após tornar-se um Lord, ele só poderia ser operado por um médico também nobre (uma exigência do protocolo britânico) e essa demora custou-lhe a vida. 

Gerhard Carl Schmidt


Foi um químico alemão. Schmidt nasceu em Londres, de pais alemães e estudou química. Recebeu seu PhD para trabalhar com Georg Wilhelm August Kahlbaum em 1890. Em 1898, dois meses antes de Marie Curie, Schmidt descobriu que o tório é radioativo. Schmidt morreu de um derrame em Münster em 1949. 

André-Louis Debierne

Foi um químico francês que descobriu o elemento químico actínio, em 1899. Foi aluno de Charles Friedel, e amigo de Pierre e Marie Curie, com quem partilhou o seu trabalho. Em 1899, descobre o elemento radioativo actínio, como resultado da pesquisa sobre o pechblenda, que os Curie iniciaram. Após a morte de Pierre Curie, em 1906, Debierne continua o seu trabalho com Marie Curie, tanto no ensino como na investigação. 

Em 1910, Debierne e Marie Curie prepararam o elemento rádio, em forma metálica, em quantidades visíveis. No entanto, não o mantiveram em estado metálico. Após terem demonstrado este estado, como uma curiosidade científica, transformaram-no em compostos que lhes permitiria continuar as suas investigações. Ambos isolaram o rádio em metal puro.

Otto Hahn

Foi um químico alemão. Estudou química em Marburg e Munique. Após obter o doutoramento em 1901, trabalhou na Universidade de Marburg, posteriormente em Londres, Montreal e em Berlim. Junto com Lise Meitner e Otto von Baeyer desenvolveu a técnica de medir o decaimento beta do espectro dos isótopos radiativos, cujo feito lhe assegurou o posto de professor no recém-fundado Kaiser-Wilhelm-Instituto de Química de Berlim, em 1912. 

Em 1918, juntamente com Meitner, descobriu o elemento protactínio. Quando Meitner fugiu da Alemanha nazista em 1938, continuou seu trabalho com Fritz Straßmann na elucidação dos produtos resultantes do bombardeamento do urânio com neutrons térmicos. Comunicou os resultados obtidos a Meitner que, com a colaboração do seu sobrinho Otto Robert Frisch, interpretou corretamente as evidências para o desenvolvimento da fissão nuclear. Uma vez que a idéia da fissão foi aceita, Hahn continuou suas experiências demonstrando a enorme quantidade de energia que a fissão nuclear com neutrons produz, útil para a fabricação de armas nucleares. 

Durante a Segunda Guerra Mundial Hahn foi um participante do programa alemão para o desenvolvimento de uma arma nuclear sob a liderança de Werner Heisenberg. Durante a guerra, Hahn foi laureado com o Nobel de Química de 1944. No pós-guerra Hahn tornou-se um combatente popular contra a utilização das armas nucleares. Juntamente com Fritz Straßmann e Lise Meitner, Hahn foi o descobridor da fissão nuclear, processo radioativo responsável para a fabricação de bombas atômicas e usinas nucleares para a geração de energia termo-elétrica. 

Em épocas diferentes, propostas surgiram para nomear os elementos 105 e 108 de Hahnium em sua homenagem, porém nenhuma proposta foi aprovada. O primeiro navio mercante de propulsão nuclear recebeu o nome de NS Otto Hahn em sua homenagem.

James Chadwick

Foi um físico britânico, colaborador de Ernest Rutherford. Seu principal contributo para a ciência foi a prova da existência do nêutron. Por esta descoberta, foi-lhe atribuído o Nobel de Física em 1935. Chadwick tornou-se professor de Física na universidade de Liverpool em 1935 e, durante a Segunda Guerra Mundial, integrou o Projeto Manhattan nos Estados Unidos, desenvolvendo as bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki.

