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quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Inscrições abertas para bolsas da CNEN

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) abriu processo seletivo de concessão de bolsas de mestrado e doutorado para 2012. 

A Cnen busca pesquisadores para projetos em sua área de atuação. As inscrições podem ser feitas até 1º de março.

Para participar o estudante deverá estar matriculado em pós-graduação em instituições brasileiras reconhecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC). As bolsas de mestrado são de R$ 1.200, e as de doutorado, R$ 1.800.

O edital oferece vagas em 16 áreas de interesse, desde ciclo do combustível nuclear e análise e avaliação de segurança de instalações nucleares e radiativas até rejeitos radioativos e tecnologias nucleares inovadoras. 

O resultado da seleção será divulgado no portal da Cnen até 2 de abril.

Fonte: Ambiente Energia

quinta-feira, outubro 06, 2011

Mais uma usina em foco, agora na França

Acalmem os ânimos, não será o fim da Europa. Mesmo causada por um incêndio perto de um forno no local de armazenamento de resíduos radioativos, a explosão no centro de tratamento Centraco em setembro, França, não causou risco de um vazamento radioativo.



Segundo a companhia, foi um acidente industrial e não um acidente nuclear. A causa da explosão ainda não é conhecida.

A explosão atingiu a região às 11:45 da manhã, hora local. Um cordão de segurança foi criado como medida de precaução. Mas um porta-voz disse mais tarde que não houve vazamento de radiação, nem dentro nem fora da fábrica.

Nenhum dos trabalhadores acidentados foi contaminado pela radiação, disseram autoridades. Segundo eles, o trabalhador que morreu foi morto pela explosão e não por exposição a material nuclear.

O centro de tratamento produz um combustível que recicla o plutônio de armas nucleares, portanto, não há reatores nucleares no local.

O porta-voz da empresa disse que a explosão aconteceu em um forno usado para queimar os resíduos, incluindo combustíveis, ferramentas e roupas que tinham sido utilizadas na produção de energia nuclear, mas só tinha níveis muito baixos de radiação.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que estava em contato com as autoridades francesas para saber mais sobre a natureza da explosão. Além da agência, a ministra do Meio Ambiente da França visitou o local para ajudar a levantar uma avaliação exata do possível impacto radiológico deste acidente. Até agora, nada foi detectado.

Marcoule foi inaugurada em 1955 e é uma das mais antigas instalações nucleares da França, embora tenha sido completamente modernizada.

Todos os 58 reatores nucleares do país foram submetidos a testes de estresse nos últimos meses, após o desastre na usina nuclear do Japão, que foi atingida por terremoto e tsunami. Os preços das ações caíram mais 6% quando a notícia surgiu.

A França é o país mais dependente da energia nuclear, antendendo 75% das suas necessidades, por isso a segurança no setor é uma questão altamente sensível.

Em junho, a França anunciou que estava investindo 2,3 bilhões de reais em energia nuclear, incluindo cuidados com a segurança.
Centros nucleares franceses estão desenvolvendo a próxima geração de reatores nucleares e vêm se envolvendo em uma enorme campanha publicitária desde o desastre japonês a para tranquilizar o público.
Outros países da Europa, incluindo Alemanha, Itália e Suíça, disseram que vão reduzir ou eliminar gradualmente a utilização da energia nuclear ao longo dos próximos anos. 
Fonte: Hypescience

sábado, setembro 17, 2011

Para que o lixo nuclear repouse em paz

No granito do Grimsel (que não é candidato para a estocagem final), essa simulação em corte permite ver as barras de urânio (ao centro), o container em aço e a camada de cimento de cor clara (Alessio Ferrari)


Dentro de 20 anos, a Suíça vai sair da era nuclear, em todo caso da tecnologia atual. Fica uma porta aberta para tecnologias futuras, como confirmou a comissão de energia do Senado.

Resta enterrar dezenas de milhares de toneladas de lixo radioativo das usinas nucleares. Na Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), testa-se uma estocagem a barreiras múltiplas em que o lixo poderia ficar séculos, até tornar-se inofensivo.

Hoje, o lixo nuclear das centrais suíças esfriam muito lentamente em imensas piscinas nas próprias usinas e no depósito intermediário de Würenlingen, cantão de Argóvia (norte). Desde 2006 e a moratória votada pelo Parlamento para a construção de novas usinas, a Suíça deixou de enviar o lixo radioativo ao gigante francês Areva, para reciclagem na usina de La Hague.

A reciclagem existe: A Areva afirma que 96% das barras usadas das usinas nucleares francesas voltam a ser enriquecidas para reutilização como combustível. Os ecologistas do Greenpeace desmentem e dizem que esses dados se explicam pelas exportações ilegais que vão enferrujar em depósitos na Sibéria.

É verdade, quando se trata de nuclear, nada é simples nem totalmente transparente.

Deverá ser possível

Alessio Ferrari é um cientista e não um político. Pesquisador pós-doutorando no laboratório de mecânica dos solos (LMS) da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), ele trabalha na maneira em que a rocha poderia abrigar o lixo radiativo sem que jamais ele entre em contato com o meio ambiente nem com os lençóis freáticos. É a opção de depósito em camadas geológicas profundas, escolhida pela Suíça e por seus vizinhos. Se na superfície, o processo parece marcar o passo, nos laboratórios a pesquisa avança rapidamente.

“Há uma forte aceleração, no plano europeu, nos últimos cinco a dez anos”, diz Alessio Ferrari. “Os cientistas dispõem agora de melhores laboratórios, melhores resultados, uma compreensão de como os solos se comportam quando as condições mudam. O poder público também estimula a pesquisa porque se dão conta que é preciso, enfim, encontra uma solução”.

As quatro barreiras

A parte do lixo que não pode mais ser reciclada é vitrificada, ou seja, derramada em uma matriz de vidro reputada como quimicamente estável. Mas o lixo ainda é ativo e, portanto, produz calor: até 150° durante séculos para o esfriamento total depois de 10 mil a 100 mil anos. Nada garante que radioatividade não vaze do envelope vitrificado.

Então essa primeira barreira não é suficiente. A segunda é um container de aço. Apesar de ter várias dezenas de centímetros de espessura, o container também não é uma garantia absoluta e milenar contra os vazamentos radioativos.

Isso sem contar as possíveis agressões exteriores, sobretudo da água que poderia corroer o metal. Em princípio, a rocha é pouco permeável aos líquidos, mas para não ameaçar os tataranetos, os cientistas preveem uma terceira barreira antes das rochas.

“Não podemos simplesmente colocar esses containers no fundo de um túnel”, explica Alessio Ferrari. “É preciso um material tampão entre os containers e a rocha. O que testamos atualmente é a bentonita, uma espécie de argila que tem a propriedade muito interessante de poder absorver quatro a cinco vezes seu volume inicial de líquido. Quando ela fica saturada, se torna impermeável”.

Centro de competência

No campus da EFPL, o laboratório testa portanto a resistência da bentonita e seu comportamento em situações de calor, umidade e pressão dos containers que pesarão entre 8 e 26 toneladas. Um outra parte do trabalho é feita nas encostas do Grimsel e do Monte Terri, na região do Jura (oeste), em um laboratório gerido por um consórcio internacional de órgãos públicos e de institutos acadêmicos, sob o controle da Secretaria Federal de Topologia.

Isso não quer dizer que essa rede de túneis a 300 metros de profundidade seja o futuro depósito de lixo nuclear da Suíça. Atualmente, a estocagem de lixo radioativo é inclusive proibida. “As rochas que encontramos aqui existem quase por toda parte na Suíça”, explica Alessio Ferrari. O estudo do comportamento da rocha nas mesmas condições exigidas para uma estocagem de material radioativo faz parte de seu mandato. 

Os trabalhos do laboratório LMS são em parte financiados pela NAGRA, cooperativa nacional pela estocagem de lixo radioativo, que considera o laboratório da EPFL como referência nessa área.

O século dos séculos

Mas como ter certeza de que o que é testado hoje será válido pelo que aparece como meia eternidade?

 Alessio Ferrari é consciente do problema: “A escala temporal de um laboratório é limitada no máximo a alguns anos. Para a rocha, 10 mil anos não é nada na escala de tempo geológica e vamos escolher rochas muito estáveis. Para a bentonita, devemos extrapolar através de um modelo matemático”.

É melhor, se possível, não se enganar porque o modelo suíço de depósito de lixo nuclear prevê que, uma vez fechado, não se mexa mais.


Fonte: Swissinfo.ch

terça-feira, julho 12, 2011

Sem risco de um acidente nuclear em Iperó-SP

O Centro Experimental de Aramar, localizado em Iperó-SP, não oferece risco de um acidente nuclear, garante a Marinha do Brasil. Mesmo assim, a Santa Casa de Sorocaba passará a contar com uma ala para receber vítimas no caso de um incidente com vazamento radiativo.   

