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quinta-feira, janeiro 12, 2012

Grupo belga quer cooperar com a UnB

Três representantes do Centro de Pesquisa Nuclear da Bélgica (SCK-CEN) estiveram na Universidade de Brasília, em dezembro passado, para conhecer as pesquisas correspondentes às atividades realizadas na área pelo país europeu. Este foi o primeiro contato do grupo com a UnB. Um possível acordo de cooperação será discutido entre as instituições a partir de agora. O SCK-CEN é o segundo maior centro do mundo em produção de isótopos radioativos, fundamentais para a medicina nuclear. Esses elementos são usados em tomografias e exames de raio-x por contraste. “Como é difícil de consegui-los na natureza, é preciso sintetizá-los”, explica o diretor do Instituto de Física da UnB, Geraldo Magela. No centro belga, há reatores que podem produzir os isótopos radioativos, além de outras máquinas importantes para estudos nucleares, como aceleradores de partículas. “Eles têm uma estrutura bem interessante do ponto de vista experimental”, afirma o professor.

O vice-diretor da Faculdade UnB Ceilândia, Araken Rodrigues, acredita que o acordo é o “embrião” para uma relação que pode qualificar recursos humanos e aumentar os quadros de pessoal. Com o aumento de mão-de-obra qualificada, a pesquisa em Medicina Nuclear e em Radiologia, áreas em que a Hospital Universitário de Brasília (HUB) atua no campo da energia nuclear, pode se intensificar. Além disso, o professor avalia como segmentada a pesquisa nesses dois pontos dentro da universidade. “As diferentes áreas que trabalham com o tema deveriam se unir e definir metas conjuntas”, diz.

Reator

O presidente do conselho de diretores do centro SCK-CEN, Frank Deconinck, afirmou que a partir do ano que vem já será possível começar o intercâmbio entre estudantes, exclusivamente da pós-graduação. “Nós sabemos que o Brasil trabalha nos mesmos campos que a gente”, afirmou. “O Brasil vai construir um novo reator e nós também, vocês precisam treinar novas pessoas, nós também, vocês querem desenvolver medicina nuclear e nós temos muita experiência nessa área”. Para o diretor, há muitos campos diferentes em que Brasil e Bélgica têm as mesmas estratégias.

“Esse centro é muito importante”, afirma a chefe de Assuntos Internacionais da UnB, Ana Flávia Granja e Barros. “Eles têm tido sucesso em áreas inovadoras e oferecem vagas para estudantes de master, doutorado e pós-doutorado em cooperação com seis universidades belgas”. As aulas são em inglês, oferecidas a estudantes do mundo todo. A partir de agora, a INT vai mapear os pesquisadores envolvidos no tema para assegurar o intercâmbio dos estudantes. 

Professores interessados podem entrar em contato pelo e-mail: inter@unb.br

Fonte: Planeta Universitário

quarta-feira, janeiro 04, 2012

O Caos de Fukushima

O ex-diretor da usina está com câncer, o arroz e o leite em pó infantil estão com sinais de radiação, a cerveja japonesa foi barrada, macacos vão medir a radiação nas mediações da usina... enfim... fatos e contos de Fukushima.

Câncer

O ex-diretor da usina nuclear de Fukushima, que deixou o trabalho na início de dezembro, está com câncer de esôfago, informou a empresa Tepco, da qual é funcionário. 

Mas segundo a porta-voz da Tepco, Ali Tanaka, durante visita à usina, "o próprio Yoshida revelou que tem câncer de esôfago", enquanto conversava com os funcionários.

A Tepco acredita que é "extremamente improvável que a doença tenha sido causada por exposição a radiação", afirmou, para provocar câncer no esôfago, seria necessário uma exposição à radioatividade durante pelo menos cinco anos e 10 anos para desenvolver a doença. 

A exposição cumulativa de radiação de Yoshida foi de 70 mSv desde 11 de março, segundo a Tepco, um nível abaixo do limite recomendado para socorristas.

Alimentos

A empresa Meiji, do Japão, vai providenciar a troca de 400 mil latas de leite em pó infantil vendidas no país. Há suspeitas de que o produto tenha sido contaminado com césio radioativo. Amostras do leite foram analisadas por especialistas, que identificaram a contaminação nove meses após o vazamento de radioatividade na Usina.

Porém, de acordo com a empresa, a radiação identificada no produto está em níveis bem abaixo dos limites de segurança estabelecidos pelo governo japonês. A Meiji informou que o césio pode ter contaminado o leite durante o processo de desidratação.

O governo japonês esvaziou nove cidades próximas da central nuclear, determinou a suspensão da produção e do consumo de alimentos produzidos na região, como carnes, legumes, frutas e verduras.

As autoridades da província japonesa também detectaram elevados níveis de césio radioativo nas plantações de arroz de cinco fazendas da região.

As últimas amostras contaminadas procedem de Oonami e chegaram a revelar um nível de até 1.270 Bq de césio radioativo por kg, muito acima do limite máximo de 500 Bq/kg estabelecido pelo governo japonês.

Em meio à preocupação com a contaminação, as autoridades de Fukushima vêm realizando nos últimos dias análises sobre o arroz das 154 fazendas agrícolas que se encontram nessa região.

Em julho passado, o governo japonês vetou o comércio de carne bovina de Fukushima e outras duas províncias ao se detectar níveis excessivos de césio radioativo em algumas amostras. Mas, no final de agosto, suspendeu a interdição por considerar que tinham sido tomadas medidas adequadas para proteger o gado da contaminação.







Cerveja
Dois contêineres com 5 mil unidades da cerveja japonesa Asahi Super Dry estão parados no Porto de Santos – um deles, há mais de um mês. Eles aguardam prova de que os alimentos transportados não sofreram contaminação radioativa. 

A empresa Yamato Comercial, responsável pela comercialização, acreditou que a mercadoria deveria ser liberada em cerca de uma semana, mas até agora nada foi pronunciado a respeito.