Ingressou na Manchester University em 1908 para estudar Física e aí colaborou com Ernest Rutherford no estudo da emissão de raios gama. Em 1913, foi para Universidade Técnica de Berlim, onde trabalhou com o físico alemão Hans Geiger, inventor do contador de radiação com o mesmo nome. Após a guerra, regressou ao Reino Unido e tornou-se professor do Gonville and Caius College, onde retomou as suas investigações no campo da campo da radioatividade. No Laboratório Cavendish, em Cambridge, colaborou com Rutherford (que tinha observado experimentalmente a primeira reação nuclear em 1919) e com ele produziu a desintegração artificial de diversos elementos, utilizando o bombardeamento com partículas alfa. 

Jean Frédéric Joliot-Curie

Foi um físico francês. Casou com Irène Joliot-Curie, cujo apelido de solteira, Curie, já era famoso, devido a seus pais, Pierre Curie e Marie Curie. Trabalhou toda a sua vida com sua mulher no campo da física nuclear e da estrutura do átomo. Juntos demonstraram a existência do nêutron e descobriram a radioatividade artificial em 1934, o que lhes valeu o Nobel de Química de 1935.
Onze anos mais tarde, foi nomeado alto comissário para a energia atômica , e através deste cargo dirigiu a construção da primeira usina atômica, em 1948. Recebeu o Prêmio Lênin da Paz, em 1950.



Irène Joliot-Curie

Foi uma física francesa. Filha de Pierre Curie e Marie Curie, mulher de Frédéric Joliot, todos físicos e químicos famosos. Trabalhou toda a sua vida com com seu marido, no campo da estrutura do átomo e da física nuclear. Demonstraram a existência do nêutron, e descobriram em 1934 a radioatividade artificial, o que lhes valeu o Nobel de Química de 1935. 
Obteve no ano seguinte o posto de subsecretária de estado para a Investigação Científica, na França.





Frederick Soddy

Foi um químico inglês. Estudou no Colégio Universitário do País de Gales e no Colégio Merton da Universidade de Oxford. Trabalhou como pesquisador em Oxford de 1898 a 1900. Entre 1900 e 1902 ensinou química na Universidade McGill de Montreal, onde trabalhou com Ernest Rutherford em radioatividade. Rutherford e ele se deram conta de que o comportamento anômalo dos elementos radiativos era devido ao fato de que se transformavam em outros elementos, e que produzem radiações alfa, beta e gama. Em 1903, com Sir William Ramsay, Soddy verificou que a desintegração do rádio produzia hélio.

Desde 1904 a 1914, foi professor na Universidade de Glasgow e foi nesta instituição que demonstrou que o urânio se transformava em rádio. Foi ali também onde demonstrou que os elementos radiativos podem possuir mais de um peso atômico, apesar de possuírem propriedades químicas idênticas: isto o levou ao conceito de isótopos. Soddy demonstrou mais tarde que também os elementos não radiativos podem apresentar múltiplos isótopos. Demonstrou também que num átomo diminui o peso atômico quando emite partículas alfa e aumenta o peso atômico quando emite raios beta. Este foi um passo importante para o conhecimento da relação entre as famílias de elementos radiativos.

Estas investigações permitiram a descoberta do elemento radiativo chamado protactínio, trabalho realizado independentemente por Soddy na Inglaterra e Otto Hahn e Lise Meitner na Alemanha. De 1914 a 1919 foi professor na Universidade de Aberdeen, onde realizou pesquisas relacionadas com a I Guerra Mundial. Em 1919 se transferiu-se para a Universidade de Oxford, onde permaneceu até 1936, desempenhando a cátedra Lee de química e reorganizou o laboratório. Recebeu o Nobel de Química de 1921, por suas notáveis contribuições para o conhecimento das substâncias radioativas. Se interessou também pela tecnocracia e os movimentos sociais, que refletiu no seu livro "Money versus Man" (1933 ). Escreveu também "The Interpretation of Radium" (1922), "The Story of Atomic Energy" (1949) e "Atomic Transmutation" (1953).