Segundo o diretor do Centro de Comunicação Social da Marinha, contra-almirante Paulo Maurício Farias Alves, as atividades em Aramar contam com diversos dispositivos de segurança, de forma a manter os riscos dentro dos parâmetros internacionais.

De forma técnica, ele explica que o centro “é dotado de conceitos de barreiras em profundidade, sistemas redundantes e emprego de dispositivos passivos, que não dependem de energia elétrica ou externa”.

Simplificando, ao menor sinal de vazamento a unidade oferece uma espécie de lacração para que nenhum resíduo chegue ao ambiente externo.

“De acordo com as normas da Agência Internacional de Energia Nuclear, as áreas com potencial para sofrer algum efeito estão circunscritas a um raio de 800 metros, portanto não há risco para qualquer cidade próxima”.

O contra-almirante explica que cada setor de Aramar possui um plano de ação com procedimentos atrelados à segurança industrial e nuclear.
 
“Tais procedimentos incluem o uso de equipamento de proteção individual; uso de detectores de diversas substâncias; emprego de sistemas de monitoração e alarme”, esclarece Alves. “Além disso as equipes de segurança industrial, de proteção radiológica e de saúde são treinadas periodicamente”, finaliza o contra-almirante.
Emendas estão sendo destinadas  para as obras   
Os deputados federais estão destinando emendas para as  obras  na Santa Casa de Sorocaba. O deputado Jefferson Campos (PSB) destinou R$ 500 mil do orçamento da União para a construção da nova ala de atendimento na Santa Casa.

Segundo o provedor do hospital, José Antônio Fasiaben, outros parlamentares estão fazendo emendas. “A ala foi um pedido da comando de Centro Experimentar de Aramar.”

Fasiaben explica que a Santa Casa recebeu a visita de oficiais da  Marinha. “Eles fizeram um relatório. Nosso hospital atende às necessidades”.

Sobre o projeto e equipamentos necessários, Fasiaben explica que a Marinha está fazendo o projeto. O provedor informa que ainda não tem detalhes sobre o funcionamento da ala e o cronograma de instalação.

A construção da ala atende  à resolução CNEN-NE-1.0/2002, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que versa sobre o Licenciamento de Instalações Nucleares e exige facilidades médicas de apoio, internas e externas, ao pessoal alocado em tais instalações.

R$ 1 bilhão  é quanto foi destinado em 2007 pelo então presidente Lula para os projetos desenvolvidos em Aramar.

Fonte: Rede BOM DIA (com adaptações).

terça-feira, maio 31, 2011

Técnicos coletam água para saber se há contaminação por lixo radioativo

Indústrias Nucleares do Brasil, desativada há 15 anos, ainda preocupa moradores e autoridades

Começou no dia 18 deste mês a coleta de água de alguns pontos de Caldas e Poços de Caldas-MG, para analisar se existe algum tipo de contaminação provocada pelo lixo radioativo das Indústrias Nucleares do Brasil (INB). No ribeirão que corta Poços, foram coletadas amostras em 21 pontos por profissionais do Departamento Municipal de Água e Esgoto, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e das Indústrias Nucleares do Brasil. O grupo também fez coletas em um reservatório dentro da área da INB.


A empresa, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, se instalou na década de 1980 na zona rural de Caldas. Ela chegou a produzir 1,2 mil toneladas de concentrado de urânio. Desta produção, sobraram cerca de 11 mil toneladas de um resíduo chamado "Torta 2", uma mistura de tório e urânio, minérios radioativos que ficam armazenados nestes depósitos. O parque industrial foi desativado há 15 anos, mas o risco de contaminação ainda preocupa o Ministério Público. Em uma Ação Civil Pública, de outubro de 2010, José Eduardo de Souza pediu algumas mudanças. A Justiça decidiu então que a INB providencia análises do solo e da água, assim como laudos técnicos.


As providências já começaram a ser tomadas na INB. A Justiça determinou que os galpões, onde ficam os materiais radioativos, sejam reformados. A obra ainda não começou, mas algumas medidas já foram tomadas. O telhado dos depósitos foi trocado. Agora, uma tela impede a entrada de animais no local. As medidas são emergenciais. A direção da INB informou que o início de uma reforma maior ainda depende de licitação. Enquanto isso, a CNEN monitora as atividades da empresa. Os técnicos dizem que não há motivo para preocupação.


Os testes microbiológicos serão feitos no laboratórios do Departamento de Água e Esgoto de Poços de Caldas. Já as análsies dos elementos radioativos ficam por conta da CNEN. Os resultados só devem sair em outubro, quando a comissão concluir as seis etapas de coletas de água nos mananciais.

 

Fonte: EPTV

segunda-feira, maio 30, 2011

INB começa reembalagem de urânio

Enriquecimento

Foram iniciados nesta semana, em Caetité (BA), os trabalhos de reembalagem de 90 toneladas de concentrado de urânio.
O urânio foi levado de Iperó, em São Paulo, até a unidade de mineração e beneficiamento de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil em Caetité (BA).
O produto está sendo acondicionado em embalagens apropriadas ao transporte marítimo.
De Caetité, a carga será enviada até a Europa, onde o urânio será enriquecido.

Lixo atômico

Na noite do último dia 15, manifestantes barraram a entrada do comboio que carregava o concentrado de urânio, depois que organizações ambientalistas e sindicalistas divulgaram que a carga era de "lixo atômico".
A INB (Indústrias Nucleares do Brasil) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) comprovaram que se tratava de produto semelhante ao que a empresa produz em Caetité.
As instituições esclareceram que, de acordo com as normas do setor nuclear, o transporte desse tipo de material segue regras estritas.
Depois de receber autorização da CNEN, o plano de transporte pode ser comunicado unicamente às autoridades que tratam da proteção física das populações, ou seja, aos comandos militares e às secretarias de segurança dos Estados por onde passa o comboio.

Reembalagem

Depois de quatro dias de negociações, uma comissão, formada por dirigentes da INB e integrantes das organizações, assinaram um acordo liberando a carga.
Seguindo o que foi acordado com a Comissão, os procedimentos técnicos de reembalagem do produto foram aprovados pela CNEN e os contêineres foram abertos, dando-se então início ao trabalho de mudança das embalagens.



Fonte: Inovação Tecnológica

sábado, maio 07, 2011

Prova de Certificação da Qualificação de Supervisores de Radioproteção da CNEN

Um momento esperado por muitos, chegou a hora de tentar a tão sonhada certificação de Supervisor de Radioproteção pela CNEN

As áreas para as quais você pode se inscrever são: medicina nuclear, radioterapia; aplicações industriais (medidores nucleares, radiografia industrial, aceleradores de partículas, perfilagem de poços, irradiadores de grande porte e traçadores radioativos); reatores nucleares; ciclo do combustível nuclear; transporte e gerência de rejeitos.

O período de inscrições vai do dia 2 a 5 de julho de 2011. A prova geral e a prova específica escrita acontecerão no dia 23 de agosto nas cidades de: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife.

Para maiores informações sobre o valor das taxas - TLC e do treinamento obrigatório, acesse o site na CNEN.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Resíduos químicos são jogados direto na rede de esgoto por odontólogos

A poluição dos rios, lagos, zonas costeiras e baías tem causado degradação ambiental contínua por despejo de volumes crescentes de depósitos de resíduos e dejetos industriais e orgânicos. 

O lançamento de esgotos não tratados aumentou dramaticamente nas últimas décadas, com impactos severos sobre a fauna, flora e os próprios seres humanos. Pesquisa do doutor em Odontologia, Marcos André dos Santos da Silva, aponta que cerca de 80% dos odontólogos de São Luís descartam materiais radioativos diretamente no esgoto.

A preocupação com a forma como estes resíduos são tratados originou a pesquisa do professor doutor do Programa de Pós-graduação – Mestrado em Odontologia do Centro Universitário do Maranhão (Uniceuma), Marcos André dos Santos da Silva, na qual ouviu profissionais da Odontologia, nas diversas especialidades em seus consultórios e clínicas de Radiologia Odontológica de São Luís. Na investigação, foi indagada como procedem ao descarte de efluentes (soluções de fixador, revelador e água de lavagem dos filmes radiográficos) contendo substâncias nocivas ao meio ambiente e aos próprios seres humanos e ao descarte dos resíduos sólidos (os filmes radiográficos, películas radiográficas, invólucros e lâmina de chumbo) constituídos de material plástico impregnado com metal pesado.  