A Asahi é fabricada em Kanagawa, região que não é considerada de risco. Mesmo assim, precisa ser analisada quando chega ao Brasil, por segurança. Além disso, todo alimento que sai do Japão leva uma licença emitida pelo país, atestando que não há contaminação – e, no caso da Asahi, esse laudo demorou a chegar ao Brasil. 

“As cervejas chegaram antes dos documentos”, lamenta Waldery Braga, coordenador de importação da Yamato.

Macacos detectores

Os físicos não sabem precisar, atualmente, os níveis de radiação na região. Por essa razão, os pesquisadores devem implantar colares medidores em macacos que habitam as florestas da área.

O colar que será colocado em cada macaco, no início de fevereiro, vai contar com três equipamentos. O primeiro é um dosímetro, o aparelho mais usado para detectar radiação. Haverá também um altímetro, para que os cientistas saibam a distância do solo em que cada animal se encontra. E por fim um GPS, para dar a localização dos macacos.

Não mais do que três macacos serão monitorados com o colar. Cada um vai usar este “adereço” por cerca de um mês, e o controle por parte dos pesquisadores será feito através de controle remoto. O objetivo do teste é simples: verificar a quantas anda o nível dos impactos do acidente ocorrido há nove meses.

Um ambiente natural como uma floresta, conforme explicam os cientistas, é um prato cheio para medições desse tipo, porque a radiação tem fortes influências no ecossistema. Esta tentativa, aliás, não é a primeira: os cientistas chegaram a implantar colares nos macacos em outubro, mas os equipamentos deram defeito e tiveram que ser removidos.

O Brasileiro x A Energia Nuclear

A rejeição da opinião pública global ao uso de energia atômica aumentou após o acidente com a usina nuclear de Fukushima, segundo indica pesquisa encomendada pela BBC. Na média geral entre os 12 países que já têm usinas nucleares ativas - Brasil incluído -, 69% dos entrevistados rejeitam a construção de novas usinas, enquanto 22% defendem novas estações. No Brasil, 79% dos entrevistados dizem se opor à construção de novas usinas.

Esses 79% incluem pessoas que acham que o Brasil deve usar as usinas nucleares que já tem, mas não construir estações novas (44%), e pessoas que acham que, como a energia atômica é perigosa, todas as usinas nucleares operantes devem ser fechadas o mais rápido possível.

Apenas 16% dos entrevistados brasileiros acham que a energia nuclear é relativamente segura e uma importante fonte de eletricidade e que, portanto, novas usinas devem ser construídas.

Em comparação com resultados de 2005, o levantamento "sugere que houve um elevado aumento na oposição à energia nuclear" em parte dos países, enquanto cresce a defesa da economia de energia e o uso de fontes renováveis em vez da energia nuclear.

Rejeição e apoio
 

As maiores rejeições à ampliação do uso da energia atômica são observadas na França, no Japão, no Brasil, na Alemanha, no México e na Rússia. Em contrapartida, em países como China, Estados Unidos e Grã-Bretanha, ainda é representativa a quantidade de pessoas que consideram a energia nuclear segura - 42%, 39% e 37%, respectivamente.

"A falta de impacto que o desastre nuclear de Fukushima teve na opinião pública nos EUA e na Grã-Bretanha é digna de nota e contrasta com a crescente oposição às usinas nucleares novas na maioria dos países que acompanhamos desde 2005", declarou o presidente da empresa de pesquisas GlobeScan, Doug Miller.

"O maior impacto foi observado na Alemanha, onde a nova política do governo (de Angela) Merkel, de fechar todas as estações de energia nuclear, é apoiada por 52% dos entrevistados", disse.

A visão alemã reflete a opinião pública do resto da Europa, continente em que "a maioria dos países pesquisados tem uma visão negativa com relação ao uso de energia atômica para gerar eletricidade".



Fonte: Hype Science, Pernambuco.com, Terra e IG (com adaptações).

segunda-feira, outubro 24, 2011

Material com selo de radioatividade faz bombeiro fechar rua em Brasília




O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil fecharam por quase três horas o acesso a uma quadra da área econômica do setor Sudoeste, em Brasília, após um morador encontrar uma embalagem com um selo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)  jogada no lixo. A área foi isolada por orientação da CNEN até a chegada de um técnico do órgão no local.

A embalagem descreve o produto como sendo iodeto de sódio 131. Segundo informações na página da CNEN, o iodeto de sódio é um produto radioativo usado na medicina no diagnóstico de doenças da glândula tireoide. Por ter uma validade média de oito dias, o produto tem sido substituído em exames pelo iodo 123 ultrapuro, cuja radioatividade dura 13,2 horas.

O técnico da CNEN Adriano de Souza afirmou que a embalagem encontrada estava vazia e com prazo de validade vencido – o selo era de 2008. Apesar disso, Souza disse que se houvesse iodeto e a substância estivesse dentro da validade, o produto poderia provocar queimaduras e até câncer em quem o manuseasse.

A embalagem foi recolhida e levada para perícia. Segundo o técnico da CNEN, é possível rastrear a origem do produto a partir do selo. "Vamos fazer isso o mais rapidamente possível", afirmou.
 
Lembrança do césio 137
 
Segundo o major dos Bombeiros Hélio Guimarães Pereira, a notificação sobre o descarte da embalagem foi feita por um morador nesta manhã. Na tarde do dia anterior, o porteiro Francisco Aquino, que trabalha na quadra, chegou a manusear a embalagem. Um exame feito no porteiro com um contador Geiger descartou a contaminação.

O porteiro Fransico Aquino disse ter ficado aliviado com o resutado. "As pessoas ficaram falando do césio de Goiânia", disse.

