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sexta-feira, outubro 21, 2011

Sobram vagas para mamografia na rede municipal

O medo ainda é um dos motivos que fazem a procura ser menor que a oferta


O medo da dor durante a mamografia e o medo do seu resultado estão entre as principais justificativas para muitas curitibanas de 50 anos ou mais evitarem o exame por imagem que identifica o câncer de mama em seu estágio inicial, tratável e com maiores chances de cura. Elas chegam a marcar data e hora para a mamografia, que deve ser feita a cada dois anos, mas não comparecem.

Consequência desse comportamento: sobram vagas para a realização do exame, que é gratuito, na rede pública de saúde. “Sobram, mas não deveria”, diz a médica ginecologista Rosilei Antonievicz, Coordenadora do Programa Mulher Curitibana, da Secretaria Municipal da Saúde, que cuida das ações de prevenção do câncer feminino.

O Mulher Curitibana, criado em 2009, difunde informações sobre o assunto e incentiva as usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) a fazerem consultas médicas anuais. Pelos dados oficiais, das quase 220 mil moradoras da cidade com 50 anos ou mais, perto de 150 mil têm nas Unidades de Saúde a porta de entrada para esse atendimento.

Cada uma delas, no mês do seu aniversário, recebe a equipe da unidade de saúde mais próxima de casa, com data e horário agendados para iniciar uma avaliação completa de saúde. Na primeira visita são levantadas informações gerais das pacientes para cadastro. Quem ainda não tiver feito o preventivo de câncer de colo uterino colhe amostra para exame e sai da unidade com o requerimento para realizar também a mamografia.

Quando os laudos ficam prontos, elas são informadas sobre os resultados e recebem orientação - que vão de prescrições mais simples a futuras consultas com especialistas, em casos de exames alterados. Dieta, atividades físicas e abandono do fumo - mudanças de hábitos que podem melhorar substancialmente o estado de saúde e a qualidade de vida das pacientes – são recomendações freqüentes.

Todos os dados são anotados na Caderneta de Saúde da Mulher Curitibana – documento que traz resultados de exames, vacinas aplicadas, medicamentos usados, problemas de saúde, metas pessoais e até fotografias. Esse resumo da evolução do estado de saúde de cada mulher faz da caderneta fonte de informações precisas para qualquer profissional de saúde que, no futuro, venha a acompanhá-la.

A Caderneta de Saúde traz também dicas para uma vida equilibrada. Entre elas, informações sobre alimentação saudável, atividades físicas, sexualidade saudável, saúde bucal e mental, males do tabagismo e prevenção da osteoporose.

Prevenção

Quem tem 50 anos ou mais nem precisa de pedido do médico especialista, um mastologista, para fazer a radiografia. As equipes de Enfermagem das 110 Unidades de Saúde da cidade podem solicitar o exame, que mostra se na mama há formações sugestivas de anomalias, mais freqüentes entre as mulheres mais velhas. É na faixa etária acima dos 50 anos que ocorrem a grande maioria dos casos de câncer de mama.

Com os avanços da ciência, o eventual diagnóstico de câncer de mama não é sinônimo de “atestado de óbito” ou “mutilação”. "Desde que a descoberta do câncer seja precoce (quando o nódulo tem menos de 2 centímetros) a cirurgia é feita para retirar o tumor, sem precisar fazer a retirada completa da mama, a chamada mastectomia," afirma Rosilei. "E mesmo que essa intervenção seja necessária, há o recurso da plástica para reconstrução da mama, com enxerto de tecido do quadril ou do abdômen".

Em sua experiência como ginecologista, a médica reuniu diversas histórias e exemplos de como não há nada melhor e mais eficaz que a prevenção para se evitar o câncer de mama, que está no centro das preocupações de especialistas em Saúde Pública como ela.

Justamente por ser o tipo mais frequente e a primeira causa de óbito entre as mulheres de todas as classes sociais. Essas estatísticas são recheadas de casos de diagnóstico tardio, quando as chances de cura são menores. Foi assim com a mãe de Rosilei. Ela deixou de fazer a mamografia por quatro anos e não descobriu o tumor a tempo de curá-lo.

Lei federal garante que a mulher tem direito à mamografia na rede pública de Saúde a partir dos 40 anos. Com indicação médica – casos de histórico familiar de parentes de primeiro grau ou alteração do exame clínico – o acesso à mamografia diagnóstica é para qualquer idade. A mulher não enfrenta filas, nem tem demora no atendimento na rede pública em Curitiba.

Porém, é no grupo de mulheres acima dos 50 anos que, indicam os estudos científicos mundiais, o exame mostra os melhores resultados como instrumento de diagnóstico. “Antes dessa idade, como a mama é muito densa, a imagem da mamografia é muito branca. Isso cria dificuldades no diagnóstico, confunde e gera um stress grande por levar, muitas vezes, a uma biópsia desnecessária”, diz a médica.

Equívocos

Na pesquisa realizada entre o público-alvo de suas ações, as mulheres acima dos 50 anos, a Secretaria Municipal de Saúde descobriu que os argumentos desse grupo para não fazer o exame são, em sua maioria, frágeis e equivocados. Ainda que o conjunto dos resultados mostrasse que as informações sobre consultas e exames chegam e circulam naquela faixa etária.

“Há diversos argumentos das mulheres como “estou velha, não preciso mais”, e desculpas que fazem a gente pensar em descuido. Tem aquelas que chegam a marcar, mas não comparecem no dia marcado para o exame. É triste. Nada justifica esse comportamento com a própria saúde”, diz Rosilei.

A primeira resposta da razão por não ter feito a mamografia nos últimos anos, dada por 50% das entrevistadas, é “eu não tenho nada, estou livre”. A certeza desse grupo está baseada no fato do auto-exame não identificar um nódulo pelo tato ou visualmente, ou da mulher não sentir dor na mama.

Rosilei recomenda cautela. A técnica do auto-exame não é capaz de identificar nódulos com menos de 2 centímetros, que não são perceptíveis na palpação da mama, e as células atípicas também não produzem qualquer sintoma. Daí a recomendação para que a mamografia seja feita como rotina de dois em dois anos.

“Não faço o exame porque não tenho tempo” foi o argumento mais usado em segundo lugar. Segue-se a confissão do “medo da dor e do diagnóstico”. Rosilei insiste que esse mito não tem razão de ser. “As mulheres se submetem a outros procedimentos como, por exemplo, o de depilação que fazem mensalmente e que é mais dolorida do que a mamografia, que deve ser feita a cada dois anos. O desconforto da mamografia é rápido e absolutamente suportável”. A médica usa essas informações para enfatizar que “o benefício da descoberta precoce do câncer de mama compensa qualquer desconforto”.

Para algumas das mulheres ouvidas, o motivo para não fazer a mamografia  era o fim próximo do casamento; para outras, a idade – “estou velha, não preciso mais” ou “estou sem parceiro, não tenho mais relações sexuais”. Teve até quem dissesse que o problema era o marido – “ele não deixa”.

Outubro Rosa

Também para vencer essas resistências e fazer um chamado geral à prevenção, Curitiba se veste de rosa em outubro. Essa cor identifica o compromisso da administração em promover, apoiar e se integrar aos esforços pela identificação precoce do câncer de mama.

Aproveitando o início da primavera, a renovação das espécies dos canteiros de parques e jardins da cidade será feita à base de flores cor de rosa, pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A iniciativa do Outubro Rosa é da ong Instituto Humanista de Desenvolvimento Social, Humsol, com o apoio da Prefeitura de Curitiba.


Fonte: Bem Paraná

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