“Realizamos a pesquisa através de questionário fechado contendo nove questões, que foi aplicado de forma aleatória a uma amostra de 7,8% do total de 1.281 cirurgiões-dentistas. Com os dados colhidos, através dos questionários, foi feita a análise quantitativa, empregando a porcentagem e outros instrumentos estatísticos necessários para obtenção dos resultados, que possibilitaram avaliarmos a gestão dos rejeitos do processamento radiográfico”, disse.

Quando questionados se acreditam que os efluentes radiográficos podem causar danos ao meio ambiente, 92% dos pesquisados afirmam que sim. Quanto ao descarte do fixador utilizado no processamento radiográfico, 43% afirmam que jogam diretamente na pia, 36% diluem o fixador em água e o jogam na pia, 14% realizam o descarte através de uma empresa especializada e 7% deles utilizam outro meio. Dentre os entrevistados, 42% descartam o seu revelador de radiografias somente jogando na pia, 36% diluem em água e o jogam na pia, 13% realizam o descarte através de uma empresa especializada e 9% utilizam outro método para descarte. Quanto à forma de descarte dos filmes radiográficos, 51% jogam no lixo e 49% descartam através de uma empresa especializada, sendo assim, não seguindo o regulamento para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde estabelecido pela Anvisa.

A pesquisa aponta que grande parte dos cirurgiões dentistas não possui informações de como descartar os rejeitos do processamento radiográfico e filmes radiográficos de forma correta, e que a vigilância sanitária não mantém uma fiscalização para gestão dos resíduos dos serviços de radiologia odontológica em São Luís. “Ratificamos que executamos medidas educativas, esclarecedoras e de conscientização desses profissionais ao fim de nossa coleta de dados. A informação científica sendo executada conforme as normas previstas na legislação vigente, poderá minimizar os riscos de contaminação ambiental, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável do Maranhão”, ressaltou.

A pesquisa de Marcos André dos Santos da Silva foi premiada pela Fundação de Amparo a Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) como pesquisador Sênior.


Fonte: Jornal Pequeno

Monitoramento é contínuo, afirma indústria

Representantes das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) afirmam que o complexo de Caldas é regido por preceitos de segurança e proteção ambiental e negam risco para as populações vizinhas. Em um mapa da unidade apresentado à reportagem, o programa de monitoração ambiental possui cerca de 40 pontos de amostragens e medidas.

"Fazemos monitoração contínua. Respeitamos todos os níveis de lançamento (no ambiente) estabelecidos por todos os órgãos ambientais", disse Adriano Maciel Tavares, superintendente de Produção Mineral.

Gerente de Descomissionamento da unidade, Luís Augusto Bresser Dores destaca que as águas da região possuem, naturalmente, índices maiores de minerais, como o manganês, que o estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). "Aqui a qualidade das águas é completamente diferente." Tavares admite que "o grande desafio" é cessar a geração de águas ácidas.

Segundo ele, o descomissionamento da unidade sofreu atraso por causa das tentativas frustradas de dar uma nova destinação produtiva ao local e pela complexidade técnica do processo. A INB montou no local uma planta de produção de terras raras, mas o projeto foi abandonado em 2000. "Tornou-se complicado, por ser minério de urânio. O descomissionamento é inédito. A dificuldade de arrumar empresa no Brasil para isso é enorme."
 
Sobre os depósitos, Tavares informou que a empresa vai reformar os galpões e embalar de novo os recipientes com torta 2. A INB vai recorrer e solicitar mais prazo para atender as determinações. 
 
Fonte: ESTADÃO.COM.BR

Depósito de rejeitos radioativos

País terá sua primeira área de armazenamento radioativo até 2015

 

Para conseguir o licenciamento ambiental do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e realizar Angra 3, uma coisa é certa: haverá a necessidade da construção de um depósito para acomodar os rejeitos radioativos da obra, prevista até 2015.  

Segundo João Roberto Loureiro de Mattos, diretor do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), o local que sediará o repositório ainda não foi escolhido, mas o processo de seleção levará em conta fatores como a densidade populacional da região e a existência de áreas de preservação e de mananciais de água.  

De acordo com as determinações do Ibama, as instalações do repositório precisam estar licenciadas até o início da operação da usina. Isso porque neste depósito ficarão armazenados os rejeitos de baixa e média atividade das usinas nucleares brasileiras, da fábrica de combustível das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), localizada em Resende (RJ), e do descomissionamento de reatores de pesquisa.  

Entenda-se por rejeitos de baixa e média atividade os resíduos da purificação da água dos reatores, imobilizados em matriz de cimento ou em betume, além de roupas, filtros, papéis e outros materiais utilizados em instalações nucleares. Eles serão colocados em embalagens metálicas de 1 metro cúbico ou em tambores metálicos de 200 litros, posteriormente acondicionados em contêineres de concreto no novo depósito, e terão monitoração 24 horas por dia.  

A responsabilidade pelo empreendimento será da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que colocou o CDTN, de Belo Horizonte (MG), à frente do desenvolvimento do projeto, cujo detalhamento será feito ao longo deste ano. 

Hoje, os rejeitos das usinas nucleares do País são armazenados dentro de depósitos iniciais, previstos por normas internacionais, situados dentro das próprias unidades. O mesmo vale para as instalações do ciclo do combustível nuclear.

Fonte: EPTV.COM

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Justiça obriga indústria nuclear a tratar rejeitos em MG

Em 1,4 mil hectares, o primeiro complexo de extração e concentração de urânio no Brasil se tornou um passivo de grandes proporções. Elefante branco do Programa Nuclear Brasileiro, a unidade de tratamento de minério (UTM) das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), na zona rural de Caldas (MG), está na mira da Justiça. Desativada há 15 anos, sua operação de descomissionamento não foi iniciada, gerando temor de contaminação.

De 1982 a 1995, a UTM de Caldas produziu 1,2 mil toneladas de concentrado de urânio, o chamado yellowcake (U3O8), que abasteceu a usina de Angra 1. Atualmente, a antiga mina a céu aberto deu lugar a um enorme lago de águas ácidas, que se formou na cava de cerca de 180 metros de profundidade e 1,2 mil metros de diâmetro. O complexo armazena todo o parque industrial desativado, bacia de rejeitos e depósitos de armazenamento de materiais radioativos - aproximadamente 11 mil toneladas de torta 2 (concentrado de urânio e tório) e outras milhares de toneladas de mesotório -, que foram transferidos há duas décadas da Usina de Santo Amaro (SP) para a unidade.

A indefinição em relação ao acondicionamento dos rejeitos e materiais e o receio de riscos para o meio ambiente no entorno embasaram uma investida judicial contra a INB - antiga Nuclebrás, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e responsável pela cadeia produtiva do urânio no País. Atendendo a um pedido do Ministério Público Estadual, o juiz Edson Zampar Jr., da Comarca de Caldas, concedeu em meados de outubro liminar obrigando a INB a adotar medidas de segurança para o tratamento de rejeitos nucleares resultantes da extração de urânio e o armazenamento adequado do material radioativo vindo de São Paulo. O juiz estipulou prazo de 90 dias para o cumprimento das determinações da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e multas milionárias no caso de descumprimento.

O promotor José Eduardo de Souza Lima afirma que não são conhecidos os riscos de contaminação do lençol freático e demais recursos hídricos pelos materiais lançados na bacia de rejeitos. Ofícios de inspeções da CNEN e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), feitas em 2008, relatam a existência de recipientes corroídos, entre 40 mil tambores metálicos e bombonas; falta de manutenção dos pallets que as sustentavam e material radioativo derramado no chão, além de problemas no sistema de isolamento dos galpões de armazenamento, em precárias condições. O superintendente de Produção Mineral da INB, Adriano Maciel Tavares, garante que o material radioativo se encontra em local seguro e monitorado, não havendo risco de contaminação. 


Fonte: ESTADÃO.COM.BR 

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

CNEN oferece bolsa de mestrado e doutorado

A Comissão Nacional de Energia Nuclear concederá bolsas de estudos nas modalidades de mestrado e doutorado para projetos em diversas áreas com vigência prevista a partir de abril de 2011.

Aderência do projeto às áreas de interesse da instituição, relevância do projeto de pesquisa, fundamentação, metodologia e viabilidade; competência e experiência em pesquisa e desenvolvimento do orientador na área do projeto apresentado, avaliados por seu currículo Lattes são alguns dos parâmetros utilizados para a seleção.