O selo da CNEN levantou o medo de que a radiação do produto pudesse causar danos à saúde, como no caso da cápsula de césio 137 encontrada por catadores de lixo em Goiânia, em 1987, e que se transformou no maior acidente nuclear radioativo brasileiro.

A moradora Millene Francine, que já trabalhou com descarte de produtos tóxicos, disse que buscou informações sobre o produto encontrado tão logo ele foi identificado. “Procurei logo me informar que tipo de produto era para ver se era perigoso”, disse.

A advogada Jussara Costa Melo, que mora na quadra que foi interditada, disse ter ficado menos preocupada quando viu a rapidez dos bombeiros em isolar a área. Ela chegou a ser impedida pelos bombeiros de caminhar quando desceu de seu prédio para se exercitar.
 
O acidente com o Césio 137 ocorreu em 1987. O material radioativo estava em um equipamento médico abandonado em um hospital desativado da cidade. Depois de retirado da máquina, o césio 137 foi vendido para o dono de um ferro-velho. Várias pessoas que tiveram contato com o produto morreram.

Os donos do instituto de radiologia onde estava o equipamento foram condenados por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). O material contaminado – mais de 1,6 mil toneladas de entulhos, terra e roupas – foi transferido para um depósito especial em Abadia de Goiás.


Fonte: G1

quarta-feira, setembro 14, 2011

Vazamento radioativo pode ter causado mortes em hospital no RS

"Após receber denúncia de um suposto vazamento radioativo, uma comitiva de vereadores de Porto Alegre visita na tarde desta sexta-feira o Hospital de Pronto-Socorro (HPS) da capital gaúcha, uma das principais instituições de saúde do Estado. Nesta semana, documentos foram encaminhados à Câmara, com laudos de técnicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), indicando que equipamentos do setor de raio-x do local estariam sucateados. Os vereadores também receberam informações de que dois funcionários do HPS morreram de câncer no mês passado, e a suspeita é de que a radiação tenha sido determinante para acelerar a doença.

A Secretaria Municipal de Saúde, no entanto, rechaça a hipóteses de um vazamento e contesta os laudos independentes realizados no local. Segundo a pasta, análises oficiais ocorreram na sala de raio-x e foi descartado o risco de vazamento. A secretaria, contudo, informou que, recentemente, consertou dois aparelhos do local que apresentavam problemas, mas não conseguiu identificar a falha em um tomógrafo que segue estragado.

Até as 15h, o titular da pasta, Carlos Henrique Casartelli, e membros da direção do HPS davam explicações aos vereadores sobre a denúncia. A secretaria não quis se manifestar sobre as mortes, por entender não ser um assunto da pasta, e ainda não confirma se eles trabalhavam no setor de raio-x."

Fonte: Terra

Bem, o que podemos evidenciar aí é que pode ter havido radiação de fuga, e não vazamento. E mesmo assim, a probabilidade das doses recebidas pelos trabalhadores serem suficientes para causarem câncer é mínima. Tudo depende da quantidade de tempo em que eles trabalharam alí, da avaliação da radiação de fuga, etc. Mas, quem trabalha na área sabe que isso é pouco provável.

Podemos ver com esse tipo de notícia, o quão a população tem desconhecimento acerca dos aparelhos de Raios-X e das radiações em geral, e mesmo assim, afirmam com propriedade que eles contém isótopos radioativos dentro do aparelho. Para nós, profissionais da área, sabemos que isso é, no mínimo, engraçado, pra não dizer absurdo. O problema, é que até em artigos científicos e em notícias de sites importantes se vê esse tipo de notícia sem nenhum fundamento teórico-científico. Ou mesmo, sem nenhum fundamento, somente.

É nosso dever esclarecer essas dúvidas e conscientizar.

domingo, julho 10, 2011

Agilent Technologies desenvolve método para medir radioatividade de forma rápida e precisa


A Agilent Technologies Inc. anuncia o desenvolvimento de um novo método para identificar iodo radioativo usando a técnica de espectrometria de massas com fonte de plasma acoplada indutivamente (ICP-MS). O método será usado pela primeira vez pela Universidade do Japão, com o sistema doado pela Agilent, um ICP-MS modelo 7700.  Os testes serão realizados no laboratório do Dr. Yasuyuki Muramatsu, expert em radiação ambiental. O Dr. Muramatsu, professor do departamento de química da universidade, foi recentemente indicado pela Prefeitura de Fukushima para avaliar o efeito da radiação nas fazendas da região depois que as usinas de energia nuclear locais foram danificadas pelos recentes terremoto e tsunami.

O laboratório do Dr. Muramatsu mede elementos radioativos em nível de ultra traços, incluindo os isótopos de iodo 129, 131 e 127, assim como os elementos césio (Cs) e estrôncio (Sr) em nível de traços. Esses elementos são importantes para medir os radioisótopos que vazaram do reator para o meio ambiente.

“O iodo radioativo 129 exige atenção especial por ser de alta resistência”, afirma o Dr Muramatsu. “Controlar seus níveis será importante para avaliação do iodo radioativo depositado no meio ambiente”. Este nuclídeo é despejado continuamente no meio ambiente como resultado de testes de armas nucleares, acidentes em usinas nucleares e emissões de usinas de reprocessamento de combustível nuclear.

“Essa aplicação requer o uso de uma célula de colisão/reação de alta energia com oxigênio, existente no sistema Agilent ICP-MS 7700,” ressalta Daniela Schiavo, especialista de aplicações da área de ICP-MS da Agilent. “Apesar de existirem outras técnicas e instrumentos de medição, como nossos outros sistemas de ICP-MS, acreditamos que a medição do Iodo 129 com este método é a forma mais rápida, mais precisa e de menor custo”.

Desde o terremoto de 11 de março, a Agilent e a Fundação Agilent Technologies têm contribuído com mais de US$ 850.000 em doações e equipamentos em resposta à tragédia.