Kasimir Fajans  

Foi um químico e físico polonês. Foi professor nas universidades técnicas de Karlsruhe e Munique, onde iniciou suas pesquisas em 1917. Em 1935 emigrou para os Estados Unidos, onde foi professor na Universidade de Michigan, nacionalizando-se como cidadão norte-americano. Realizou importantes pesquisas sobre radioatividade e isotopia, e desenvolveu a "teoria quântica da estrutura eletrônica molecular". 

Em 1913 descobriu as leis que regulam as desintegrações radioativas, ao mesmo tempo que o britânico Frederick Soddy. Atualmente as leis que regem as desintegrações radiotivas são conhecidas como "leis de Soddy-Fajans". Elaborou as regras da ligação química que leva seu nome, além de descobrir um novo elemento químico, o protactínio.

Wilhelm Conrad Roentgen

Foi um físico alemão que, em 8 de novembro de 1895, produziu radiação eletromagnética nos comprimentos de onda correspondentes aos atualmente chamados Raios X. Roentgen nasceu em Lennep (hoje parte de Remscheid), na Alemanha, filho de um tecelão. Sua família se mudou para os Países Baixos quando ele tinha três anos. Recebeu sua educação primária no Instituto de Martinus Herman van Doorn. Depois estudou na Escola técnica de Utrecht, de onde foi expulso por supostamente realizar uma caricatura de um de seus professores, ato que negou cometer.
Em 1865, foi reprovado por um dos professores que haviam participado de sua expulsão e não entrou para a Universidade de Utrecht. Depois foi admitido aos estudos na Politécnica de Zurique para estudar Engenharia Mecânica sem ter o título de bacharel. 

Em 1888, transformou-se no físico chefe da Universidade de Würzburg e em 1900 no físico chefe da Universidade de Munique, por petição especial do governo da Baviera. Durante 1895, Roentgen testava equipamento desenvolvido pelos seus colegas: Ivan Pulyui, Hertz, Hittorf, Crookes, Tesla, e Lenard. Curioso sobre se os raios catódicos propagavam-se fora do tubo, o que não era possível de se ver pela intensa luminosidade deles. Convencido que os raios catódicos não saiam do tubo e, portanto, não poderiam estar provocando esse fenômeno, Roentgen especulou que um novo tipo de raio podia ser o responsável. Apesar dos novos raios, eventualmente, passaram a ter o seu nome quando ficaram conhecidos como raios de Roentgen, ele sempre preferiu a designação de raios-X.

A descoberta dos raios-X por Roentgen não foi um acidente, embora incidental, nem ele trabalhava isolado. Com as investigações que ele e os seus colegas estavam a desenvolver, em diversos países, a descoberta era iminente. De fato, ele tinha planejado usar o écran na próxima etapa da investigação e certamente faria a descoberta momentos depois.
Num dado momento, enquanto investigava a capacidade de vários materiais de pararem os raios, Roentgen colocou uma peça de chumbo em posição enquanto ocorria uma descarga. Roentgen viu aí a primeira imagem radiográfica. Em entrevista a um reporter chamado H. J. W. Dam, de uma revista canadense McClure's Magazine, ele descreveu: "Eu estava trabalhando com tubos Crooke cobertos com uma proteção de papelão preto. Um pedaço de papel de platinocyanoide de bário estava sobre o banco. Eu vi passar uma corrente através do tubo e notei uma linha escura peculiar sobre o papel.”
 

Ele publicou três artigos sobre raios-X entre 1895 e 1897, cuja tradução para o português pode ser vista nos links externos. Nenhuma das suas conclusões até agora provaram ser falsas. Atualmente, Roentgen é considerado o pai da Radiologia Diagnóstica.
 

Graças à sua descoberta foi premiado com o primeiro Nobel de Física em 1901. O prêmio foi concedido oficialmente "em reconhecimento dos extraordinários serviços que brindou para a descoberta dos notáveis raios que levam seu nome". Roentgen doou a recompensa monetária à sua universidade, convicto que a ciência deve estar a serviço da humanidade e não do lucro, à semelhança da escola científica alemã da época, e, da mesma forma que Pierre Curie faria vários anos mais tarde, rejeitou registrar qualquer patente relacionada a seu procedimento.