Também é considerado o potencial do candidato avaliado por seu currículum Lattes e histórico escolar. O valor da bolsa de mestrado é de R$ 1.200 e de doutorado R$ 1.800. As inscrições encerram-se em 11 de março.
Mais informações: http://www.cnen.gov.br/noticias/noticia.asp?id=516

Das áreas de interesse da CNEN:
1. Aceitação pública da tecnologia nuclear;
2. Análise e avaliação de segurança de instalações nucleares e radiativas;
3. Aplicações e efeitos das radiações ionizantes na agricultura e em alimentos;
4. Aplicações e efeitos das radiações ionizantes na indústria;
5. Aplicações e efeitos das radiações ionizantes na saúde;
6. Aplicações e efeitos das radiações ionizantes no meio ambiente,
7. Ciclo do combustível nuclear;
8. Fusão nuclear;
9. Instrumentação nuclear e de controle;
10. Materiais de interesse nuclear;
11. Metrologia das radiações;
12. Radioproteção e dosimetria;
13. Reatores nucleares;
14. Rejeitos radioativos;
15. Tecnologias nucleares inovadoras.
Fonte: Rede Notícia.com.br

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Trem radioativo causa protestos e violência na Alemanha

Para quem não sabe ainda, cerca de quatro mil ativistas antinucleares, pertencentes a grupos de esquerda independentes e anarquistas, atacaram a polícia com barras de ferro e bombas caseiras no mês passado, em Dannenberg, no norte da Alemanha. Várias pessoas ficaram feridas.

Os ativistas pretendiam impedir a passagem pela cidade de um trem com 14 toneladas de resíduos nucleares, que se destinam a uma usina de reciclagem na França. Alguns manifestantes chegaram a se acorrentar aos trilhos.
O comboio se deteve por algumas horas, mas seguiu viagem após os violentos choques. Os protestos começaram quando a chanceler Angela Merkel anunciou que manterá abertas as 17 usinas nucleares do país por mais 12 anos. 
Veja as fotos:


Fonte: ESTADÃO (com adaptações).

domingo, outubro 03, 2010

Compensação ambiental de cidades com depósito de lixo radioativo


O tempo de decaimento a ser considerado para a compensação financeira aos municípios será de 300 anos, período recomendado pela AIEA. 

A Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear) estipulou novas regras para a compensação ambiental das cidades que abriguem depósitos iniciais, intermediários ou finais de rejeitos radioativos. A nova metodologia fixa uma nova fórmula que será aplicada para o cálculo da compensação financeira mensal devida aos municípios que abriguem os depósitos de rejeitos radioativos, de baixa e média atividade. As novas regras não se aplicam aos depósitos de resíduos provenientes do material estéril e do refugo do processamento nas instalações de extração ou beneficiamento de minério. 

A nova metodologia está normatizada na Resolução nº 96, de 10 de agosto de 2010, pela qual a Cnen transferirá aos municípios que abriguem os depósitos, um percentual dos valores a ela pagos pelos depositantes de rejeitos que levam em conta o volume dos rejeitos, o ativo isotópico e os custos da deposição, tais como, licenciamento, construção, operação, manutenção e segurança física.

Nos casos de depósitos iniciais ou intermediários, onde não haja o pagamento à Cnen a que se refere o parágrafo 1º do artigo 34 da Lei nº 10.308/001, o titular da autorização da operação da instalação geradora de rejeitos pagará diretamente a compensação ao município, em valores estipulados pela Cnen levando em consideração valores compatíveis com a atividade da geradora e os parâmetros estabelecidos na lei. 

O tempo de decaimento a ser considerado para a compensação financeira aos municípios será de 300 anos, período recomendado pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e adotado pela Cnen. A Resolução nº 96, de 10 de agosto de 2010, publicada no DOU (Diário Oficial da União) em 23/09, já está em vigor e revoga a Resolução Cnen Nº 10, de 18 de agosto de 2003.


Fonte: Eco Agência

sexta-feira, agosto 06, 2010

Depósito subterrâneo a caminho


A Cnen estuda a criação de um depósito intermediário subterrâneo de elementos combustíveis usados, que seriam armazenados em colméias verticais com contêineres. A comissão informa que, até o início de operação de Angra 3, um protótipo deverá estar pronto.

Atualmente, a Cnen conduz projeto para construção de um repositório final para resíduos de baixa e média atividade até 2018. O depósito será capaz de armazenar o combustível usado por Angra 1, 2, 3 e até outras quatro plantas por 60 anos. O empreendimento está orçado em R$ 250 milhões. 

Além desse depósito, também está sendo projetado um espaço interino para armazenamento de combustível usado até 2026.

Por enquanto, os resíduos nucleares de Angra 1 e 2 vêm sendo armazenados em piscinas nas próprias plantas nucleares, em Angra dos Reis (RJ).


Fonte: Portal EnergiaHoje (com adaptações)

quinta-feira, agosto 05, 2010

II Congresso de Física Médica em São Paulo


Foi aberto nesta quarta-feira (04) e prossegue até sexta o II Congresso de Física Médica (ConFiMe)  da Unicamp, no Instituto de Física Gleb Wataghin. O evento organizado por graduandos da unidade visa oferecer uma visão geral sobre a física médica no país, tendo como público alvo alunos de física e física médica, bem como professores, pesquisadores e profissionais da área. 

A temática é ampla, abordando radiologia, radioterapia, medicina nuclear, proteção radiológica, dosimetria, ressonância magnética e produção de fármacos, além do mercado de trabalho para essas especialidades. “Procuramos manter o padrão bem sucedido do primeiro encontro, reunindo os alunos da graduação para ouvir palestrantes com larga experiência em física médica e que atuam erm instituições de renome. O curso é razoavelmente novo – apesar da necessidade antiga – e a ideia é promover a troca de informações para ganharmos mais conhecimento e melhor escolher a área da física que queremos seguir”, afirma o estudante Raphael Fernandes Casseb, da comissão organizadora do ConFiMe.

O desenvolvimento do campo da física médica vem ocorrendo recentemente no Brasil. O seu profissional é um físico conhecedor da interação entre a radiação e a matéria, que atua calculando as doses a serem aplicadas em pacientes, auxiliando na interpretação de imagens de diagnósticos, calibrando e supervisionando equipamentos radioativos dos hospitais e clínicas. O físico médico não é um médico e, portanto, não clinica nem faz cirurgia.

“A interdisciplinaridade entre física e medicina, ao menos no que tange a radiodiagnóstico, radioterapia e medicina nuclear, pode fazer com que o físico tenha um preparo mais fundamentado para assessorar os médicos ou mesmo para planejar tratamentos e diagnósticos”, observa Casseb que, assim como os colegas de comissão, contou com auxílio e orientação de docentes do IFGW e do Centro de Engenharia Biomédica (CEB) para a organização do encontro.
 
No primeiro dia do ConFiMe, pela manhã, foram ministradas palestras por Alexandre Bacelar, da PUC do Rio Grande do Sul, que apresentou um panorama histórico, a situação atual e a visão de futuro da física médica no Brasil; José Claudio Dellamano, do IPEN, que tratou da radioproteção e gerenciamento de rejeitos em instalações radiativas; e Maria da Penha, também do IPEN, que falou sobre metrologia em radiodiagnósticos.

Os três dias do congresso serão ocupados por 11 palestras, duas mesas-redondas e um minicurso. Raphael Casseb acrescenta que também estão programas visitas a hospitais importantes como Albert Einstein, Instituto de Câncer do Estado de São Paulo e A.C. Camargo. “Os participantes vão conhecer as divisões de física médica dessas instituições, o que vai propiciar um contato mais próximo com os profissionais, conhecendo o seu dia a dia”


Fonte: Planeta Universitário

quarta-feira, julho 28, 2010

Perigo de contaminação em Loanda-PR


A preocupação sobre a contaminação ambiental a partir das indústrias de metais sanitários de Loanda, no Paraná, município com 20 mil habitantes, mobilizou uma equipe de pesquisadores de uma autarquia da Universidade de São Paulo (USP).

Em 2007, Luciana da Conceição Pavanelli e Maria Aparecida Faustino Pires, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), publicaram a dissertação de mestrado
"Diagnóstico Ambiental das Áreas Suscetíveis a Contaminação por Metais no Polo Industrial de Fundição de Loanda, Estado do Paraná".

A pesquisa "mostrou incremento de cobre, zinco, cromo, níquel e chumbo apenas nos pontos adjacentes à indústria e um alto índice de mobilidade de cromo e níquel".

As pesquisadoras concluíram que "o solo da região não requer remediação, porém, ainda existe uma preocupação com o lençol freático". Maria Aparecida, doutora em Química pela USP e pesquisadora do Ipen há 28 anos, diz que algumas indústrias foram visitadas pela equipe durante a elaboração do trabalho.

"Notamos que as empresas maiores tomam os cuidados necessários, mas pode haver problemas em uma ou outra menor, já que o polo industrial é disseminado na região", destaca a orientadora do estudo.