Sobre a Agilent Technologies
 
A Agilent Technologies Inc é a principal empresa do mundo em medição analítica e uma das principais em análises químicas, biociências, eletrônica e comunicações.  Os 18.500 funcionários da empresa estão a serviço de clientes em mais de 100 países.


Fonte: Planeta Universitário.com

quinta-feira, junho 16, 2011

Físicos criticam falta de independência de programa nuclear

Concentração de fiscalização e fomento de pesquisas nas mãos do mesmo órgão criaria "promiscuidade". Comissão de sociedade científica também é contra planos atuais de expansão da energia atômica no Brasil .

O programa nuclear brasileiro sofre de uma "promiscuidade perigosa" porque o mesmo órgão que fiscaliza as atividades envolvendo energia atômica também financia as pesquisas nesse campo.

Esse é o diagnóstico de uma comissão da SBF (Sociedade Brasileira de Física), que avaliou o estado da área e apresentou suas conclusões durante o Encontro de Física 2011, em Foz do Iguaçu (PR).
 
"A confluência de interesses prejudica a supervisão de segurança", diz Luiz Carlos Menezes, físico da USP e presidente da comissão.
 
O alvo das críticas dos físicos é a Cnen (pronuncia-se "que nem"), ou Comissão Nacional de Energia Nuclear. Menezes lembra que já há a iniciativa de criar uma agência independente de monitoramento, mas ela não avança. "Não duvido que os interesses corporativos da própria Cnen estejam emperrando essa consulta", diz ele.
 
No relatório, o terceiro produzido pela comissão da SBF, os físicos também abordam o que consideram estratégico para o futuro da pesquisa nuclear no Brasil. Entre as principais demandas da comunidade científica está a criação de um reator multipropósito.
 
Esse tipo de reator poderia suprir o país com radioisótopos de uso médico, importantes para radioterapia ou diagnóstico e hoje produzidos fora do Brasil. "A construção autônoma também traria qualificação técnica, até para fazermos outros reatores se fosse decidido que é o caso de fazer", diz Menezes.

Nesse ponto, o chefe da comissão é categórico: o país não precisa de mais reatores neste momento, e construí-los equivaleria a simplesmente comprar tecnologia pronta fora, o que seria "tolice", afirma o pesquisador.

Laercio Vinhas, diretor de radioproteção e segurança nuclear da Cnen, diz que, com o passar do tempo, os programas nucleares mundo afora de fato foram ganhando agências de monitoramento independentes.
"Também pretendemos que haja separação aqui, embora isso não signifique que hoje o trabalho seja malfeito", afirma Vinhas. "Não estamos contrariando as convenções internacionais porque elas pedem que regulação e fomento sejam funcionalmente independentes, e isso já acontece no interior da Cnen", argumenta.
 
Frase

"Acho uma tolice comprar usinas prontas, seria como voltar aos anos 1970 [quando isso ocorreu no caso das usinas de Angra]. E, nos moldes atuais, é o que aconteceria" - Luiz Carlos Menezes - FÍSICO DA USP E CHEFE DA COMISSÃO
 
Fonte: Administradores.com.br

terça-feira, maio 31, 2011

Técnicos coletam água para saber se há contaminação por lixo radioativo

Indústrias Nucleares do Brasil, desativada há 15 anos, ainda preocupa moradores e autoridades

Começou no dia 18 deste mês a coleta de água de alguns pontos de Caldas e Poços de Caldas-MG, para analisar se existe algum tipo de contaminação provocada pelo lixo radioativo das Indústrias Nucleares do Brasil (INB). No ribeirão que corta Poços, foram coletadas amostras em 21 pontos por profissionais do Departamento Municipal de Água e Esgoto, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e das Indústrias Nucleares do Brasil. O grupo também fez coletas em um reservatório dentro da área da INB.


A empresa, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, se instalou na década de 1980 na zona rural de Caldas. Ela chegou a produzir 1,2 mil toneladas de concentrado de urânio. Desta produção, sobraram cerca de 11 mil toneladas de um resíduo chamado "Torta 2", uma mistura de tório e urânio, minérios radioativos que ficam armazenados nestes depósitos. O parque industrial foi desativado há 15 anos, mas o risco de contaminação ainda preocupa o Ministério Público. Em uma Ação Civil Pública, de outubro de 2010, José Eduardo de Souza pediu algumas mudanças. A Justiça decidiu então que a INB providencia análises do solo e da água, assim como laudos técnicos.


As providências já começaram a ser tomadas na INB. A Justiça determinou que os galpões, onde ficam os materiais radioativos, sejam reformados. A obra ainda não começou, mas algumas medidas já foram tomadas. O telhado dos depósitos foi trocado. Agora, uma tela impede a entrada de animais no local. As medidas são emergenciais. A direção da INB informou que o início de uma reforma maior ainda depende de licitação. Enquanto isso, a CNEN monitora as atividades da empresa. Os técnicos dizem que não há motivo para preocupação.


Os testes microbiológicos serão feitos no laboratórios do Departamento de Água e Esgoto de Poços de Caldas. Já as análsies dos elementos radioativos ficam por conta da CNEN. Os resultados só devem sair em outubro, quando a comissão concluir as seis etapas de coletas de água nos mananciais.

 

Fonte: EPTV

segunda-feira, maio 30, 2011

INB começa reembalagem de urânio

Enriquecimento

Foram iniciados nesta semana, em Caetité (BA), os trabalhos de reembalagem de 90 toneladas de concentrado de urânio.
O urânio foi levado de Iperó, em São Paulo, até a unidade de mineração e beneficiamento de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil em Caetité (BA).
O produto está sendo acondicionado em embalagens apropriadas ao transporte marítimo.
De Caetité, a carga será enviada até a Europa, onde o urânio será enriquecido.