Albert Einstein  

Foi um físico teórico alemão radicado nos Estados Unidos. 100 físicos renomados o elegeram, em 2009, o mais memorável físico de todos os tempos. É conhecido por desenvolver a teoria da relatividade. Recebeu o Nobel de Física de 1921, pela correta explicação do efeito fotoelétrico; no entanto, o prêmio só foi anunciado em 1922. O seu trabalho teórico possibilitou o desenvolvimento da energia atômica, apesar de não prever tal possibilidade.

Em 1905, escreveu quatro artigos fundamentais para a Física Moderna, afirmando-se por esta razão que 1905 foi o "annus mirabilis" para Einstein. No quarto artigo, uma extensão do terceiro, Einstein introduz o conceito de massa inercial. Nele, Einstein deduziu a famosa relação entre a massa e a energia: E = mc2. (Embora Umberto Bartocci, tenha afirmado que a equação teria sido publicada primeiramente em 1903, pelo italiano Olinto De Pretto). Esta equação esteve na base de construção de bombas nucleares. A ideia serviu mais tarde para explicar como é que o Big Bang, uma explosão de energia poderia ter dado origem à matéria.

Einstein passou os últimos quarenta anos de sua vida tentando unificar os campos eletromagnético e o gravitacional numa única teoria que ele chamava de Teoria do Campo Unificado. No entanto não incluía no seu modelo as forças nucleares forte e fraca, que na época, e até 1970, não eram compreendidas como forças separadas. Em 1941 tem início o Projeto Manhattan (o desenvolvimento de uma bomba atômica). 

Pronunciamento oficial do próprio Albert Einstein sobre o referido tema:

"Minha responsabilidade na questão da bomba atômica se limita a uma única intervenção: escrevi uma carta ao Presidente Roosevelt. Eu sabia ser necessária e urgente a organização de experiências de grande envergadura para o estudo e a realização da bomba atômica. E o disse. Conhecia também o risco universal causado pela descoberta da bomba. Mas os sábios alemães se encarniçavam sobre o mesmo problema e tinham todas as chances de resolvê-lo. Assumi portanto minhas responsabilidades. E no entanto sou apaixonadamente um pacifista e minha maneira de ver não é diferente diante da mortandade em tempo de paz. Já que as nações não se resolvem a suprimir a guerra por uma ação conjunta, já que não superam os conflitos por uma arbitragem pacífica e não baseiam seu direito sobre a lei, elas se vêem inexoravelmente obrigadas a preparar a guerra. Participando da corrida geral dos armamentos e não querendo perder, concebem e executam os planos mais detestáveis. Precipitam-se para a guerra. Mas hoje, a guerra se chama o aniquilamento da humanidade. Protestar hoje contra os armamentos não quer dizer nada e não muda nada. Só a supressão definitiva do risco universal da guerra dá sentido e oportunidade à sobrevivência do mundo. Daqui em diante, eis nosso labor cotidiano e nossa inabalável decisão: lutar contra a raiz do mal e não contra os efeitos. O homem aceita lucidamente esta exigência. Que importa que seja acusado de anti-social ou de utópico? Gandhi encarna o maior gênio político de nossa civilização. Definiu o sentido concreto de uma política e soube encontrar em cada homem um inesgotável heroísmo quando descobre um objetivo e um valor para sua ação. A Índia, hoje livre, prova a justeza de seu testemunho. Ora, o poder material, em aparência invencível, do Império Britânico foi submergido por uma vontade inspirada por ideias simples e claras."

Einstein considerava-se um socialista. Não concordava com os regimes totalitários de inspiração socialista. No início, foi a favor da construção da bomba atômica para derrotar Adolf Hitler, mas depois da guerra fez pressão a favor do desarmamento nuclear e de um governo mundial.


Fonte: Wikipédia (com adaptações).