A pesquisadora afirma que as amostra de água colhidas no lençol freático não apontaram problemas, mas ressalta que o perigo de contaminação precisa ser considerado. "Pode ocorrer, caso o aporte de resíduos seja muito grande", explica a doutora.

Para elaborar o estudo, as pesquisadoras chegaram a estudar a direção dos ventos, para verificar como os metais pesados podem ser transportados pelo ar, além do transporte por efluentes líquidos.

"Qualquer processo ambiental causa impactos, mas o que as empresas precisam fazer é usar filtros e adotar procedimentos que possibilitem a liberação do mínimo possível de resíduos no ambiente", comenta Maria Aparecida.  

Denúncia

Uma amostra dos resíduos apontou níveis de cobre 100% acima do limite estabelecido pela Resolução 357/2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

A investigação começou após denúncia de produtores rurais do município, que alegam ter perdido dezenas de cabeças de gado por envenenamento.

Eles alegam que os animais beberam água do Ribeirão Tamandueté, que recebe descargas de resíduos industriais por meio de uma canaleta de concreto, que percorre o pátio de várias indústrias fabricantes de torneiras. 


Fonte: O Diário (com adaptações)

terça-feira, março 02, 2010

Abrigo Nuclear


Sinopse

Um drama de ficção científica que aborda os efeitos nocivos da radiação, consequentes da saturação do lixo atômico depositado na Terra e responsável pela contaminação dos seres humanos e de todo o planeta. A humanidade abandona a superfície e se instala em abrigos nucleares.
  
Informações Técnicas
 
Direção e Roteiro:  Roberto Pires, Orlando Senna
Gênero: Ficção
Tempo de Duração: 86 min.
Ano de Produção: 1981
País de origem: BRA
Estúdio/Distrib.: Embrafilme, Sani Filmes, Bahia Filmes
Elenco: Sasso Alano, Marília Araújo, Marco Bahia, Beltrão, Norma Bengell, Bárbara Bittner

sábado, setembro 26, 2009

À Favor da Energia Nuclear


O vilão virou herói, segundo a revista Superinteressante de Julho/07. 
Os ambientalistas erraram - e o Sr. Burns, dono da usina nuclear de Springfield, de Os Simpsons, é um herói. Em vez da energia solar, eólica ou hidrelétrica, a força que vai nos salvar do aquecimento global, quem diria, é a energia nuclear.

A rotativa alemã Heidelberg que imprimiu este texto usa cerca de 3 200 kW de energia por hora. Os caminhões Mercedes e Volkswagen que levaram a Super às bancas queimaram cerca de 30 litros de óleo diesel a cada 100 quilômetros. Cada uma das 3 turbinas dos Boeings 727-200 que transportaram a Super a regiões distantes gastou 1 610 litros de querosene de aviação por hora. E, no momento em que você lê estas linhas, seu cérebro consome 20% da energia do seu corpo, produzida com as cerca de 2 500 calorias que você ingere diariamente. Viver é usar energia.
Sem ela, o mundo desliga. As crises mundiais do petróleo, na década de 1970, são um bom exemplo de como a dependência de uma fonte de energia pode mudar o curso da história. A alta do preço do barril em 1973 e 1978 por causa dos conflitos no Oriente Médio interrompeu o mais virtuo­so ciclo de crescimento que o Ocidente vivera no século 20. No Brasil, a crise adiou o sonho de nos tornarmos uma potência: saltamos do milagre econômico, no início da década de 1970, para o endividamento e a estagnação das duas décadas seguintes. Mais recentemente, a ameaça do apagão elétrico no governo FHC, em 2001, só não foi uma catástrofe porque o Brasil cresceu a taxas medíocres. Sem energia, os preços ficam mais caros, os investimentos escasseiam e os pobres continuam pobres.
Para se salvar dessa estagnação, o ser humano criou vários jeitos de captar energia da natureza. De todos, as usinas nucleares são disparado o mais polêmico. Nenhuma forma de energia tem um passado tão horrível. A fissão nuclear é a tecnologia que gerou as bombas de Hiroshima e Nagasaki (pelo menos 130000 mortos em poucos segundos de 1945), que deixou o mundo tremendo de medo de uma destruição total durante a Guerra Fria e que, em 1986, matou 32 operários no acidente da usina de Chernobyl. Na ocasião, a radioatividade se espalhou com o vento para a Rússia e atingiu até regiões distantes como a França e a Itália. Estima-se que pelo menos 4 000 pessoas, segundo a ONU, ou 200 000, segundo o Greenpeace, tenham sido vítimas de doenças provocadas pela contaminação, como câncer de tireóide.
Apesar de hoje se saber que o acidente foi provocado por falhas humanas grosseiras nos procedimentos básicos de segurança e até mesmo por erros no projeto dos reatores, Chernobyl fez a energia nuclear virar sinônimo de desastre e destruição. Grupos ambientalistas fizeram dela seu principal inimigo. A energia nuclear ficou tão associada ao mal que, poucos anos depois de Chernobyl, quando o desenhista Matt Groening criou o personagem Sr. Burns, o vilão de Os Simpsons, deu a ele o trabalho mais odioso da época: dono da usina de energia nuclear da cidade de Springfield.
Mas os tempos mudaram. Enquanto as usinas nucleares avançaram em segurança e controle dos resíduos radioativos, o mundo passou a sofrer com o gás carbônico emitido pelas fontes tradicionais de energia, como o petróleo e as usinas termoelétricas a carvão. Num mundo em que o aquecimento global é o grande problema, especialistas em energia estão fazendo perguntas incômodas para muitos ecologistas: será que a energia nuclear, apesar de todos os riscos e dos resíduos atômicos, não teria sido uma alternativa menos danosa ao meio ambiente do que as fontes que liberam gases causadores do efeito estufa e que colocam em risco todo o planeta? E mais: será que a Terra tem tempo para esperar por fontes alternativas como a solar e a eólica?

Eles mudaram de idéia

“Não”, diz o cientista britânico James Lovelock, professor da Universidade de Oxford, considerado o pai do movimento ambientalista por ter criado a Hipótese Gaia, teoria que inspirou milhares de ecologistas e cientistas na década de 1970 com a idéia de que a Terra é um organismo vivo. Em seu último livro, A Vingança de Gaia, esse senhor de 87 anos defende abertamente a expansão da energia nuclear para evitar que o impacto do aquecimento global seja ainda mais devastador. Lovelock diz que, enquanto muitas pessoas continuavam amedrontadas diante das centrais atômicas, o aumento da emissão de dióxido de carbono na atmosfera teve um efeito muito pior, colocando o planeta agora à beira de uma catástrofe climática.
“Por ser velho o bastante, posso notar uma forte semelhança entre a atitude de mais de 60 anos atrás diante da ameaça da 2ª Guerra e hoje em face da ameaça do aquecimento global”, escreveu Lovelock. De acordo com ele, assim como a Inglaterra demorou para agir diante das investidas de Hitler em 1938, boa parte do mundo continua acreditando em tratados como o Protocolo de Kyoto – compromisso de vários países para reduzirem suas emissões de carbono –, que, segundo Lovelock, não passa de uma forma política de os governantes ganharem tempo enquanto não sentem na pele a verdadeira dimensão do problema.
Lovelock acha que está na hora de aperfeiçoar a revolução energética ocorrida há cerca de 250 anos que, mais tarde, seria conhecida pelo nome de Revolução Industrial. Até o final do século 18, a principal fonte de energia na Terra era a força dos animais, do vento ou dos fluxos de água que impulsionavam os moinhos. Foi então que um engenheiro escocês chamado James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor – e o resto da história você já sabe: entramos na era industrial. A revolucionária máquina de Watt funcionava de uma maneira simples: ao queimar lenha ou carvão em uma fornalha, o vapor condensado era aproveitado para produzir pressão e movimentar uma engrenagem. Com essa idéia, passamos os últimos dois séculos queimando combustíveis fósseis (carvão, gás, petróleo e seus derivados) para gerar energia. E não estamos falando apenas da energia dos motores dos au­tomóveis, jatos e máquinas industriais. Hoje, nada menos que 66% da energia elétrica de todo o mundo tem origem na queima desses combustíveis nas usinas termoelétricas. Acontece que há pelo menos 3 décadas os cientistas sabem que os gases liberados por essa queima, como o dióxido de carbono, estão mudando o clima do planeta. Para muitos ambientalistas e climatologistas, já passou da hora de quebrar esse ciclo de queima de combustíveis fósseis. “Quaisquer que sejam as incertezas sobre o clima futuro, não há dúvida de que tanto os gases de estufa como as temperaturas estão aumentando”, diz Lovelock.
Ele não é o único a virar a casaca e pular para o lado das usinas atômicas. Em 2003, após avaliar e pesquisar dados sobre o tema, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) em Cambridge, EUA, recomendou a expansão da energia nuclear por acreditar “que essa tecnologia, apesar dos desafios que enfrenta, é uma alternativa importante para os EUA e para o mundo prover suas necessidades energéticas sem emitir dióxido de carbono e outros poluentes na atmosfera”. Até um dos fundadores do Greenpeace, Patrick Moore, passou a apoiar a energia tirada do núcleo dos átomos. “Trinta anos depois, minha visão mudou. E acho que o movimento ecológico como um todo também deveria atualizar sua visão sobre o tema”, afirmou ele num artigo no Washington Post no ano passado.
A consagração da energia nuclear como uma boa alternativa veio em maio, com o último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU criado para ser a autoridade mundial em aquecimento global. O IPCC é claro ao afirmar que a energia nuclear é fundamental para o planeta deixar de aquecer. “Os países devem centrar-se em sistemas de energia que não emitem carbono, como energias renováveis e nuclear”, afirma o relatório.