Lixo atômico

Na noite do último dia 15, manifestantes barraram a entrada do comboio que carregava o concentrado de urânio, depois que organizações ambientalistas e sindicalistas divulgaram que a carga era de "lixo atômico".
A INB (Indústrias Nucleares do Brasil) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) comprovaram que se tratava de produto semelhante ao que a empresa produz em Caetité.
As instituições esclareceram que, de acordo com as normas do setor nuclear, o transporte desse tipo de material segue regras estritas.
Depois de receber autorização da CNEN, o plano de transporte pode ser comunicado unicamente às autoridades que tratam da proteção física das populações, ou seja, aos comandos militares e às secretarias de segurança dos Estados por onde passa o comboio.

Reembalagem

Depois de quatro dias de negociações, uma comissão, formada por dirigentes da INB e integrantes das organizações, assinaram um acordo liberando a carga.
Seguindo o que foi acordado com a Comissão, os procedimentos técnicos de reembalagem do produto foram aprovados pela CNEN e os contêineres foram abertos, dando-se então início ao trabalho de mudança das embalagens.



Fonte: Inovação Tecnológica

sexta-feira, março 18, 2011

Acidente nuclear x Acidente radioativo

Por Mariana Duarte


A diferença entre a emergência nuclear e a emergência radiológica, é que a emergência nuclear ocorre com reatores de pesquisa ou energia. Já a emergência radiológica ocorre com qualquer material radioativo. Por isso, acidentes radiológicos são mais frequentes que acidentes nucleares, pois, podem ocorrer em qualquer hospital, por exemplo, que tenha um serviço de radioterapia ou em uma instalação de medicina nuclear.

Uns dos maiores acidentes radiológicos, foram:

SEUL, CORÉIA DO SUL


Em outubro de 1999 um vazamento de água radioativa em uma usina nuclear contaminou 22 pessoas, mas foi controlado pouco depois. O acidente ocorreu quando era feito um conserto numa bomba de água para resfriamento na usina nuclear de Wolsung. Os 45 litros de água radioativa vazados "não saíram do edifício. Não afetaram o meio ambiente", acrescentou o Ministério da Ciência e Tecnologia.
Entre as pessoas contaminadas estavam funcionários da Korea Electric Power Corp., que administra a usina.

TÓQUIO, JAPÃO

Em setembro de 1999 um vazamento de radiação ocorrido em uma usina de processamento de urânio contaminou 14 trabalhadores. A usina se situa em Tokaimura, a noroeste de Tóquio.
Os níveis de radiação em torno da usina ficaram 10.000 vezes superiores aos normais. A dois quilômetros do lugar, ainda eram dez vezes maiores que o normal.

GOIÂNIA, GO


Um ano e meio após o desastre de Chernobyl, aconteceu o acidente de Goiânia, onde catadores de sucata abriram a golpes de marreta uma peça de equipamento hospitalar para radioterapia de 120 quilos (vida útil 30 anos), abandonado em um terreno contendo aproximadamente 19 gramas de césio-137. Foi vendido a um ferro-velho, o dono encantado com o pó aglomerado azul que brilhava na falta de luz, fez um anel para sua esposa e distribuiu o pó para amigos e familiares, tragicamente contaminando mais e mais vitimas.

Quando o acidente foi descoberto, autoridades enviaram policiais e bombeiros, sem proteção adequada, para isolar a área, os quais também se contaminaram. As vitimas tiveram suas residências e pertences destruídos, levados para um aterro, onde os trabalhadores que fizeram a demolição e o transporte também se contaminaram.

Calcula-se que mais de 60 pessoas foram vítimas fatais e em torno de 6 mil foram contaminadas, produzi-se cerca de 13,4 toneladas de lixo atômico, perigoso ao meio ambiente por mais de 180 anos, condicionados em conteiners fechados hermeticamente, enterrados em uma vala de aproximadamente 30 metros de profundidade, revestida por uma parede de concreto e chumbo de 1 metro de espessura e sobre a vala foi construída uma montanha. Nas proximidades do ferro-velho foi coberto por 7 metros de espessura de concreto para impedir possíveis vazamentos de radiação.

quinta-feira, março 17, 2011

As Pílulas de Iodo e o Azul da Prússia

Esclarecendo algumas dúvidas sobre o motivo de usarem as pílulas de iodo em acidentes nucleares ou radiológicos e o azul da Prússia, que foi utilizado em Goiânia no acidente com o Césio-137, por exemplo.

Por Mariana Duarte

Iodeto de Potássio


Utilizando o exemplo do recente acidente nuclear no Japão onde há a presença no ar do Iodo-131, que é radioativo e altamente cancerígeno, as pílulas de iodo ou  iodeto de potássio são um sal utilizado para saturar a tireóide com este iodo, condicionando-a a bloquear o iodo radioativo. Elas ajudam a combater o efeito do Iodo-131 diminuindo a possibilidade de disfunções da tireóide.

O corpo precisa de iodo - de uma forma não radioativa - para produzir hormônios da tireóide, que regulam o metabolismo. Absorver o iodo radioativo pode causar o câncer. Uma vez inalado ou consumido por comer ou beber alimentos contaminados, o iodo radioativo viaja através do corpo e é rapidamente absorvido pela glândula tireóide, onde se pode danificar o DNA.

O corpo não faz a diferença entre o iodo radioativo e o estável. Tomar comprimidos de iodo estável pode proteger a tireóide por "encher" a glândula de iodo, impedindo a absorção do iodo radioativo. É importante que se tomem as pílulas rapidamente e o seu efeito dura por 24 horas.  

Os comprimidos de iodo não impedem a entrada de iodo radioativo no corpo e nem  protege outros órgãos além da glândula tireóide. Eles também não revertem danos que já ocorreram na tireóide. 

Sal iodado também contém iodo suficiente para manter a maioria das pessoas saudáveis, em condições normais. No entanto, o sal de mesa não contém iodo suficiente para bloquear o iodo radioativo de entrar em sua glândula tiróide. 

Porém, como esclareceu a OMS, o iodeto de potássio "não é um antídoto à radiação" e não oferece proteção contra elementos radioativos como o césio. Além disso, pode representar um risco para algumas pessoas, incluindo mulheres grávidas.

Azul da Prússia 


O azul da Prússia foi produzido pela primeira vez como um corante azul em 1704 e tem sido utilizado por artistas e fabricantes, desde então. Ele tem o nome de seu uso como corante de uniformes militares prussianos. 

Porém, as pessoas não devem tomar o corante azul da Prússia utilizado por artistas na tentativa de tratar a si próprios. Este tipo de azul da Prússia não é projetado para tratar da contaminação radioativa.  As pessoas que estão preocupadas com a possibilidade de estarem contaminadas com materiais radioativos devem ir ao médico para aconselhamento e tratamento.
  
O azul da Prússia é utilizado no tratamento de pacientes com conhecida ou suspeita de contaminação interna com césio radioativo e/ou tálio radioativo ou não-radioativo para aumentar a velocidade de sua eliminação. Tal substância elimina os efeitos da radiação, fazendo com que as partículas de césio saiam do organismo através da urina e das fezes.

O azul da Prússia impede que o tálio radioativo (principalmente o Tl-201) e o césio sejam reabsorvidos pelo organismo. Os materiais radioativos em seguida, passam através do intestino e são excretados em evacuações. 

O azul da Prússia reduz a meia-vida biológica do césio de cerca de 110 dias para cerca de 30 dias e a meia-vida biológica do tálio de cerca de 8 dias para cerca de 3 dias. Por reduzir o tempo que o césio e o tálio permanecem no corpo, o azul da Prússia ajuda a limitar a quantidade de tempo que o corpo é exposto à radiação.

A droga é segura para a maioria dos adultos, incluindo mulheres grávidas e crianças (2 ─ 12 anos). As mulheres que estão amamentando seus bebês devem parar de amamentar. Pessoas que tiverem prisão de ventre, bloqueios no intestino ou certos problemas de estômago devem consultar seus médicos antes de utilizá-lo. Antes de tomar o azul da Prússia, as pessoas também devem informar seu médico sobre qualquer outro medicamento que esteja tomando.

Os efeitos secundários mais comuns do azul da Prússia são dores de estômago e constipação. Estes efeitos secundários podem ser facilmente tratados com outros medicamentos. As pessoas podem ter fezes azuis durante o tempo em que estão tomando o azul da Prússia.    

segunda-feira, março 07, 2011

Aiea quer fim do atraso no transporte de material terapêutico

Algumas cargas radioativas de uso médico não são liberados a tempo fazendo com que os remédios percam a validade; Brasil lançou mecanismo para acelerar o processo.

A Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, sugeriu mudanças em normas e procedimentos de algumas rotas globais de transporte de carga até 2013. O objetivo é fazer com que materiais radioativos, usados em tratamentos de câncer e doenças cardiovasculares, não sejam barrados em portos e aeroportos do mundo.

Prazo de Entrega

Falta de informação sobre o manuseio do material e normas nacionais são as principais razões dos impedimentos e atrasos. Muitas cargas tem validade curta e estragam se o prazo de entrega não for cumprido.

Jean-Yves Reculeau, especialista da Aiea, afirmou que “não há muito transporte qualificado para cargas de material radioativo e que existem obstruções demais.” Para a Aiea, é preciso criar uma rede de transportes segura e sustentável de rotas e carregamentos.

Milhares de cargas com equipamentos médicos são transportadas diariamente.

Debate

Em dezembro de 2009, o Brasil avançou nesse debate ao dar status de prioridade às cargas radioativas com fins médicos. No transporte marítimo, oficiais fizeram mudanças substanciais no porto de Santos e capacitaram equipe de trabalhadores com treinamento especializado.

Ainda este ano, a agência da ONU irá organizar uma série de consultorias técnicas e encontros para analisar casos específicos de impedimentos e atrasos de carga. 


Fonte: Correio do Brasil

terça-feira, março 01, 2011

Aumento no preço dos radiofármcos adiado até final de março

No dia 16 de fevereiro de 2011, na sede da CNEN no Rio de Janeiro, o presidente da SBBMN, Dr. Celso Darío Ramos, e os diretores Dr. Ricardo Brandão e Dr. Claudio Tinoco Mesquita, se reuniram com o presidente da CNEN, professor Odair Dias Gonçalves, e com o diretor de pesquisa e desenvolvimento da entidade, Dr. Marcos Nogueira Martins.
 
Na reunião, foram discutidas possíveis medidas para o desenvolvimento da Medicina Nuclear, considerando a decisão governamental da presidente Dilma Rousseff, confirmada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, em 13 de fevereiro de 2011: construir no Brasil um reator multipropósito para produzir radioisótopos para uso médico.
 
O professor Odair mostrou as dificuldades orçamentárias da CNEN, apresentou uma planilha, segundo a qual a produção de geradores de tecnécio-99m pelo IPEN é deficitária e afirmou que o aumento de preços é necessário para recompor o orçamento da Comissão.
 
A SBBMN ressaltou a importância de que, associado ao investimento no reator, haja investimento direto no crescimento da Medicina Nuclear, a principal usuária desses insumos radioativos e que é contraditório "sufocar" a especialidade com mais esse aumento de preços, além dos vários aumentos indiretos que já vem sofrendo.
 
Foi discutida a necessidade de incrementar o ensino e a pesquisa na área, formar um número maior de médicos nucleares, físicos, radiofarmacêuticos e biomédicos, principalmente, nas universidades públicas brasileiras, aptos a trabalhar com materiais produzidos pelo novo reator para que todo o investimento se reverta em melhoria da saúde da população, desenvolvimento tecnológico e ensino profissionalizante no país.
 