Problema de imagem

O que leva pesquisadores sérios a defender um antigo vilão da ecologia é que, nos últimos anos, essa tecnologia se mostrou muito mais segura e pacífica do que a opinião pública imagina. “A maioria das pessoas que tem uma visão negativa sobre a energia nuclear aponta sua ligação com as armas nucleares e enxerga tudo como parte do mesmo mal”, diz William Nuttal, professor de engenharia da Universidade de Cambridge (Inglaterra) e autor do livro Nuclear Renaissance (“Renascimento Nuclear”, sem versão no Brasil). “Em defesa desse argumento está o fato de que, sem o empurrão inicial para a construção das armas nucleares nas décadas de 1940 e 1950, o desenvolvimento da ciência nuclear para o uso civil não seria possível.” É difícil negar que nenhuma estratégia de marketing pode ser tão ruim para uma tecnologia como as bombas que caíram nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Mas repudiar a energia nuclear pelo seu passado negro talvez seja tão absurdo quanto banir os aviões pelo simples fato de que eles também são usados para a guerra.
Na prática, a usina nuclear funciona como uma termoelétrica. Produz eletricidade a partir do aquecimento de água, cujo vapor pressurizado move turbinas para a produção de eletricidade. A diferença está no combustível usado. Enquanto em termoelétricas tradicionais queima-se carvão para que o vapor movimente as turbinas – liberando enorme quantidade de dióxido de carbono na atmosfera –, nas usinas nucleares usa-se o urânio enriquecido, já que o mineral é processado para que a fissão nuclear libere mais energia. É durante esse processo que pode ocorrer um acidente grave: caso o reator nuclear superaqueça com uma liberação des­controlada de calor, as paredes protetoras podem derreter e liberar radioatividade.
Acontece que, apesar de graves, os acidentes nucleares são muito mais raros e causam bem menos mortes do que se costuma imaginar. A indústria nuclear se gaba de ser um dos setores mais seguros para trabalhar. Em 2005, estatísticas do equivalente ao Ministério do Trabalho nos EUA revelaram que é mais seguro trabalhar em uma usina nuclear do que na maioria das fábricas, na construção civil e até no mercado financeiro. Se a comparação levar em conta a cadeia de produção de energia em minas de carvão e poços de perfuração de petróleo, o número de mortes em acidentes nucleares é estatisticamente insignificante.
Isso porque a tecnologia atual permite que os novos reatores sejam bem mais seguros dos que os construídos no passado. O reator de Chernobyl, por exemplo, funcionava num edifício comum, sem proteção especial, e tinha grafite entre seus componentes, elemento que entra em combustão quando aquecido demais. Hoje, uma série de novos dispositivos tecnológicos interrompe automaticamente as operações capazes de colocar os reatores em risco. Além disso, assim como acontece com a aviação civil mundial, os procedimentos de segurança da energia nu­clear seguem protocolos rígidos que são alterados à descoberta de qualquer vulnerabilidade. “Se é identificada uma falha em um reator na França, toda a indústria tem que incorporar novos procedimentos”, diz o físico Odair Dias da Costa, presidente da Comissão Nacional de Energial Nuclear, autarquia do governo federal que tem o monopólio no Brasil da mineração, produção e comércio de materiais radioativos. “Sinceramente, não conheço outra área no setor de energia com o mesmo padrão de segurança.”
Os pesquisadores costumam comparar a reação da opinião pública em relação à energia nuclear com a diante de acidentes aéreos. Por mais que se saiba que, estatisticamente, voar é mais seguro do que viajar de automóvel, a dimensão da queda de um único avião é suficiente para aterrorizar a opinião pública por anos. Como exemplo, tente imaginar como seria a reação pública brasileira e mundial caso o acidente na plataforma de petróleo da Petrobras P-36, que matou 11 pessoas e afundou R$ 1 bilhão no oceano Atlântico, em 2001, tivesse ocorrido nas Usinas Angra I ou Angra II. Difícil acreditar que a reação teria sido a mesma, não?

Mãe natureza

Há mais pontos a favor – e não só em termos de ecologia. O urânio é proveniente de países pacíficos, como Austrália, Canadá e Brasil (que tem a 5ª maior reserva do planeta). Por isso, dificilmente seu suprimento é ameaçado por grandes crises como as que ocorrem nos países produtores de petróleo, no Oriente Médio, que costumam alterar a política de fornecimento de acordo com a temperatura nas relações entre árabes e israelenses. Ou seja: a energia nuclear nos deixa livres de apoiar regimes radicais islâmicos ou ditadores latino-americanos.
Além disso, com o aumento do preço do petróleo e do gás natural, o alto custo de construção de usinas nucleares deixou de ser um grande impedimento. Ao contrário de outras fontes, o custo principal da energia nuclear deriva da construção das usinas, e não do combustível, já que o urânio é relativamente barato.
Mas ainda resta a pergunta: por que não investir em fontes de energia renováveis, como a energia solar, eólica e hidráulica, que não emitem carbono nem pro­duzem lixo radioativo? Essa é a grande questão para os opositores da energia nuclear. Para o Greenpeace, todo o discurso em prol do renascimento atômico não passa de oportunismo do setor para lucrar com o medo em torno do aquecimento global. “Mudar o modelo baseado em combustíveis fósseis para um modelo nuclear é trocar um grande problema por outro grande problema”, diz Rebeca Lerer, coordenadora da Campanha de E­nergia do Greenpeace no Brasil. “O mo­vimento de retorno à energia nuclear vai na contramão da história, tanto no resto do mundo quanto, principalmente, no Brasil, que conta com muitas outras fontes alternativas limpas.”
O problema é que os sistemas renováveis, como captam energia diretamente da natureza, também são limitados por ela. Por isso, a maioria dos engenheiros acha loucura sustentar a matriz energética de um país em sistemas eólicos ou solares, como o Greenpeace propõe.
Veja o caso da energia solar. Como armazenar eletricidade é caro e exige baterias imensas, cheias de metais pesados, os painéis voltaicos só produzem com sol batendo. À noite ou durante longos dias sem sol, nada de chuveiro quente, lâmpadas acesas ou hospitais funcionando. Além disso, a energia solar tem um rendimento extremamente baixo para gerar eletricidade. Um exemplo é o centro de energia solar de Monte Alto, um dos maiores do mundo, inaugurado este ano na Espanha. Numa área de 55 campos de futebol, tem 889 estruturas de 50 e 100 m2. Ao todo, são 52 000 módulos fotovoltaicos que geram no máximo 9 MW. Para gerar o mesmo que Angra 2 (1 350 MW), teria que ter 7,8 milhões de módulos, ocupando 7 650 hectares – o mesmo que 7 000 campos oficiais. Ah, claro, ainda seria preciso torcer para que fizesse sol em todos esses campos.
Já a energia eólica é mais fácil de ser captada – os cataventos maiores e mais modernos ultrapassam 4 MW de potência cada um. Mas também há dificuldades estruturais. Ao contrário da água dos rios, o vento não pode ser represado. As usinas só funcionam em locais com ventos fortes e sua produção depende diretamente da quantidade deles. “Claro que se deve investir em energia eólica e solar, mas não é nenhum problema reconhecer que hoje elas são caras e pouco competitivas”, diz Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Ener­gética (EPE), do governo federal.
Das energias sustentáveis, a hidrelétrica é a que está mais à frente. As usinas podem aproveitar desde a força de pequenos rios até quedas grandes e com volume, como Itaipu, com capacidade suficiente para mover um país inteiro – o Brasil, por exemplo, tem 77% de sua energia vinda dessa fonte. Claro que há desvantagens – áreas imensas alagadas, milhares de famílias desalojadas, extinção de espécies –, mas elas podem ser resolvidas com tecnologias mais eficientes e não assustam tanto quanto o carbono na atmosfera ou o lixo radioativo. O grande problema é que a energia hidrelétrica é limitada aos rios que um país possui e pelo que acontecer com eles no futuro.
Mesmo o Brasil, país com um dos maiores potenciais hidrelétricos do mundo, tem motivos para se preocupar. O Ministério de Minas e Energia prevê que, em 23 anos, a população do Brasil vá para 238 milhões de habitantes, e que cada um deles consuma o dobro de energia, triplicando a eletricidade que o país precisa. “O potencial de energia hidrelétrica do Sul e do Sudeste está quase esgotado”, afirma Marco Aurelio dos Santos, do Programa de Planejamento Energético da UFRJ. E as hidrelétricas são vulneráveis a variações sazonais no nível dos reservatórios das usinas, que podem aumentar com o aquecimento global. “Mais da metade do potencial do país está na Amazônia, região que deve ser a mais afetada com o aquecimento da Terra.” Os climatologistas prevêem que a parte oriental da Amazônia, onde hoje está a usina de Tucuruí e a maior parte do potencial energético brasileiro, tenha cada vez menos chuvas. Sem chuvas, sem vazão dos rios, sem energia.
as usinas nucleares produzem quanto os técnicos desejarem e na hora que eles quiserem. Há o limite da quantidade de urânio disponível, mas ele não deve acabar nos próximos séculos. Agora os técnicos se concentram para resolver o maior problema das usinas: o que acontece depois que elas geram energia.

E o lixo atômico?

Reatores nucleares não soltam dióxido de carbono na atmosfera, mas deixam como subproduto o rejeito nuclear ou, como é mais conhecido popularmente, o temido lixo atômico. Esse é o calcanhar-de-aquiles dessa fonte energética. O problema vem do fato de que alguns rejeitos radioa­tivos derivados do urânio duram dezenas de milhares de anos, período em que devem ser mantidos em cápsulas ultra-seguras de concreto e chumbo.
Por enquanto, tudo o que se tem feito é enterrar o problema, montando reservatórios embaixo de formações rochosas estáveis. O maior depósito de resíduos nucleares do mundo está sendo construído na montanha Yucca, no estado de Nevada, EUA. Os cerca de 80 quilômetros de túneis abertos no interior de origem vulcânica podem receber 70 000 toneladas de rejeitos. A montanha também vai receber o material radioativo oriundo do arsenal nuclear que os EUA herda desde a Guerra Fria. O reservatório, que deve custar US$ 50 bilhões e foi programado para entrar em operação em 2010, corre, contudo, o risco de não ser inaugurado. Como os democratas venceram as últimas eleições, o senador Harry Reid, eleito pelo partido em Nevada, promete impedir sua abertura.
Devido a resistências políticas e ambientais – nenhuma região quer sediar um reservatório desses – a solução definitiva para pôr fim ao problema pode vir da própria pesquisa subatômica. Um dos caminhos mais promissores está sendo estudado no Japão, onde cientistas do Projeto Kumatori trabalham com a possibilidade de construir um reator subcrítico – uma espécie de reator nuclear capaz de diminuir, com ajuda de um acelerador de partículas, o tempo de vida da radioatividade de resíduos de milhares para centenas de anos. Segundo os físicos envolvidos no projeto, o primeiro transmutador, outro nome do equipamento, pode começar a operar em 2015. Até lá, a maioria dos países que usam energia nuclear gastará anualmente milhões de dólares para garantir a segurança dos resíduos, ar­mazenados, na maioria dos casos, em depósitos das próprias usinas, como é o caso de Angra I e Angra II, no Brasil.
Enquanto o problema não ameniza, os pesquisadores lembram que, exatamente por serem perigosos, os resíduos atômicos são de responsabilidade do governo federal e tratados como assunto de segurança interna, ao contrário dos resíduos e poluentes que são jogados diariamente em rios, oceanos ou mesmo na atmosfera.
Para a energia nuclear seguir como uma fonte limpa e segura, também é preciso haver uma fiscalização mundial de como a tecnologia é usada. “É difícil para as potências mundiais estimularem a produção de energia nuclear em seus países ao mesmo tempo em querem controlar o uso dessa energia em nações como o Irã e a Coréia do Norte”, diz o físico José Goldemberg, ex-Ministro da Ciência e Tecnologia e um dos maiores especialistas em energia nuclear do Brasil.
Por trás desse tipo de preocupação, há sempre o medo de que instalações nucleares para a produção de energia venham a ser usadas para a produção de bombas. Mas não é difícil para os inspetores internacionais saberem se, de fato, uma instalação nuclear será usada para energia ou para armas. “O problema não é os países terem reatores nucleares, mas o de não estarem abertos para inspeções que garantam que essa é a finalidade única de seus programas atômicos”, diz Odair, da Comissão Nacional de Energia Nu­clear. “Se o objetivo for o de apenas produzir energia, os países podem, por exemplo, deixar que o enriquecimento do urânio fosse feito em outro país.”
Quem faz essa inspeção mundial é a Agência Internacional de Energia Atômica, organismo da ONU criado em 1957 e responsável pelo controle da disseminação da energia nuclear. O papel da agência não é o de impedir países de produzir energia nuclear, e sim o de assegurar que a tecnologia atômica desses países está sendo direcionada para fins pacíficos. Em 2005, a agência e seu diretor, o egípcio Mohamed El Baradei, receberam o Prêmio Nobel da Paz.

Futuro nuclear

O prêmio é merecido: graças à fiscalização rígida dos reatores, a energia atômica e ecológica já é realidade. Ela representa 80% da energia da França, 57% da energia da Bélgica, 39% da energia do Japão, 39% da energia da Coréia do Sul, 30% da energia da Alemanha, 46% da energia da Suécia, 40% da energia da Suíça e 20% da energia dos EUA – somente essa porcentagem nos EUA supera toda a eletricidade produzida no Brasil. No mundo inteiro, a energia nuclear representa 17% da produção de energia elétrica.
Não deixa de ser curioso que a França, cujos cidadãos são conhecidos pela ferrenha força de suas posições políticas, seja o país em que a energia nuclear encontra menos resistência na opinião pública. Pouca gente que visita as tranqüilas cidades medievais no interior do país costuma se dar conta de que a energia elétrica produzida lá tem origem em reatores nucleares. A pequena cidade de Civaux, no sudoeste francês, é um exemplo típico de pacata cidade que se orgulha de ter sido escolhida para sediar uma central nuclear. O visitante que procurar informações turísticas na cidade encontrará lá informações detalhadas da tecnologia “de última geração” de sua usina nuclear.
A opção nuclear no país se deu logo após a primeira crise do petróleo, em 1973. Como a maior parte da energia elétrica francesa era gerada pela queima de óleo, o preço do barril 4 vezes mais caro obrigou o governo a agir rápido, já que a França não tem capacidade hidrelétrica nem reservas de petróleo, gás ou carvão. Até pouco tempo, quando os franceses eram questionados sobre a opção nuclear do país, a resposta era: “Sem petróleo, sem gás, sem carvão, sem escolha”. Hoje, tanto a esquerda quanto a direita aceitam a energia nuclear com naturalidade e o país conta com quase 60 usinas espalhadas em seu território, chegando a exportar energia para os vizinhos, sem nenhum acidente com vítimas há décadas. Pesquisas no país revelam que cerca de dois terços da população aprovam a energia nuclear. E a França se tornou o país da Europa Ocidental com menor emissão de carbono por habitante.
Outros países devem seguir o exemplo da França. A Agência Internacional de Energia publicou no final do ano passado um relatório com a previsão de que a geração de energia nuclear deve crescer entre 13 e 40% até 2030. O próprio presidente da agência, Claude Mandil, defende que a energia nuclear se consolide cada vez mais como parte do mix energético mundial. As construtoras de reatores, é claro, já estão se movimentando. O departamento de energia nuclear da gigante americana General Electric (GE) prevê que 44 grandes reatores nucleares serão encomendados até 2020, e a empresa francesa de energia nuclear Areva estima que 130 novas plantas serão feitas até 2030.
Pelo menos 4 desses novos projetos serão instalados no Brasil – um dos 8 países com tecnologia e autorização para enriquecer urânio. Atualmente, Angra I e II fornecem só 2,2% da nossa eletricidade. Para prevenir o país de apagões, o governo espera construir Angra 3 (que já consumiu US$ 700 milhões e pode gastar pelo menos o dobro desse valor para entrar em operação), mais uma usina até 2025 e mais 2 ou 3 após esse período, dobrando a participação da energia nuclear no país. “Apesar de ainda termos grande potencial hidrelétrico, é claro que ele tende a diminuir ao longo das décadas, o que nos obriga a dominar outras tecnologias, inclusive a nuclear”, afirma Maurício, da EPE. “Como precisamos traçar cenários por décadas, não podemos descartar o know-how que temos da tecnologia nuclear, ainda que ela não venha a ter um protagonismo central no fornecimento energético do país.”
O Brasil ainda é um dos poucos países com a vantagem de ter várias fontes energéticas, por isso a discussão em torno da energia nuclear deve durar mais. No resto do planeta, onde as opções são bem mais escassas, a ameaça do aquecimento global tem tornado imprudente tratar o tema de forma caricaturada. Até mesmo porque, dependendo do quanto a Terra aquecer nos próximos anos, a fisionomia do planeta pode se tornar bem mais feia do que a cara enrugada do Sr. Burns.