Ao final, ficou definido que o reajuste nos preços dos radiofármacos fica adiado até o final de março e, neste prazo, CNEN e SBBMN se comprometeram a planejar ações conjuntas, como viabilizar a revisão da tabela do SUS. Os resultados dessa reunião serão apresentados ao Ministério da Ciência e Tecnologia, protagonista principal do desenvolvimento dessa área. CNEN e SBBMN se posicionaram de modo a cada vez mais se tornarem parceiras no uso benéfico da energia nuclear.

Fonte: SBBMN

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Brasil inaugura nova cascata de enriquecimento de urânio

No apagar das luzes do governo Lula, o Presidente e o então ministro da ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, participaram de uma "inauguração virtual" da 3ª Cascata de Enriquecimento de Urânio da INB (Indústrias Nucleares do Brasil S.A.).

Em formato diferenciado, a cerimônia aconteceu no Palácio do Planalto, em Brasília, com transmissão simultânea do evento para a fábrica da empresa, em Resende no Rio de Janeiro (RJ).

Enriquecimento do urânio

A INB fornece o elemento combustível para as usinas nucleares de Angra do Reis, urânio enriquecido obtido através de várias etapas de processamento do minério extraído em Caetité, BA.

A Unidade de Enriquecimento Isotópico está sendo implantada gradualmente com a instalação de cascatas de ultracentrífugas.

O enriquecimento do urânio por ultracentrifugação é principal etapa industrial do ciclo de produção do combustível nuclear, processo restrito a poucos países, dos quais somente Brasil, Estados Unidos e Rússia têm reservas de urânio em seus territórios.

A conclusão desta unidade possibilitará a inserção do País no mercado internacional de urânio com maior valor agregado e com menor custo de transporte, fator vantajoso quando comparado com grandes produtores de urânio, como Canadá, Austrália e Cazaquistão.

A INB será a única fabricante de combustível nuclear no mundo com enriquecimento e fabricação no mesmo local, o que aumenta muito a sua eficiência.

Ultracentrífugas

A tecnologia, 100% nacional, é o resultado do esforço da Marinha do Brasil com participação do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da Universidade de São Paulo (USP) e de outros parceiros, conduzido ao longo de três décadas.

Ela propiciará economia anual de divisas da ordem de US$16 milhões, quando atingida a capacidade prevista no Contrato com o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo - CTMSP, correspondente à quantidade de urânio enriquecido para suprimento de 100% das necessidades da central Angra 1 e 20% de Angra 2.

A primeira cascata de ultracentrífugas entrou em operação em maio de 2006 e a segunda em novembro de 2009. Com a inauguração da terceira cascata a INB passa a ter capacidade de enriquecer cerca de 10% do total do urânio minerado no Brasil. O restante continuará a ser enriquecido no exterior.

A implantação das próximas cascatas será feita a medida que o CTMSP forneça as ultracentrífugas. A produção poderia ser acelerada com a construção de uma fábrica de ultracentrífugas, conforme plano apresentado pelo MCT à Marinha.

A Unidade de Enriquecimento Isotópico de Urânio da INB, conforme previsto no Acordo de Salvaguardas, é periodicamente inspecionada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares ( ABACC).

Ciclo do combustível nuclear

O ciclo do combustível nuclear é o conjunto de etapas do processo industrial que transforma o mineral urânio, desde quando ele é encontrado em estado natural até sua utilização como combustível, dentro de uma usina nuclear.

O Brasil já domina completamente a tecnologia da ultracentrifugação - na verdade, o país tem uma tecnologia mais avançada de que outros concorrentes.

Depois da centrifugação, o urânio deve ser convertido em um gás e finalmente, usado na produção das pastilhas, usadas como combustível. A inauguração da unidade-piloto para fazer a conversão de gás está prevista para Março de 2011.

Fonte: Inovação Tecnológica

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Detectados níveis de radioatividade potencialmente cancerígenos em Portugal

Uma investigação da Universidade de Trás-os-Montes (UTAD) concluiu que Amarante - Portugal, apresenta níveis de radioatividade natural que pode provocar cancro nos pulmões e outras doenças, revelou hoje à Agência Lusa a sua autora.

Lisa Martins, que apresentou uma tese de mestrado sobre recursos geológicos e desenvolvimento sustentável, explicou que foram detetados valores elevados de radônio, o gás produzido pelo urânio que existe em alguns tipos de granito da zona de Amarante.

A autora referiu que "a exposição a longo prazo" a níveis elevados de radônio pode provocar neoplasias pulmonares, leucemia infantil e, em alguns casos, a aterosclerose.

Fonte: Diário de Notícias(com adaptações).

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Vinho, bomba atômica e safras

Mesmo para o sommelier¹ mais premiado, as análises visual, olfativa e gustativa parecem ser insuficientes para detectar com certeza absoluta uma safra. O problema da falsificação de safras caras é cada vez mais presente: com o crescimento de apaixonados por vinho, de leilões e de colecionadores, especialmente no Extremo Oriente e na Rússia, cresce também o enriquecimento dos trapaceiros. É que os grandes vinhos são usados como forma de investimento² e as casas de leilões estão se organizando para prevenir o perigo: pelo menos 5% das garrafas mais preciosas na realidade não passam de falsas!

Para acertar uma safra que vale milhares de dólares, os sommelieres terão que levar em consideração uma conseqüência da guerra fria: o fator radioatividade! A Universidade de Adelaide, na Austrália, apresentou recentemente a analise do carbono-14, que é encontrado naturalmente na atmosfera em pequenas quantidades, devido a uma reação dos raios cósmicos com o azoto. A pesquisa usa como “linha de divisão” o período dos anos 50, quando os testes nucleares³ conduzidos no mundo incrementaram o nível de 14C – o radiocarbono – que mais tarde, depois de 1963, ano em que os testes foram banidos, começou a diminuir.