Pedrinha mágica 

O que acontece com o urânio antes e depois de virar energia:

1. Escrito nas estrelas
Há bilhões de anos, explosões de estrelas supernovas soltaram pedras a 10 000 km/s. Essa matéria se colidia, provocando fusões nucleares. O resíduo das explosões (elementos como ouro, chumbo, ferro e urânio) ajudaram a formar a Terra.
2. Minério de urânio
Cerca de 500 vezes mais comum que o ouro, o urânio está alojado em rochas simples a poucos metros de profundidade. O Brasil tem a 5ª maior reserva de urânio do mundo. Nas minas, ele vira um pó amarelo, o yellow cake.
3. Enriquecimento
Existem 3 tipos de urânio. O mais raro é o isótopo 234 e o mais comum é o 238 (compõe 99,3% do total). O urânio 235 é mais instável: suas ligações quebram bem facinho, por isso é o preferido das usinas. Para usar urânio como combustível, é preciso enriquecê-lo: botar um pouco de U 235 no U 238.
4. Pastilhas
Depois de separado, triturado e enriquecido, o urânio vira pastilhas de 1 cm de altura e 0,8 cm de diâmetro. Cada uma delas gera energia suficiente para uma casa durante um mês. Até aqui, o urânio é uma pedra comum, que não emite radioatividade perigosa. É em forma de pastilha que ele virar energia na usina nuclear.
5. Lixo dos piores
Depois da fissão nuclear na usina, o que resta são átomos radioativos de plutônio, iodo, césio e dezenas de outros elementos. O plutônio emite radiação alfa, que é captada pelos ossos humanos e causa câncer em poucos dias. Roupas, ferramentas, peças e canos impregnados de radioatividade são lixos atômicos mais leves.
6. Debaixo do tapete
O plutônio precisa ser armazenado em câmaras de concreto e chumbo até que pare de oferecer tanto risco – cerca de 24 000 anos. As usinas de Angra 1 e Angra 2 produzem 43 toneladas desse lixo atômico por ano. Ele também pode voltar ao laboratório e ser usado em bombas atômicas como a de Nagasaki.
Perigo!
Medindo a concentração de urânio 235, os inspetores internacionais descobrem que fim o material terá. O urânio que serve para mover submarinos nucleares e usinas é enriquecido com 3% de Urânio 235. Já bombas atômicas precisam de pelo menos 90% dele.

Dentro da usina
Ela tira energia de dentro do núcleo dos átomos:
1. No forno
As pastilhas de urânio são empilhadas em varetas de uma liga super-resistente. A usina Angra II tem cerca de 10 milhões de pastilhas, que duram em média 3 anos. Todas elas ficam no coração da usina: o reator nuclear.
2. Fissão
Os prótons e os nêutrons do núcleo do átomo de urânio são ligados por uma energia enorme – a energia nuclear. Quando um nêutron atinge o átomo, a ligação se rompe, o núcleo se divide em dois, libera radiação e calor. Cada átomo solta também 2 ou 3 nêutrons – que vão dividir outros átomos, criando uma reação em cadeia.
3. Bafo quente
Uma corrente de água sob pressão atravessa o reator captando o calor liberado durante a fissão nuclear. Esse calor vai para outra câmara, o vaso de pressão. A água ali dentro superaquece e vira vapor a alta pressão, que vai girar as turbinas da usina.
4. Uma usina comum
Depois da reação nuclear, a usina é igual a qualquer termoelétrica. A turbina é o contrário de um motor elétrico. Em vez de a energia elétrica virar movimento, como num liquidificador, o movimento vira energia elétrica.
5. Barreira total
A contenção, uma parede de aço e concreto, protege o mundo do reator e o reator de quedas de aviões, raios ou ataques aéreos. Se houver vazamentos, eles dificilmente saem da contenção.
6. Fumaça verde
Depois de passar pela turbina, a água do vaso de pressão é resfriada com água fria. É por isso que as usinas nucleares geralmente são na beira de um rio ou na praia, como em Angra dos Reis. Parte dessa água do mar vira vapor, que sai pela chaminé da torre de resfriamento.
7. À prova de sono
Para controlar a reação em cadeia, barras de boro e cádmio, que atraem nêutrons, descem em direção às pastilhas do reator. Sem nêutrons, não tem mais como os átomos de urânio se dividir: a reação pára.

Atenção
• Em vez de água, Chernobyl usava grafite, que queima quando quente demais.
• Em 1979, um vazamento no reator de Three Mile Island (EUA) não saiu da contenção. Fora dela, não aconteceu nada.
Se algo der errado, o reator nuclear pára mesmo se o inspetor estiver dormindo.

Duelo das fontes

Os pontos fortes e fracos de cada tipo de energia. E o que cada um precisa para alimentar uma família durante um mês
Nuclear - 10 gramas de urânio
Ponto forte - Não emite gases que causam o efeito estufa, por isso não contribui com o aquecimento global.
Ponto fraco - Requer uma solução de milhares de anos para o armazenamento do lixo nuclear e pode facilitar a produção de bombas.
Termoelétrica- 1 200 quilos de carvão
Ponto forte - O combustível é relativamente barato e ainda abundante em países como EUA, Rússia e China.
Ponto fraco - Altamente poluente. Libera não apenas grande quantidade de dióxido de carbono como também mercúrio e dióxido sulfúrico.
Biomassa - 75 toneladas de bagaço de cana
Ponto forte - É uma energia renovável, que pode ser consumida e replantada, liberando menos carbono que o petróleo.
Ponto fraco - Não é eficiente para a produção de energia elétrica: exige muita cana-de-açúcar para poucos watts de potência.
Hidrelétrica - 5 piscinas olímpicas*
Ponto forte - Energia barata e limpa: a manutenção custa pouco e a represa emite pouco carbono na atmosfera.
Ponto fraco - Fonte limitada pela natureza: seu potencial tende a diminuir com o tempo – e pode ser afetado pelo aquecimento global.
Eólica - um dia de uma grande turbina
Ponto forte - Não polui e causa pouco impacto ambiental (não exige grandes espaços alagados ou com plantações).
Ponto fraco - Como o vento não pode ser represado, é uma energia imprevisível, vulnerável a oscilações climáticas.
Solar - dois anos de sol**
Ponto forte - A luz é gratuita e não emite gases do efeito estufa.
Ponto fraco - Necessita de grandes extensões para a produção de pouca energia, e só faz sentido em locais com forte incidência de luz solar.

* Referente à energia gerada pela queda d’água em uma turbina da usina de Itaipu.
** Considerando 10 módulos de 1 m2 instalados no interior de SP. Fontes: Jair Maués (Projetos Especiais de Desenvolvimento Energético da Petrobras), Eletronuclear, Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Quanto vale
Uma hora de um chuveiro de 1 000 W ligado custa dinheiro e carbono na atmosfera. Veja quanto, em cada tipo de energia:
Fidrelétrica - R$ 0,06 - 33 gramas
Nuclear - R$ 0,15
Biomassa - R$ 0,12 - 83 gramas
Eólica - R$ 0,23
Solar - R$ 0,37
Termoelétrica - R$ 0,18 - 276 gramas

A solução
Como o governo espera cumprir a demanda em 2030:
Novas itaipus
Grandes usinas hidrelétricas na Região Norte.
Gás
Triplicar a potência das usinas movidas a gás.
Itaipuzinhas
Pequenas centrais hidrelétricas, principalmente no Sul e no Sudeste.
Biomassa
Quase 3 000 termoelétricas movidas a bagaço de cana, restos de madeira, casca de arroz.
Vento ventania
1 100 grandes cataventos de energia eólica no Nordeste e no Sul.
Angra 5
Pelo menos mais 4 usinas nucleares no Sudeste e no Nordeste.
Brasa, mora
Dobrar as usinas a carvão mineral nas regiões produtoras.