De acordo com Graham Jones, um dos autores da pesquisa, “a uva prende o carbono radioativo por meio do dióxido de carbono (CO2) presente na atmosfera e o transforma em álcool e outros compostos. Com base na quantidade de carbono-14 encontrado no vinho podemos detectar a safra”. Os pesquisadores australianos testaram seu método,que usa um espectrômetro de massas no álcool presente em 20 garrafas, de safras entre 1958 e 1997: conseguiram estabelecer suas datas reais com uma margem de erro de um ano. Em seguida começaram a verificar a possibilidade de aplicar o método a outros componentes, como os fenólicos e o ácido tartárico, para afinar ulteriormente a medição.

 Testes nucleares para testar vinhos caros; isto é, declarar guerra às fraudes. Um caso de guerra bem-vinda.

1- O melhor sommelier do mundo, segundo a Association de la Sommellerie Internationale (ASI) é o francês, naturalizado inglês, Gerard Basset. Em abril de 2010 ganhou o título entre 51 concorrentes. Cada finalista teve que superar provas de degustação às cegas e descrever em detalhes quatro vinhos diferentes e identificar oito destilados em três minutos. A próxima edição do evento será em Tóquio, em 2013.

2- Raise your glass: wine investiment and the financial crisis”, (Levante sua taça: investir em vinho e a crise financeira): esse é o nome do trabalho de dois economistas da Wine Association of Wine Economists. Entre  os outros dados: uma garrafa de Lafite Rothschild foi leiloada em 2003 por 490 dólares, depois de seis anos foi vendida por 2.586,00 dólares, rendendo ao vendedor um retorno de 70% por ano.

3- Os homens que filmavam o que acontecia quando as bombas eram detonadas formavam uma divisão secreta. Sua existência surgiu das sombras apenas quando o governo começou, 12 anos atrás, a tornar públicos seus filmes. No total, produziram 6.500 filmes  segundo autoridades federais. Dois novos documentários, “Countdown to Zero” e “Nuclear Tipping Point”, apresentam imagens de arquivo das explosões.


Fonte: Tribuna do Norte (com adaptações).

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Navio da Marinha realiza Comissão Oceanográfica

O Aviso de Pesquisa (AvPq) “Aspirante Moura”, da Marinha do Brasil, recebeu, nos dias 27 e 28 de novembro, mais de 500 visitantes em sua permanência no cais da Capitania dos Portos do Paraná, em Paranaguá (PR).

Na visitação, o Comandante do AvPq “Aspirante Moura”, Capitão-Tenente Cláudio Luis Estrella Pereira, apresentou as instalações do navio e os recursos disponíveis, que determinam sua condição de Laboratório Flutuante de Pesquisas Oceanográficas para plataformas de pesquisas oceânicas.

Oriundo da Noruega, o navio foi incorporado à Armada Brasileira em 17 de junho deste ano e tem capacidade para acomodar 21 pessoas, entre tripulação e equipe científica. Para suas manobras, conta com dois propulsores azimutais, tornando suas operações muito simplificadas.

Paranaguá foi a primeira cidade da costa da Região Sul a receber o navio, que realiza a segunda Comissão Oceanográfica, a serviço do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM). Ao deixar a cidade, o navio seguiu para Rio Grande (RS) e Itajaí (SC).

A viagem do (AvPq) “Aspirante Moura”, iniciada no dia 23 de novembro, em Arraial do Cabo (RJ), tem o propósito de coletar dados para o projeto de Monitoramento do Meio Ambiente Marinho (MOMAM), na área localizada entre as cidades de Paranaguá e Rio Grande, em profundidades que variam de 10 a 30 metros. A comissão encerrou no dia 17 de dezembro com o retorno do navio ao Rio de Janeiro.

A Comissão Oceanográfica faz parte do Projeto de Monitoramento de Radionuclídeos na costa brasileira, encomendado pela Coordenação do Plano de Reaparelhamento da Marinha (C-PRM), com a participação do IEAPM, e a colaboração técnica especializada do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Este projeto, ao longo de cinco anos, coletará amostras em 19 pontos da costa brasileira, entre Salinópolis (PA) e Rio Grande (RS).

 
Fonte: Marinha do Brasil

quarta-feira, outubro 06, 2010

Brasil poderá ter megarreator para uso científico em 2016


O Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) planeja construir um novo reator nuclear, que deve custar cerca de R$ 850 milhões. Os recursos para elaboração do projeto -R$ 30 milhões- já foram aprovados pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
Se o projeto for aprovado, o novo reator deve estar pronto em 2016.


O megainvestimento será feito em Iperó, no interior de São Paulo, numa área de 200 hectares cedida pela Marinha e pelo governo do Estado de São Paulo. O objetivo é criar lá um novo polo de tecnologia nuclear, que deve se desenvolver ao redor do reator. A ideia é que o polo atue na formação de pessoas e auxilie pesquisas, inclusive de usuários não ligados aos institutos da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear, ao qual o Ipen é vinculado).

Apesar de ter a sexta maior reserva de urânio (necessário para a produção dos radioisótopos), o país praticamente não produz radioisótopos. Com exceção do iodo-131, que tem 50% da produção feita no Brasil, os demais são importados de países como Argentina e Israel. Além disso, parte do processamento dos radioisótopos para produção de radiofármacos (moléculas para uso médico ligadas aos elementos) também é feito no exterior.

"Detemos o conhecimento, mas não temos a tecnologia", lamenta o diretor de projetos especiais do instituto, José Augusto Perrota. O maior e mais utilizado dos reatores nacionais, que fica no próprio Ipen, em São Paulo, foi inaugurado em 1958. O novo reator poderá produzir e processar os radioisótopos para atender toda a demanda nacional. "Se usado pela comunidade brasileira como previsto, o reator de Iperó se pagará em menos de 20 anos", diz Perrota.

Para ele, o país não deve se intimidar com os custos. "Não podemos deixar de fazer "big science" (projetos científicos de grande porte, com tecnologia cara)."


Fonte: Portal Vermelho